Dicas de Viagem

Relato da Nossa Viagem na Pandemia – Parte 1

Finalmente no Brasil, depois de 6 meses de busão pela América do Sul

De volta ao Brasil: de novo a febre da viagem

Depois de percorrer a América do Sul em busão ) durante meses, voltamos ao Brasil. Ficamos, porém, apenas 2 meses em São Paulo, já pensando em partir para a Ásia. A ideia era visitar Nepal, Tailândia, Camboja, Vietnã e Laos.
Sabíamos que voos diretos do Brasil para o Oriente são raros. Dessa forma, a maioria dos brasileiros que viaja para o continente asiático vai primeiro até uma capital europeia onde toma uma conexão para seu destino na Ásia. Assim, escolhemos Paris, onde queríamos ficar uns dez dias fazendo vídeos.

Pirâmide do Louvre, em Paris

Por que Paris?

Ketty já estivera algumas vez em Paris comigo e amara essa cidade, onde passei alguns dos melhores anos de minha vida e onde estudei. Assim, um dia, olhando o Sena do Ponts des Arts, comecei a sonhar. Viver de novo em Paris… Afinal, porque não?
Uma das vantagens de produzir vídeos de turismo é poder trabalhar em qualquer lugar do mundo. Basta termos conosco nosso note-book. Em suma, poderia trabalhar em Paris, em São Paulo ou em Katmandu.
Ketty deve ter ter percebido: “…, tá com vontade de voltar para cá, né?” Confessei que sim. “Você toparia?”. Virou-se para mim. “Você está falando sério ou tirando uma?. É o que eu mais quero!” Dei risada. Tive várias amigas aventureiras. Ketty é a mochileira mais sofisticada que conheço… Prefere tomar vinho em Paris do que escalar o Everest… rssss

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Um passeio que já fizemos algumas vezes, mas que sempre curtimos

Desta vez, igualmente, incluímos museus e outras atrações do turismo parisiense, fizemos o tradicionalíssimo passeio de barco pelo Sena (que recomendamos, por mais turístico que seja). Porém, antes de mais nada, perambulamos pela cidade, filmando e fotografando a região do Sena, as ilhas (Cité e Saint-Louis), Quartier Latin, Marais, Halles, Saint-Germain e outros lugares que adoramos. Sempre aproveitávamos para fazer novos vídeos para nosso canal “Sonhos de Viagem”.

Crepe de banana com nutela, em Paris

Comida de rua

Na maior parte das vezes não almoçávamos, nem jantávamos. Dessa forma, íamos flanando por Paris, parando o tempo todo para comer uma crepe, um faláfell, um croque monsieur, uma porção de fritas e até um sanduíche grego que na França não é feito de “filé-miau” como em alguns lugares em São Paulo, mas de carneiro.

Desta vez, Ketty e eu filmamos apenas Paris. Pretendíamos em outro momento continuar as filmagens na França e outros lugares da Europa que eu conhecia e tinha certeza de que dariam belos vídeos.. Próximo de Paris ficam algumas das regiões mais lindas da França. Foi de Paris, que em outras viagens percorremos de carro a Alsácia, a Bourgogne, a Provence, a Bretanha, a Normandia e outras regiões menos conhecidas pelos brasileiros. Nos permitimos ainda tomar um voo de Orly e, dar esticada de avião, até Córsega, ao lado da Itália.

Paris a mais bela porta de entrada na Europa

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Paris, île de la Cité

A vantagem de morar em Paris é que ela não se resume apenas na oportunidade de conhecer a capital francesa. Morar em Paris me permitiu igualmente visitar o que havia de melhor na França e demais países da Europa. Dessa forma, ficava uns dias ou igualmente períodos mais longos em uma cidade ou país. Assim, passei uns meses em Bruxelas e em Estocolmo. Também estive umas cinco vezes na Itália, bem do lado, e na Suíça Francesa, onde tenho amigos. Aproveitamos igualmente para visitar Zurich e Lucerna.

