Livro: A Vaca na Estrada

019 De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Para entender a Índia

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Uma larga e afunilada planície

Para entender a Índia: o chamado sub-continente indiano é uma espécie de larga península. Ela vai se afunilando rumo ao sul, entre o Mar Arábico à oeste e a Baía de Bengala a leste. Sua capital, Delhi, fica a 28°39′07″ de latitude norte e a 77°13′53 de longitude leste. A história da Índia é muito antiga, bem anterior à Era Cristã.
Abaixo: Mapa da Índia

Para entender a  Índia: história confundida com lendas e divindades

A história mais remota “das Índias” — o território do Império Britânico, hoje, Índia, Paquistão e Bangladesh — se perde na noite dos tempos. Confunde-se, aliás, com lendas, deuses e reis-divindades. Ou seja, está intrinsecamente ligada à das religiões do Oriente. O Mahabharata, é o grande poema épico hindu. Em outras palavras, um de seus mais importantes livros sagrados. Nele se canta assim, as glórias de batalhas ocorridas há milhares de anos.

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O surgimento do hinduismo

Por volta de 1.500 a. C., os arianos, invadiram o Vale do Indo. Esse povo de pele e olhos claros, vindo do oeste, provavelmente do Afeganistão deparou no subcontinente indiano com pessoas de pele escura. Gente de uma civilização pré-védica. Foi, enfim, desse encontro que nasceu o Hinduísmo.
Um dos livros sagrados hindus, é o Vedas. Trata-se, assim, de um conjunto de rituais e fórmulas mágicas. Ele abrange igualmente poemas filosóficos e mundanos. Estes foram posteriormente desenvolvidos e completados por sacerdotes brâmanes. Neles estavam os fundamentos do Hinduísmo e do sistema de castas.

Para entender a Índia: o sistema de castas

Casta é, aliás, uma palavra de origem portuguesa: “Ou seja, “uva de boa casta”. Em hindi, entretanto, a palavra é outra. Ou seja, varna, que significa “cor”. Supõe-se, portanto, que as invasões arianas resultaram não apenas em guerras de extermínio. Ocorreu, igualmente, uma ampla mestiçagem e assimilação de boa parte da população original do Indo. Dessa forma, na nova estrutura social, a elite ariana aceitou uma nova casta, os sudra. Esta era formada pelos povos dominados, de pele escura.
Logo constituíram-se as quatro castas principais, brâmanes, xátrias e vaicias. Notei, aliás que, mesmo o tipo físico das pessoas, foi certamente resultado dessas sucessivas invasões por povos de pele clara.

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Atraso em muitas áreas, tecnológia de ponta em outras

Existem tecnologias que os indianos dominam melhor do que nós. É o caso, por exemplo da energia nuclear e a informática. Como humanista eu não considero avanço o mundo produzir armas nucleares. Porém, inegavelmente, desenvolve-las exige um certo avanço tecnológico. Enfim, se essa tecnologia fosse desenvolvida para fins pacíficos, seria ótimo!

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Tradição e modernismo lado a lado: isso é a Índia

Nas cidades indianas, vê-se que o lado mais tradicional do país convive com a modernidade. O processo de mudanças está, aliás, se acelerando. O computador e as vacas sagradas partilham, portanto, o mesmo barco e este não afunda. Penso no fulano que hoje passa horas de cócoras (não sei como consegue!) numa esquina da Velha Delhi, lendo a mão das pessoas. É possível que em breve ele resolva atender seus clientes apenas online. Ou seja, depois poderá mandar uma cópia de suas conclusões pelo whats. E, igualmente, receber o pagamento por depósito bancário. Ainda mais, por meio de um aplicativo…

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Avanço na área de informática

Enfim, no que se refere á informática, a cooperação entre a Índia e o Brasil pode ser valiosa para o nós. Um amigo que ocupa importante posição na filial brasileira de uma multinacional de alta tecnologia disse que inicialmente a empresa recrutava profissionais nos Estados Unidos. Oferecia lhes, um ótimo salário, carrões e casas com piscina. Os norte-americanos estavam, entretanto, sempre se queixando. A empresa passou, portanto, a contratar indianos da área, igualmente eficientes e menos reclamões.

