Livro: A Vaca na Estrada

015 De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – As civilizações do Vale do Indo

As civilizações do Indo: poucos sabem, mas o Paquistão possui resquícios arqueológicos fabulosos. É o caso, por exemplo das civilizações do vale do rio Indo. Assim, na década de 1920, arqueólogos encontraram cidades soterradas no Pendjab, paquistanês. Estavam a alguns metros abaixo do nível do solo.
Abaixo: Mapa da região do Vale do Indo (Hindus)

É essa a misteriosa Civilização do Vale do Indo. Também conhecida como civilização harapeana. O nome é inspirado na cidade de Harapa. Antiquíssima, muito anterior à era cristã, ela data da Era do Bronze. Os sítios compreendem também Mohendo Dharo. Dharo é uma das cidades mais famosas dessa civilização. Igualmente, junto com Harappa, uma das mais avançadas de sua época. Enfim, há outras instaladas no atual Pendjab,

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Civilização bem anterior à Era Cristã

Geograficamente, as cidades-estado da Civilização do Indo ocupavam o Pendjab. Uma pequena parte do Pendjab indiano e, principalmente do atual Paquistão. Ao que parece, essa civilização surgiu, nos seus primórdios, ainda no período neolítico. Sua fase mais avançada, porém, teria se desenvolvido posteriormente. Em suma uns 3.000 anos antes da Era Cristã. Acredita-se que tenha desaparecido uns 1.500 anos depois.

Uma escrita não decifrada

Enfim, há uma certa divergência (inevitável!) entre os arqueólogos com relação a datas. De qualquer forma a escrita do Vale do Indo, ou “escrita” Harappa“, não foi nunca decifrada. Ou seja, conserva, por isso mesmo, muitos mistérios que intrigam os cientistas. Nem se pode garantir, aliás, que tenham tido realmente uma forma evoluída de escrita. Nem todo arqueólogo, porém, considera os desenhos abaixo como escrita.

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A dificuldade em datar as ruínas

Uns acreditam que essas civilizações teriam sido ainda mais antigas. Outros arqueólogos, enfim, sustentam que seriam mais recentes. Seguidas escavações trouxeram à luz mais descobertas. Acredita-se, por exemplo que Kot Diji, se desenvolvera a partir do fim do século IV A.C. A cidade manteve-se ativa até o começo da Era Cristã. Integraria, portanto, a mesma cultura das civilizações vizinhas, como Harappa e Mohendo-Daro.

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Civilizações agrícolas

O que se sabe é que essas civilizações eram basicamente voltadas para a agricultura e o pastoreio. Ignora-se, porém, mais detalhes sobre ela. Ou seja sobre o tipo de estrutura social e de poder que adotavam, os costumes, como viviam etc.
Mohenjo-Daro, em Sind, e igualmente Harappa, no Pendjab paquistanês, são vestígios de uma civilização contemporânea à dos sumérios. Eram, tão evoluídas quanto aquela. Possuiam inclusive, um mesmo elevado desenvolvimento urbano.

De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” as civilizações do Vale do Indo

Engenhosos avanços urbanos

Há sinais da existência de dezenas de cidades-estado dotadas de poços. Possuiam também fontes para a captação de água. Descobriu-se que dispunham de engenhosos sistemas de esgotos. Estes eram formados por valas de pedras cobertas por lajes. Essas valas conduziam as águas servidas para fora dos aglomerados urbanos. Afinal, mesmo durante a Idade Média ocidental isso não existia. Os europeus na Idade Média não possuiam nada disso. Nenhum tipo de saneamento básico aliás. Assim, em cidades como Paris ou Roma, o povo ia buscar água potável nas fontes públicas. As águas servidas, e mesmo excrementos, eram depois, simplesmente atirados, à noite, pela janela. Em suma, na cabeça de quem estivesse passando… Só esse exemplo, nos dá, portanto uma ideia do avanço das Civilizações do vale do Indo.

De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” as civilizações do Vale do Indo

Dezenas de cidades-estados avançadas

As ruas obedeciam a traçados geométricos. As construções eram o mais utilitárias possível. Enfim, eram parecidas com aquelas que existem atualmente em algumas regiões de cultura árabe. É o caso das medinas, por exemplo.
As habitações tinham, também, pátios internos e uma divisão do espaço bastante racional. Dispunham mesmo de áreas separadas para cozinhar e se lavar. Conheciam, igualmente instrumentos, de bronze e cobre. Havia também celeiros públicos que muito provavelmente funcionavam como espécies de “bancos”. Tabletes de cerâmica com o timbre real eram utilizados como “comprovantes de depósito”. Não de dinheiro, claro. Mas de cestas de cereais em uma espécie de celeiro oficial.