De Paris é fácil conhecer os melhores lugares da Europa, como Lucerna, na Suíça

Planejando nosso roteiro pela Ásia

Assim, foi em Paris, entre uma taça de vinho e outra, que planejamos detalhes e roteiros de uma viagem de 4 ou 5 meses pela Ásia.
Acabamos decidindo que seria melhor começar pelo mais difícil. Filmar de uma vez os lugares mais afastados, mais exóticos, de cultura muito diferente. E também enfrentar a grande dificuldade de comunicação em países onde quase ninguém fala inglês. Os poucos que falam têm uma pronúncia péssima.

Poder dizer aos nossos botões: O mais difícil fizemos

O resto seria tranquilo. Pelo menos, era o que pensávamos naquele momento. Tivemos, portanto, que estudar mapas, ler uns guias em francês que achamos num sebo, saber mais sobre cada país. Alguns lugares, como Nepal, por exemplo, eu conhecia super bem, em outros nem a Ketty, nem eu, nunca pusemos os pés.
Discutíamos, encantados sobre os belíssimos cruzeiros pela costa do Vietnã, a visita a Hanoi e Saigon (hoje Ville Ho-Chi-Min). Planejávamos nossa volta ao Brasil no começo do mês de abril. Ou seja, tínhamos tempo. Só foi impossível prever os perrengues que nos esperavam em razão da pandemia.

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Katmandu, arquitetura tradicional

Resolvemos começar pelo Nepal

Talvez eu seja um dos raros brasileiros que tenham estado tantas vezes no Nepal. Ketty, entretanto, nunca estivera nesse país incrustado no Himalaia e iria finalmente conhecer um lugar sobre o qual, eu tanto tanto falara, contribuindo para atiçar sua vontade de conhecer o país. Ela lera igualmente um livro que eu escrevi, em boa parte passado no Nepal – “A Vaca na Estrada” .

Depois de uma boa pesquisa, já tínhamos, assim, ideia do clima, do valor de uma diária de hotel, quanto gastaríamos para comer e o que nos esperava. Esses países, na época, eram muito baratos para brasileiros.

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De carro de Paris a Katmandu e o livro, relato da aventura

Primeiro perrengue: a disparada do dólar

Lembro-me de que, quando partimos do Brasil, muita gente se preocupava, temendo que o dólar chegasse a cinco reais. É inesquecível, igualmente, uma declaração do Ministro da Economia: “o dólar só chegará a R$ 5,00 se o governo fizer “muita merda” (palavras do ministro). Julguem vocês mesmos. Não tocamos nesse assunto apenas porque somos da área de turismo.

O dólar alto prejudica o Brasil

Há, por exemplo, equipamentos de alta tecnologia que têm que ser importados e pagos em dólar. Assim, muitos empresários não têm condições de expandir suas empresas, gerar empregos. O dólar alto também resulta no aumento de preço de alimentos como trigo, por exemplo. Cerca de 55% do cereal consumido aqui no Brasil é importado.
Assim, também, cada mês no exterior nos custou 40% mais caro porque o real é talvez a moeda que mais de desvalorizou no mundo.

Á Ásia que nos esperava

A caminho do Nepal

Katmandu

As cidades do Vale de Katmandu, como Patan, Bhaktapur e a capital – Katmandu – são muito especiais. Isso sem falar de Pokhara e outros lugares mais longe. Imaginem cidades com praças lotadas de magníficos templos com telhados estilo pagoda que conhecemos como ” pagode chinês”, embora seu estilo tenha sido criado no Nepal pelo arquiteto Arnico.