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A Índia independente e as rivalidades regionais

A independência da Índia, mais de um século depois da brasileira, foi sangrenta. A divisão do Império Britânico das Índias em Paquistão e Índia agravou assim os problemas econômicos dessas nações. Pior, lançou-as também em guerras fratricidas. O fato é que já houve três curtas guerras entre os dois países rivais. A última em 1971. O problema é que ambos os países possuem armas nucleares.

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As dificuldades da Índia independente

É certo que existem migrações internas no Brasil. Dessa forma, o êxodo rural inchou em demasia cidades como São Paulo. Ou seja, criou novos desafios. Isso em diversas áreas. No que diz respeito, por exemplo à infraestrutura básica, aos transportes, à saúde pública, à habitação. Mas isso não é nada. A Índia independente, com a saída dos britânicos, teve que acomodar cerca de 8,5 milhões de refugiados separados de seu meio original.

Ou seja, tendo como único vínculo com seu novo local de residência a religião hinduísta. Ao mesmo tempo, perdeu quase 7,5 milhões de pessoas, antes produtivas e integradas no país. Pessoas que tiveram que partir para o Paquistão por serem muçulmanos. O Brasil nunca teve um problema desse porte. É espantoso, portanto, como a Índia conseguiu superar a situação.

O sucesso no combate a fome

Os principais esforços do governo indiano foram centrados no domínio agrícola. O país tem feito progressos nessa área. A produção de alimentos aumentou. Mas, muitas dificuldades persistem. E ela são agravadas em razão de certas realidades. O quadro sócio-econômico de muitas regiões do sub-continente, por exemplo. Para começar, em alguns estados da Índia, o parcelamento exagerado da terra atrasou a mecanização da agricultura. O sistema de castas e os tabus religiosos também não contribuíram em nada.

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irrigação e novas sementes

Outro grave problema que merece atenção do Estado é o da irrigação. Tanto na construção de grandes barragens, como no de pequenos trabalhos em aldeias. No meio rural a utilização de poços com bombas manuais é comum. Paralelamente, os indianos melhoraram a qualidade das sementes, substituindo antigas espécies por outras mais produtivas vindas de fora.

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Cereais

É sobretudo na produção de cereais como o arroz, o milho, o sorgo e o trigo que se concentra a agricultura indiana. Outras culturas também alcançam bastante importância. É o caso da cana-de-açúcar, os legumes, as especiarias, a banana, o chá, a juta e o algodão. De modo geral os recentes progressos agrícolas do país têm contribuindo em muito para acabar com a fome. Esta era crônica há algumas décadas. Ainda mais: a Índia tem inclusive exportado alimentos para outros países..

Dieta carnívora poderá ser mantida no mundo ?

Um hectare de plantação produz muito mais alimento do que a mesma área dedicada à pastagem. É possível, portanto, que, se a população humana continuar aumentando algo precise mudar. Em suma, se não reduzirmos o consumo de carne, talvez estejamos colocando em risco o meio ambiente. Afinal, é a gigantesca quantidade de gado necessária para alimentar a todos. Em suma, ela resulta em uma poluição insuportável em razão das emissões de metano pelos animais. O assunto é controverso: há quem sustente que os adubos utilizados na agricultura também poluem.
Enfim, pessoalmente, adoro um Chateaubriand ao molho madeira, mas sei que a dieta do ser humano precisa ser menos carnívora.

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População rural, a mais numerosa

A Índia verdadeira parece ser a dos campos, onde vive cerca de 72% de sua população. A título comparativo, apenas 18% dos brasileiros vivem em áreas rurais. Percorra a Índia de carro e irá entender o que quero dizer. É campo, mas superpovoado, uma aldeia atrás da outra. Claro que é pobre, mas aldeias assim existem igualmente no Brasil, onde a desigualdade social é ainda maior.

Muita vaca e pouco leite

Embora o rebanho indiano seja o maior do mundo, sua importância econômica é, porém, pequena. A produção leiteira por cabeça é baixa. As raças, pouco apuradas; e a pecuária de corte esbarra em tabus religiosos. Aliás, não apenas as vacas são sagradas, mas seus respectivos “maridos”, os bois, igualmente. Ainda mais, aproximadamente metade da população é vegetariana.

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Vacas ou gatos?

