Livro: A Vaca na Estrada

De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Mumbay

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Mumbai outra porta de entrada da Índia

Conheci Bombaim, cidade que hoje se chama Mumbai. Foi em uma das raras ocasiões, aliás, em que viajei sozinho pela Índia. Instalei-me, assim, em uma pequena pensão que, longe de ser uma maravilha, tinha uma localização bastante prática na região central da cidade.
Abaixo: Mapa de Mumbay

Mumbai, capital do estado de Maharashtra, possui cerca de 14 milhões de habitantes. A cidade teve origem na feitoria estabelecida pelos portugueses na costa ocidental da Índia, sobre ilhas. Dessa feitoirias partiam galeões portugueses lotados de todo tipo de especiariar. destinados ao porto portugues. Seu movimentado porto é, igualmente, o mais importante do país e um dos mais importantes da Europa.

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E os hotéis?

Megalópole da Índia, Mumbai tem, no que se refere à hotelaria, a pior relação preço-qualidade do país. Confesso nunca ter tido tanta dificuldade em encontrar onde dormir e também nunca ter pago tão caro por um quarto tão simples.
Colaba, onde me hospedei, o bairro preferido dos estrangeiros, . O bairro é repleto de hotéis, restaurantes e lojas frequentados pelos turistas. É igualmente, onde fica o Taj Mahal Hotel, um elegante hotel em estilo vitoriano, fundado em 1903, um ícone de Mumbai.

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Cidade relativamente nova para os padrõs indianos

Para os padrões indianos, Mumbai é uma cidade relativamente nova.Ou seja, do século XVI. Rica, mas cheia de favelas. Não possui, portanto, antigos fortes ou super templos. Nem é, aliás, considerada um lugar turístico. Mesmo assim, ao passar por lá, eu quis conhecer algumas atrações. Entre elas o Gateway of India. Ou seja, o enorme arco por onde desfilavam as tropas inglesas que desembarcavam na Índia. Também dei uma olhada na Victoria Station e o prédio do correio, em estilo gótico-vitoriano; e o museu Prince of Wales.

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Prince of Wales Museum

Mumbai não é apenas o maior centro urbano da Índia, mas também o que reúne maior diversidade de religiões e de etnias. Em suma hindus, muçulmanos, parsis, cristãos, judeus, jainistas. Finalmente, embora Mumbay tenha regiões bonitas, elegantes. Mas possui igualmente, como, no mundo todo quase, bairros pobres, ocupados por velhos imóveis, com ar bastante decadente.

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O mercado dos ladrões em Mumbay

Por curiosidade, resolvi visitar o Chor Bazar, o “mercado dos ladrões”, onde deparei com os mais insólitos objetos já colocados à venda. Vi, exposta, até mesmo uma dentadura usada. Quem poderia comprá-la? Olhando para aquilo, imaginei como seria difícil alguém ter exatamente a mesma arcada dentária do antigo proprietário. Imaginem quanta gente experimentou essa dentadura…

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Vendiam igualmente bicicletas e velocípedes quebrados, móveis antigos, roupas e sapatos usados e brinquedos de madeira que deviam ser da década de 1930 ou 1940. Entre os artigos aparentemente invendáveis, vi pneus velhos e cabeças de boneca. (O que, aliás, alguém pode fazer com uma cabeça de boneca?) Vendia-se qualquer coisa que se possa imaginar.

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Taj Mahal Hotel

Elegante, todo e por recebe grande número de hóspedes norte-americanos e europeus. Por isso mesmo, o estabelecimento sofreu um atentado terrorista em 2008. Os indianos acusaram imediatamente o Paquistão. De fato, os terroristas, a maioria deles, pelo menos, eram paquistaneses. O governo do Paquistão, porém, parece não ter tido nenhuma responsabilidade no caso. Ou seja, o Paquistão, afinal, enfrenta os mesmos problemas. E, ainda mai tem parte de seu território ocupado por grupos radicais islâmicos. A possibilidade de o Talibã paquistanês apoderar-se do arsenal nuclear do país é, entretanto, um pesadelo. Se isso ocorrer, é bem possível que a Índia, sentindo-se ameaçada, aí sim, ataque o país vizinho.