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Templos em Katmandu, o da direita de pedra e escadarias é o estilo sikhara o da esquerda é estilo pagoda

Desta vez, tendo todo tempo livre pela frente, resolvemos ficar, no mínimo, um mês no Nepal. Assim, permanecemos em Katmandu umas três semanas em um hotelzinho, o “The Doors” , bem no meio do Thamel, simples, mas confortável, gastando muito pouco. Recomendamos. www.hotelthedors.com

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A bagunca das ruas do Thamel

Thamel

Essa região de Katmadu onde ficamos, o Thamel, é hoje onde se concentram os estrangeiros. Dessa forma abriga muitos hotéis, casas de câmbio, agências de viagem, lojas de roupas, peças de decoração, estatuetas, máscaras, bares, restaurantes.
Ketty no começo se encantou com algumas túnicas bordadas, lenços de pashamina de diversas cores .

Perambular assim por São Paulo

Depois, porém, rendeu-se a real: onde em São Paulo teria coragem de se vestir com essas roupas? Só numa festa de fantasia! Ou seja, roupas perfeitas para se andar pela Índia ou Nepal, mas não no Brasil. Mesmo assim, conseguimos encontrar túnicas gola-padre, com cores discretas. Uma curiosidade: eram feitas de fibras de cânhamo, que parecem muito com as de algodão. Para quem não sabe cânhamo é a fibra das folhas da maconha…

Katmandu após o terremoto

Uma de nossas primeiras atividades foi estudar os estragos causados pelo terremoto de 2015. Os tremores destruíram alguns dos mais belos templos da cidade.
Assim, começamos nossa visita pela região de Durbar Square, onde se concentram os templos mais importantes e o melhor da arquitetura típica nepalesa.

Durbar Square, Katmandu, Nepal

Foi, porém, uma experiência sofrida. Templos onde eu havia estado muitas vezes assistindo cerimônias, sentado, apreciando a paisagem, sonhando acordado, se transformaram-se em um monte de entulho. Um dos templos mais imponentes, que dominava a praça desabou. Só sobrou a parte inferior. Sua reconstrução pode tomar muito tempo.

Templo destruído pelo terremoto de 2015

Garden of Dreams

Enfim, o Nepal é um país que nos reservava surpresas. Bem junto ao Thamel fica o Garden Of Dreams (O Jardim dos Sonhos), um curioso jardim neo-clássico erguido por alemães na década de 1920. O belo jardim está, porém, escondido atrás de altos muros, na saída do Thamel.

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Garden of Dreams

Uma ilha de tranquilidade

Ou seja, uma “ilha” de tranquilidade no meio da intensa agitação de Katmandu. Eu já conhecia o lugar e resolvei surpreender Ketty. Logo, quando ela entrou no jardim e deparou com aquelas elegantes construções neo- clássicas no meio de canteiros floridos, lindas fontes e espelhos d’água, mal acreditou no que estava vendo. Afinal, aquilo era diferente de tudo o que ela tinha conhecido anteriormente em Katmandu.
Numa das extremidades do grande jardim há igualmente um elegante restaurante (não muito caro, aliás, em um país com o Nepal). Em todo o jardim, sob as árvores, há bancos confortáveis.

Patan, no Vale de Katmandu

O Vale de Katmandu

Em suma, acabamos assim, por ficar um mês e meio, no Nepal, não apenas na capital, mas igualmente nos lugares mais fascinantes do Vale de Katmandu.
Em primeiro lugar uma palavrinha de História: o Nepal, originalmente, resumia-se apenas ao Vale de Katmandu, que abrigava três cidades principais: Katmandu, Patan e Bhaktapur. Essas são três cidades que não se pode absolutamente perder. Todas possuem sua Durbar Square, o centro, ou praça central, que reúnem as mais belas construções e templos. Patan fica a apenas 5 km de Katmandu.