De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” as civilizações do Vale do Indo – Mohendo-Daro

Arquitetura prática

A arquitetura desses povos era, como mencionamos, extremamente prática. Em suma utilitária e nada rebuscada. Enfim, sem ornamentos, relevos e imagens religiosas ou esculturais. Apesar disso, foi nas ruínas de Harappa e de Mohenjo-Daro que os arqueólogos encontraram exemplos da arte indo-paquistanesa. Ou seja, pinturas de animais sobre vasos de cerâmica cozida. Essas pinturas foram feitas com tintas minerais e vegetais. Algumas acompanhadas de inscrições hieroglíficas. Estas, porém, que, como já dissemos, não foram até hoje sequer decifradas.

Civilizações da Idade do Bronze em Mohenjo-Daro e Harappa: anteriores à invasão ariana

Os mais antigos escritos sagrados do HinduísmoTextos são pré-védicos. Ou seja, anteriores aos Vedas. Sugerem a existência de outras expressões artísticas. Infelizmente, porém, as estátuas de culto eram feitas com material perecível. Provavelmente de madeira. Assim, não foram encontrados vestígios. Não se sabe, portanto, como era sua religião. Não se sabe que deuses cultuavam. Ignora-se, inclusive se possuiam uma estrutura sacerdotal.

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Aborígenes e civilizações avançadas

Ruínas que antecederam à invasão ariana foram descobertas igualmente em Kot-Diji, também no território paquistanês. Ao que parece, existiam na época, no Pendjab aborígenes primitivos. Eram habitantes das florestas, que viviam em estado tribal. Sabe-se é que ssas tribos coexistiram com essas civilizações avançadas. Ignora-se, porém, que tipo de relações mantinham.

O que causou o desaparecimento das Civilizações do Vale do Indo?

A região onde essas culturas floresceram, próxima dos lugares por onde passávamos, é hoje seca e desolada. Mas, segundo estudos científicos, até o começo da era cristã, era entretanto coberta de florestas e férteis pastagens. É possível, portanto, que a destruição de seu meio natural tenha sido a causa de sua decadência. Ou seja, como teria acontecido com os maias no Yucatán ou, pelo menos, contribuído para isso.

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De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” as civilizações do Vale do Indo

O desaparecimento brusco de algumas cidades do Vale do Indo não está, entretanto, totalmente explicado. É, porém, igualmente possível que tenham sido destruídas por expedições guerreiras. Afinal, em Kot-Diji foram encontrados muitos corpos degolados. Foram achados espalhados pelas ruas e pelas casas. A cidade teria sido, aliás, abandonada após uma série desses ataques.

Visita complicada

É complicado visitar um país cada vez mais conturbado, como o Paquistão. É uma pena, porque essas ruínas teriam especial interesse turístico. Tentei, em uma de minhas viagens à Índia, retornar ao Paquistão. Minha intenção era visitar Mohenjo-Daro e Harappa. A situação, porém, estava tensa. Grupos radicais estavam muito presentes por lá na época. Amigos meus indianos me dissuadiram.
Danger!

De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” as civilizações do Vale do Indo

Não era o bom momento. Mesmo porque é provável que eu tivesse que ir de ônibus de Delhi até Amritzar. Depois atravessar uma fronteira indo-paquistanesa meio tensa no momento. Na época falava-se de ameaças de guerra entre os dois países. Ainda mais, depois eu teria que voltar à Índia para prosseguir minha viagem por lá. Desisti. Pouquíssimos turistas, aliás, se arriscam atualmente a conhecer os sítios aqui mencionados.

De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” as civilizações do Vale do Indo

Afugentando os turistas

Os grupos radiciais estão conseguindo afugentar turistas. A intenção é sabotar uma importante fonte de divisas, como o turismo. Assim, igualmente, sabotar a economia paquistanesa. Ou seja, o turismo gera empregos e divisas. Pode, portanto contribuir para a recuperação do país. Afinal, a economia paquistanesa vive em permanente crise. Essa sabotagem se insere perfeitamente na política de grupos radicais. Assim, quanto pior, melhor. Em resumo: turista não é bem-vindo.

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De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” as civilizações do Vale do Indo

Os costumes “imorais” dos turistas

Para começar, os visitantes ocidentais são verdadeiros modelos de libidinagem. Os radicais islâmicos os consideram imorais. Ou seja andam de mãos dadas com a namorada ou a esposa. Podem, igualmente abraçar uma amiga em público. E, as turistas ocidentais são, para os conservadores islâmicos, umas despudoradas. Assim, para provocar os homens, andam de rosto e cabelos à mostra. São mulheres capazes de ficar em barzinhos, rodeadas de homens e tomando cerveja. Podem até mesmo frequentar universidades. Um péssimo exemplo para a mulher paqujistanesa.

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