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A Ilha Elefanta

As atrações importantes ficam fora da cidade. A uma hora de barco de Mumbai, fica a ilha Elefanta, que abriga uma caverna com cerca de 5.000m2, repleta de lindas esculturas do século VI, talhadas na pedra. Para vê-las você precisa também subir aproximadamente 100m pela encosta.
Parte do belo patrimônio de Elefanta foi, entretanto, destruída pelos soldados portugueses, que achavam divertido praticar tiro ao alvo nos relevos e estátuas hindus.

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Para eles, as magníficas esculturas eram meras imagens pagãs e depredá-las não era um pecado. Afinal, política da Igreja Católica durante a Inquisição foi a eliminação de qualquer simbologia religiosa não cristã. Isso ocorreu en todos os lugares colonizados por portugueses e espanhóis. Embora o conjunto abranja diversas divindades do panteão hindu, ele foi dedicado principalmente ao culto de Shiva.

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A arte budista no sul da Índia

Elefanta, bem como as grutas de Ajanta e Elora, a 400 km de Mumbai, possuem igualmente alguns dos mais importantes exemplos da arte indiana hinduísta e budista, da Antiguidade aos dias de hoje. As primeiras esculturas em pedra surgiram na Índia durante o império budista Mauria. Eram, aliás, utilizadas as mesmas técnicas empregadas para o trabalho em madeira.

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As representações de Buda

Quem visitou as grutas de Ajanta e Elora e já viajou por outros países da Ásia nota que a representação de Buda é diferente em cada cultura. Dessa forma, na Índia ele tem traços helênicos na escola de Gandhara. Ou seja, aparece de cabeça raspada e mais “indiano” no estilo Mathura. É representado, portanto, de cabelos enrolados para a direita. Em argolas achatadas e traços alongados, na arte Amaravati.
Na Tailândia, entretanto, o Buda é esguio. Já na China, tem aspecto bonachão e gorducho. Na verdade, porém, ninguém sabe qual era sua aparência… Como Cristo ou Maomé.

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Os descendentes de portugueses

Lembro-me que em Mumbai chamou minha atenção a grande quantidade de nomes portugueses em placas de lojas e serviços. Um monte de Santos, Souza e, igualmente, Da Silva. Da Silva Physician, Da Silva Bakery, Da Silva Beauty Parlour e até Da Silva Sex Specialist. Aliás, por toda a Índia existem sex specialists, que tratam distúrbios sexuais e impotência. Ou seja, é enorme a importância que os indianos dão ao assunto.

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Cristo substituíndo divindades hindus

Em Mumbai fiz amizade com dois indianos cristãos, originários de Goa, que falavam português. O sotaque deles, porém, era mais parecido com o português falado em Portugal do que com o nosso. Poucos goanos porém, ainda falam a língua na Índia, mesmo entre os descendentes dos colonizadores lusos. Visitando a casa deles, vi que as figuras de Ganesh e Shiva, comuns nos lares hindus, foram substituídas por crucifixos e imagens de Jesus.

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Uma delas, que devia, aliás, ser bem antiga, me fez lembrar uma gravura que sempre achei, no mínimo, esquisita.Quando eu era crianças meus avós, católicos praticantes, tinham em sua casa. Era a imagem de um Cristo loiro, de olhos azuis. Ele abria uma túnica e mostrando o coração com uma coroa de espinhos, do qual pingava sangue. Nada, entretanto, indica que Jesus fosse loiro. Ou seja, mais provavelmente tinha as feições de um palestino. OU de um judeu nascido na Palestina, moreno, de cabelos crespos. O Cristos loirinho das representações atuais são uma herança do Renascentismo. Fora criado criado pelos toscanos, com olhos azuis e cabelos longos. Em suma, totalmente incompatível com o tipo físico que habitava a religião.

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Os parses e as Torres do Silêncio

Os parses, descendentes dos antigos adoradores do fogo da Pérsia, que praticam uma religião derivada do zoroastrismo, vivem principalmente em Mumbai. Essa pequena elite, ativa e rica, só se casa entre si e não aceita conversão. Em suma, para ser um parsi você tem que ter pai e mãe parsis.
Os parses foram os primeiros a se preocupar seriamente com a industrialização e com o desenvolvimento tecnológico do país.

