Livro: A Vaca na Estrada

De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Goa

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Lembro-me de que, em uma de minhas viagens, conversando com outros estrangeiros alguns na mesa torceram o nariz quando alguém comentou sobre Mumbai. Ou seja, não é todo mundo que curte Mumbai. Enfim, a cidade tem relativo interesse, porém, é um tanto quente a agitada.
Abaixo: Mapa de Goa

Assim, todo mundo riu quando alguém lembrou que Mumbai tinha pelo menos uma coisa de bom: era de lá que se ia a Goa… É verdade, enfim. Dessa forma, princípio, os viajantes que passam por Mumbai, exceto quando a trabalho, o fazem porque vão tomar uma conexão para outro lugar. Em outras palavras, quase sempre para as paradisíacas praias de Goa.

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De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Goa

O paraíso tropical da velha Goa

Ou seja, Goa é onde belas praias selvagens repletas de coqueirais representam o lado “sombra e água fresca” da Índia, que os europeus, principalmente, adoram. Acho, porém, que as praias podem impressionar a eles, mas não a nós, brasileiros que dispomos de algumas mais belas praias do mundo.
O mar em Goa é bonito. Suas águas, porém, não têm aqueles belos tons de azul ou verde do litoral nordestino e, menos ainda, aquelas impossíveis cores que vemos no Caribe e na Polinésia. De qualquer modo, mesmo assim, Goa é bastante agradável.
Nos anos 1970 e 1980 existia, aliás, um verdadeiro eixo mochileiro Goa-Katmandu.

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O eixo mochileiro Katmandu-Goa

Em resumo, os mochileiros passavam o verão no Nepal, mais fresco, e, igualmente menos atingido pelas monções que fustigam as planícies indianas nas terras baixas. Esse mesmo público, entretanto tratava de fugir, do inverno gelado de Katmandu. Dessa forma, “migravam” para as praias goanas, principalmente para Calangute. Assim, todo esse litoral já começava a lotar de mochileiros, no começo de dezembro. Inteligente.

De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Goa

Em suma, ambos os lugares eram igualmente baratos, agradáveis, cada um à sua maneira, e tinham o mesmo clima “paz e amor”. Ou seja, Goa foi durante muito tempo um ponto de encontro de mochileiros, hippies e outros tribos. Alguns que encontrei por lá me passaram a impressão de que estavam a caminho de Woodstock quando se perderam e foram parar na Índia, onde acabaram ficando…

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De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Goa

Hoje em dia, tudo mais comportado…

Quando estive em Goa no começo da década de 1980, o point ainda era Calangute. As praias eram muito mais desertas. No final do século XX, porém, o lugar já estava cheio de hotéis para turistas mais convencionais. O centrinho também abriga lojas, agências de viagem, bons restaurantes, um monte de barzinhos e, igualmente boates. Hoje, porém, tudo, mais comportadinho.

Atualmente, nas praias mais centrais, os nudistas sumiram, os shillums igualmente desapareceram. Ainda existem, porém, em Goa, as full moon parties, festas realizadas em praias distantes, durante a lua cheia, em torno de fogueiras. São os equivalentes aos nossos luaus. Antes, todo mundo sabia onde iam rolar; hoje, quem quer participar tem que descobrir.

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De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Goa

As moon parties em Goa

Não vou deixar ninguém curioso sobre as full moon parties A moçada acendia uma fogueira na praia, alguém na roda tocava um instrumento musical, muita gente dançava, a paquera rolava solta, alguns fumavam maconha. Não é tão diferente, enfim, do que acontece em algumas praias do litoral brasileiro de Santa Catarina ao Nordeste brasileiro em noites de lua cheia, nas férias de verão.

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Sexo? Comum, como por aqui. Nos barzinhos dessas praias frequentados pela moçada havia uma placa pro-forma apenas, socilitando que não se fumasse marijana ali. Aliás, nem o dono do bar ligava…
Mas Goa do século XXI é outra. A polícia passou a dar batidas à procura de drogas, para arrancar dinheiro do pessoal e combater excessos.

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O que mudou?

Digamos apenas que, antigamente, a “pouca vergonha” era mais visível e em praias mais perto do centro frequentadas por “turistas normais”. Enfim, as turistas que querem fazer topp-less procuram lugares mais afastados.
O pessoal underground aprontava o diabo na praia, transformando aquele pedaço de litoral em um imenso festival alternativo que já começava ao por-do-sol. Finalmente, a Igreja Católica, que até hoje tem certa influência em Goa, reclamou medidas.

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Os hindus e a moralidade ocidental

Quando estive lá, o escândalo do momento era a prisão de duas europeias. As duas no dizer dos goanos, com seu sotaque luso, (um tanto engraçado para nós…) “estavam a praticar liberdades orais” em seus namorados. Ainda mais, em plena luz do dia, na praia mesmo. Ou seja, mesmo nos locais mais afastados, do centro do buxixo, tinha-se uma ideia do que as garotas estavam fazendo. O que isso rendeu de conversas e anedotas nos bares frequentados pelos viajantes estrangeiros daria um livro.

