Livro: A Vaca na Estrada

031 De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – A cidade e suas tribos

Katmandu, festival das fantasias: a cidade e suas tribos

Em razão de todo um frenesí em torno da exótica cidade, Katmandu era moda. Assim, fez sucesso em Paris uma canção irônica. Aletra dizia: “Je suis parti pour Kathmandou, voir les mystiques et les sadhous…” (“Eu parti para Katmandu para ver os místicos e os sadhus.”). Ou seja, uma sutil gozação sobre aqueles muito deslumbrados que partiram para Katmandu “em busca da Verdade”… Nós, entretanto, já sabíamos o que nos esperava no Nepal. Assim, não nos surpreendemos, portanto, com o clima “faça o que quiser” de Katmandu. Pessoas que encontráramos ao longo da viagem nos alertaram que a capital nepalesa era como curva de rio. Em suma, onde parava de tudo… Dessa forma, isso tranformava Katmandu num grande festival aberto para todas as fantasias.

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Katmandu: turismo para todas as tribos

Ao caminhar pela rua víamos tanto turistas convencionais, bastante comportadinhos, como hippies de todos os tipos. Ou seja, desde aqueles que eram então chamados “hippies de boutique“, até os encardidos autênticos. E também nos chamava a atenção os tipos humanos. Assim, tínhamos mães com crianças novas, guitarristas, casais, gente sozinha. Alguns pretendiam se tornar escritores. Havia, enfim, sonhadores de todo tipo. hippies.

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Espaço para todo mundo

E, ainda mais, havia aqueles que não pretendiam nada, para quem o futuro não existia. Enfim, espaço para todos. Os hippies, por exemplo, eam numerosos. Enfim, a palavra hippie era muito vaga. Eram valores existenciais que contavam? Havia uma contra-cultura, ideológica, digamos assim? Era forma de se vestir que caracterizava um hippie? Alguns, aliás, se reconheciam como tal, outros não.

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Turistas convencionais: a cidade e suas tribos

Katmandu está cada vez mais atraindo turistas convencionais, ou inclusive excursões, mesmo que a maioria seja ainda pessoal mais jovem.
Quando estivem em Katmandu plea primeira vez, por excesso de misticismo, ou por terem ido fundo no consumo de drogas pesadas, alguns resolviam dar uma de sadhu. Era o caso de um gringo alto, de imundos cabelos até a cintura, vestido apenas com um pano de algodão alaranjado, pés descalços, colares, cajado na mão e rosto pintado.

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Lojinhas, agito, lugar para comer…

Os lojistas, da Freak Street, por sua vez, exibiam suas mercadorias penduradas nas portas baixas. Os tetos baixos eram condizentes com o tamanho dos nepaleses. Ou seja, quase sempre de pequena estatura. Nessas lojinhas vendiam de tudo. Lenços coloridos, túnicas bordadas, joias de prata, incenso, livros usados. Algumas lojas, por sua vez, negociavam artigos de decoração, pinturas tibetanas, como as famosas tankas, além de outras com temas hiduístas.

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Deparamos também com estátuetas de Budas, Shiva, Ganesh de madeira e bronze,. Em suma, divivindades hindus reprsentações de Buda. Era interessante a variedade de máscaras de todo tipo. Algumas tranquilas, outras assustadoras. Tudo existia em função da colônia de jovens estrangeiros, constantemente renovada, que ocupava aquele canto da cidade.

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E para comer?

Os pequenos restaurantes da rua serviam igualmente grande variedade de pratos. Muitos da culinária ocidental e relativamente bem imitados. Dessa forma podíamos comer em Katmandu, momos tibetanos, lasagnas, pizzas, frango ao curry, fried rice, ou batatas fritas. Na Freak’s Street, por exemplo havia restaurantezinhos baratos um ao lado do outro, com seus menus escritos em inglês.

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O festival da Freak’s Street

Olhamos os nomes dos hotéis e restaurantes: Don’t Pass Me By, Old Hungry Eye, August Moon, Monumental Lodge (uma espelunca, apesar do nome), Oriental Lodge, Namasté e outros nomes criativos. Hotéis simples, alguns apenas com banheiros coletivos (algo que sempre evitei!). Outros possuíam dormitórios igualmente coletivos e mistos, onde o pudor não era muito tomado a sério…

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O agito na região mochileira: a cidade e suas tribos

A Freak’s Street era um lugar de assédio comercial de todo tipo. Propunham-nos de tudo. Ou seja trocar dinheiro no mercado negro, bijuterias, joias de prata, roupas, o manjado bálsamo de tigre, shillons e, é claro, drogas de todo tipo, de venda praticamente livre.
A localização era também prática. Tínhamos de tudo na região, desde farmácias a mini-casas de câmbio, rick-shaws aguardando clientes, cafeterias, agências de viagem, um movimento constante de estrangeiros mais jovens.

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O pessoal dos ashrams

Um outro grupo, geralmente pessoas com o mesmo perfil daqueles que frequentavam ashrams na Índia, acabavam visitando igualmente o Nepal. Afinal, misticismo e gurus existiam igualmente em Katmandu, em todo canto. Outros, finalmente, faziam caminhadas, mochilas nas costas ou retiros espirituais nas montanhas. Sempre, no meio de paisagens esplêndidas.

Sem bandidos

Curiosamente, o ambiente não era nem um pouco perigoso ou “barra pesada” como nas áreas de tráfico de drogas do Rio ou de São Paulo. Por quê? Porque não havia gangues de traficantes disputando territórios. Não ocorriam tiroteios, não existiam gangues de traficantes. Ou seja, o fulano que vendia haxixe era um pobre diabo mirradinho, que não fazia medo a ninguém.

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Aliás, no Nepal dessa época, tortas de maçã com haxixe, bolo de maconha com frutas, ou ópio eram vendidas até em hotéis e casas de chá frequentadas por turistas. Comparamos com o que víriamos no Afeganistão. Concluímos que só faltava inventarem um panetone de maconha…
Nos butecos o baseado passava de mão em mão, dando a volta na mesa. Uma explicação possível é que o consumo de drogas leves dessa forma e de modo esporádico eram mais um meio de satisfazer a curiosidade dos estrangeiros, do que qualquer outra coisa.

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Mais ou menos como a “maconha turística” dos coffee shops de Amsterdã.
Obviamente, aliás, todas essas lanchonetes de Frek’s Street estavam impregnadas do cheio adocicado da fumaça azulada, que parecia pairar no ar. Como comentou uma francesa com quem fomos tomar um café: “Aqui você não precisa fumar nada para atingir aquele estado alterado de consciência… Basta respirar esse ar azulado da Freak’s Street!

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Sigam o relato:

Sigam esta aventura de carro pelas estradas da Ásia atravessando o Oriente mágico e éxotico que encantou milhares de jovens europeus. Uma experiência vivida pelo autor do livro “A Vaca na Estrada” por países como Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, ÍndiaNepal


Veja a continuação desta postagem:
Katmandu de bicicleta

Explicação necessária:

Outras viagens pela Índia, lugares e experiências

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021 De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada”

Nosso destino nessa viagem de carro, espinha dorsal do livro “A Vaca na Estrada” de Paris ao Nepal, seria Katmandu. Da Europa passaríamos pela Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão e Índia. Antes, porém, de seguir para o Nepal fomos visitando outros lugares na Índia. Aliás, como estive diversas vezes no país, o livro “A Vaca na Estrada”, inclui igualmente algumas experiências vividas em outras viagens pelo subcontinente indiano.
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