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Os estranhos rituais mortuários

Assim, famílias dessa religião controlam os mais importantes setores da economia indiana, como a construção de navios, a indústria automotiva e a metalurgia.
Hoje, porém, os parsis são mais conhecidos no Ocidente por causa de um rito fúnebre algo macabro. Ou seja, seus mortos são depositados no topo de altas torres para serem devorados por abutres. No começo da década de 2000, entretanto, uma misteriosa doença começou a dizimar os abutres de Mumbai.

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O que anda acontecendo com os urubús de Mombay?

Foram trazidas outras aves carniceiras para ajudar no festim, mas com pouco resultado. Na época em que as torres foram erguidas, as construções da cidade eram baixas. Porém, hoje, Mumbai tem altos prédios e quando bate o vento, o cheiro da decomposição provoca reclamações. A solução, ainda não definitiva e de resultados aparentemente dúbios, foi a instalação de células foto elétricas que ajudam a “secar” os corpos.

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Gateway of India

Numa manhã, passeando por Mumbai, visitei o Prince of Wales Museum. Seu vasto acervo de peças de arte, objetos e armas proporciona assim uma aula sobre a história da Índia. Depois, em parte para me aproximar do mar e igualmente, escapar um pouco da poluição, fui dar uma espiada no Gateway of India, um enorme arco de basalto amarelado, construído em estilo gujarati. Visitei também um pedço de praia cheia de exrementos humanos. É ali que os numerosos sem-teto de Mumbay se aliviam.

Nombaym (Mumbay)

É de lá que partem os barcos para a ilha Elefanta e outros destinos no litoral próximo. No passado, durante o período colonial, quando as pessoas chegavam à Índia em transatlânticos, era a primeira coisa que aviastavam. O monumento foi construído em homenagem ao rei George V. É um dos mais expressivos símbolos da colonização britânica no país pois

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A primeira expedição inglesa

A primeira expedição inglesa que chegou às Índias, no dia 24 de agosto de 1600, teve sucesso. Se porém tivesse fracassado, provavelmente a história da Índia teria sido outra. Ou seja, seu comandante, William Hawkins, um aventureiro ambicioso e sem muitos escrúpulos, teve extrema sorte. Assim, conseguiu a proteção do mais poderoso soberano das Índias: o Grão Mogol de Agra, Ehangir. Um apoio fundamental, portanto, para o estabelecimento de feitorias no norte de Mumbai, na costa oeste.

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No começo apenas comércio

Os ingleses passaram a trocar seus manufaturados por produtos que, na Europa da época, valiam ouro. Os lucros foram de tal vulto que, no ano seguinte, estabeleceram outras feitorias em Madras, Calcutá e Bengala. Os contatos dos ingleses com as populações nativas foram quase sempre cordiais, uma vez que se propunham inicialmente apenas ao comércio, abdicando da colonização.
A rivalidade com a França, que chegava com igual apetite, bem como a importância cada vez maior desse comércio, aceleraram o processo.

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Desse modo, para defender seus interesses, os britânicos começaram a se imiscuir na política local, concorrendo, assim, com os franceses pelo apoio dos príncipes indianos. Dessa política para a colonização foi um passo. Os franceses que, pelo Tratado de Paris, caíam fora das Índias, guardaram apenas uma pequena possessão na costa oriental — Pondcherry. A expansão britânica, entretanto, não parou até ocupar praticamente todo o território. Inlcusive Delhi, em 1803, e o Pundjab dos aguerridos sikhs, em 1849.

Explicação necessária:

Outras viagens pela Índia, lugares e experiências

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Nosso destino nessa viagem de carro, espinha dorsal do livro “A Vaca na Estrada” de Paris ao Nepal, seria Katmandu. Da Europa passaríamos pela Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão e Índia. Antes, porém, de seguir para o Nepal fomos visitando outros lugares na Índia. Aliás, como estive diversas vezes no país, o livro “A Vaca na Estrada”, inclui igualmente algumas experiências vividas em outras viagens pelo subcontinente indiano.
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