Os templos de Bhaktapur sendo reconstruídos

Bhaktapur

Bhaktapur fica mais longe de Katmandu, a meia hora de carro. Já fiz, em outras viagens, apenas um bate-e-volta de Katmandu a Bhaktapur. Desta vez, porém, resolvemos nos hospedar por lá, passar uns dez dias nessa cidade medieval, não apenas fazer um bate-e-volta. Ou seja, já reservamos um hotelzinho simples, familiar, pelo Booking.com, o Layaku Durbar, simpático, confortável e, ainda mais, central e barato. Recomendamos: http://hotellayakudurbar. com/
Ou seja nos custou menos de U$ 20 a noite, com um café da manhã básico. Os proprietários, super simpáticos, se tornaram nossos amigos e igualmente nos convidaram para acompanha-los em alguns passeios pela cidade. Assim, ás vezes íamos jantar com o proprietário e sua irmã adolescente.

Os momos de Bhaktapur: experiência inesquecível

Uma vez nos convidaram para experimentar um special momos, um prato tibetano. Imaginem algo parecido a um ravioli local. Nós já havíamos experimentado momos os mais variados, recheados por vegetais ou com carnes de carneiro, galinha e búfalo. Eram, saborosos, entretanto super apimentados. É o normal para eles. Nós, porém sofremos. Olhei para Ketty, que estava quase chorando e depois para a cara de nossa amiguinha nepalesa que não parava de rir.

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Um patrimônio em ruínas

É lamentável, porém, que, no Vale de Katmandu, em Bhaktapur e em Patan, muitos templos desmoronaram ou eram mantidos em pé com a ajuda de estacas. Eram cidades menos movimentadas, mas em Katmandu a situação era igualmente a mesma. Afinal, trata-se de um Patrimônio da Humanidade da Unesco, que precisa ser recuperado.

Pokhara

Nessa mesma viagem, demos igualmente uma esticada de ônibus até Pokhara, umas oito horas de estrada. A cidade fica no meio do Himalaia, junto de um lago onde passeávamos de canoa, tendo como fundo as montanhas, que envolvem a cidade e o Lago Pewa. Ou seja, paisagens paradisíacas.

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Lago Pewa, Pokhara

Ultra-leve, um vôo ao lado do Himalaia

Eu já aprendera em Boituva, no Brasil, a guiar esses aparelhos. Isso foi, entretanto há mais de 15 anos. Ou seja, nunca mais conduzira um ultra-leve. Nem me lembrava direito dos comandos. Vimos, porém, que no aeroclube de Pokhara pilotos russos organizavam vôos de meia-hora levando passageiros. Assim também, eu teria as mãos livres para filmar e fotografar. Preferimos essa opção. Ver o Himalaia do alto foi uma experiência única. Ou seja, chega a ser emocionante.

O Himalaia, no Nepal

O curd nepalês

No Nepal gostamos igualmente da comida. Havia alguns pratos comuns no Nepal e em outros países da Ásia, como o fried rice, arroz com legumes e carne, passado na frigideira com um pouco de manteiga, mas também pizzas boazinhas e outras massas, mussaka grega etc.
Adquirimos igualmente alguns hábitos como devorar diariamente uma tigela de iogurte de búfala, servido num prato de cerâmica descartável, que nos permitia dessa forma leva-lo para quarto do hotel.

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Curd nepalês

Rumo ao Sudeste Asiático

Nossos planos de viagem, porém, incluíam outros países da Ásia. Por outro lado, tínhamos, antes de mais nada, que tomar, coragem para continuar nossa viagem. Entretanto, sempre achávamos um pretexto para ficar um pouco mais no Nepal. A dificuldade em partir de Katmandu era motivada, afinal, em boa parte por amarmos a cidade, por estarmos bem instalados e pelo clima friozinho, como gostávamos.
O roteiro que havíamos elaborado, estendia-se igualmente aos países do Sudeste Asiático, lugares que não dava para deixar de ir. Ou seja, não apenas para conhecer, mas igualmente para fotografar e filmar. Em suma: a estrada nos esperava.

Quer conhecer um pouco desse pais exótico e misterioso incrustrado no Himalaia? Veja os vídeos:

Continuação:

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