Os ocidentais, não apenas brasileiros, porém, não se encantam muito com as vacas. Uma amiga indiana que mora em São Paulo respondeu:
No Brasil, vocês têm cães e gatos; na Índia, temos vacas. Afinal de contas para que serve um gato?
outra amiga que estava conosco e, como eu, adora gatos, foi quem respondeu:
Gatos são fofos e servem para serem pegos no colo e mimados. Você não pode fazer o mesmo com uma vaca. Controlei-me para não rir, imaginando nossa amiga indiana sentada no sofá, vendo TV, com uma vaca no colo.

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De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Para entender a ÍndiaPara que servem os gatos?

A importância das vacas para os indianos

A importância das vacas para os indianos é difícil de ser compreendida por um brasileiro. Esse amor pelas vacas acha-se arraigada em costumes ancestrais. O deus Krishna, por exemplo, é sempre apresentado no meio de diversas delas. As vacas são sagradas, em primeiro lugar, porque dão leite, alimento importante do indiano. Mas, também fornecem o combustível para as populações rurais cozinharem e se aquecerem. Afinal, o estrume seco, em forma de “broas” amassadas contra muros e paredes queima tão bem como lenha. Também não cheira mal. Só provoca um fog bravo…

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As vacas e os brâmanes

O esterco da vaca é misturado ao barro e serve como material de construção. Ou seja, para vedação ou argamassa de paredes de adobe. A vaca é utilizada até como dote ou para pagamento de dívidas públicas ou privadas. No passado, o ato de oferecer uma vaca a um sacerdote brâmane era sagrado. Em outras palavras, praticamente garantia a salvação ao doador. Obviamente, foram os próprios brâmanes que inventaram esses costumes. Com isso, estavam sempre ganhando suas vaquinhas. (Nota bem atual do autor: curiosamente não foi um indiano que falou em “passar a boiada”)

Vacas em toda parte

Em toda a Índia, vacas passeiam pelas cidades, nas estradas e até no meio de avenidas importantes. Elas se deitam onde querem. Você que desvie!
As vacas que você passeando até pelo centro de grandes cidades indianas, como Nova Delhi o0u Mumbay, pertencem a alguém que as alimenta. São conservadas pela família enquanto produzem leite. Depois são “liberadas” e passam a circular pelas ruas. Dessa forma acabando com os jardins, roubando legumes de comerciantes e atrapalhando o trânsito.
Acontece que, se o bicho morre na casa de seus antigos donos, isso terá um custo. Ou seja, eles terão que pagar a um brâmane para ele fazer orações e adotar outras formas de se redimir. Talvez até mesmo realizar peregrinações a lugares sagrados.

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Nosso gado de corte: principalmente o zebu indiano

Curiosamente, o sucesso brasileiro como exportador de carne bovina está diretamente ligado à Índia. É de lá que fazendeiros paulistas começaram a importar as primeiras cabeças de gado zebu. Isso ocorreu na segunda metade do século XIX. Foi essa importação melhorou a qualidade de nosso rebanho, até então pouco produtivo.
Até os anos 1960, entraram no Brasil milhares de cabeças de gado indiano. Hoje, nosso imenso rebanho de corte é constituído principalmente de gado zebu ou mestiço de zebu, que se adaptou muito bem ao país

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Os búfalos

Na Índia búfalos constituem o grosso da produção de corte. Bois ainda são abatidos em alguns lugares. Mas há, porém, uma gritaria de hindus radicais pela proibição. Quem come carne, come cabrito, carneiro ou galinha.
A Índia é hoje uma grande produtora de leite de búfala. Afinal, pouco leite sai das tetas de suas sagradas vacas. As que vi soltas pelas ruas e estradas da Índia eram quase sempre meramente decorativas.

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De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Para entender a Índia búfalo, gado de corte na Índia

A dieta vegetariana

Discute-se muito se a dieta humana deve ser preferencialmente carnívora ou vegetariana. Sabe-se que a carne, alimento rico em proteínas. Seu consumo resultou, portanto em maior capacidade cerebral dos astralopitecus, nossos ancestrais. Porém, agora que já somos homo sapiens sapiens, podemos ter uma dieta vegetariana, sem que nos falte proteína.

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De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Para entender a Índia

Afinal, a dieta vegetariana é, nas sociedades modernas, tão rica em proteinas quando a carnívora. Ou seja, consumir menos proteina animal não nos deixou menos inteligentes. O vegetarianismo indiano pode, portanto, fazer sentido. Em suma: população do planeta é grande, está aumentando de forma irresponsável, e a terra é pouca. Consumir menos carne pode, portanto, ser uma atitude sensata.

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