O fato é que os indianos, mesmo conservadores, em geral só se preocupam com a moralidade dos ocidentais quando algo os incomoda. Assim, em Calangute principalmente, a polícia deu em cima, empurrando os hippies para praias cada vez mais afastadas, no norte do território, como a Ashvem Beach. Porém, na medida do possível deixou os mochileiros tranquilos com seus costumes liberais em suas praias mais distantes.

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Moralistas fiquem longe de Goa

Enfim, até hoje Goa não é local indicado para quem é muito conservador ou moralista e tem um xilique ao ver um seio de fora… Afinal, o top less continua sendo comum em algumas praias mais afastadas mas é praticado por um público mais liberado. Em suma, mais acostumado com essa prática na França, Grécia e outros lugares.
De qualquer forma, mesmo que o perfil do turista tenha mudado um pouco, o turismo é a principal atividade econômica em Goa. Assim, hoje em dia há um número maior de hotéis e restaurantes mais sofisticados, além tours de barco, lojas, casas de câmbio.

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Goa, centro pesqueiro

Outra atividade importante em Goa é igualmente a pesca. Esta, aliás, de qualquer forma, também ligada ao turismo. Afinal boa parte da produção pesqueira atende ao consumo de restaurantes. Ou seja, Goa é um lugar que agrada em cheio quem curte frutos do mar e peixes, algo visível nos menus. Aliás, muita gente ia à praia no final tarde pela assistir as redes sem puxadas. A pesca se tornou, portanto, uma atração turística. Mochleiros que alugavam casas em Goa iam igualmente comprar seu pescado fresquíssimo na praia.

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Ah… cerveja!

Enfim, para dizer a verdade, estávamos cansados do controle obsessivo sobre o álcool na maior parte da Índia. Não somos de nos embriagar com destilados forte. Porém, em boa parte do país tomar uma simples cerveja já era complicado. Só em restaurantes com licença especial, frequentado geralmente por estrangeiros podia-se tomar uma cerveja. Em Goa, porém, esse problema não existia. Uma cervejinha gelada era liberada e, no calor que fazia, caía muito bem. Por isso mesmo os barzinhos nas praias estavam sempre lotadas de ocidentais que aproveitam a oportunidade para curtir sua cerveja de frente para o mar, sobretudo no final da tarde.

Goa Velha

Panjim, digamos, “substituiu” Goa Velha, uma cidade abandonada nos anos 1680 após epidemias de malária e cólera. Assim, no seu apogeu, tinha mais de 50 mil habitantes. Goa, aliás, é um território, não uma cidade. Panjim, à beira de um rio, é sua capital. Dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa, talvez por inspiração lisboeta, é um lugar animado, onde eu me sentia bem.

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Visitei Goa Velha numa tarde luminosa. Ruínas dos tempos de glória, igrejas e conventos espalhavam-se dos dois lados da estrada. Ou seja herança dos tempos da colonização cristã lusitana no sul da Índia. Enfim, gostei, em especial, da Basílica do Bom Jesus, de fachada renascentista, que abriga o túmulo de São Francisco Xavier e recebe turistas do mundo todo.

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Miscigenação e comércio

Ao contrário dos ingleses e franceses, os portugueses, pouco numerosos, que viajavam sem mulheres, eram incentivados a gerar filhos com as nativas de suas colônias. O concubinato era, portanto, comum e, em alguns casos, os colonizadores chegavam a se casar com as asiáticas, constituindo família.
Outras vezes a miscigenação ocorria de forma brutal, por meio do estupro puro e simples. Como não havia portugueses suficientes para colonizar muitos territórios conquistados, passaram a produzir “híbridos”. Isso explica, por exemplo, porque a população brasileira é tão miscigenada.

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Goa no passado, um dos portos mais ricos do mundo

Os lusitanos chegaram à região no começo do século XVI, onde estabeleceram uma feitoria para negociar não apenas especiarias, mas igualmente, pedras preciosas, marfim e outros produtos. Enfim, o negócio deu tão certo que Goa acabou se tornando, décadas depois, um dos portos mais ricos do mundo. A ocupação portuguesa durou até 1961, quando o exército indiano invadiu a colônia.

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De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Goa

As ordens dadas aos soldados lusitanos para que lutassem “até o último homem” não foi tomada a sério. Ou seja, quando um bem armado exército indiano iniciou a invasão, as forças portuguesas, pouco numerosas, renderam-se quase imediatamente. David Birmingham, no seu livro História de Portugal, relata que o Estado-Maior em Lisboa “ao ser-lhe pedido que enviasse salsichas para Goa, enviou salsichas de porco, esquecendo completamente que a palavra código para granadas de artilharia era salsicha”. Parece piada, mas não é.

Explicação necessária:

Outras viagens pela Índia, lugares e experiências

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Nosso destino nessa viagem de carro, espinha dorsal do livro “A Vaca na Estrada” de Paris ao Nepal, seria Katmandu. Da Europa passaríamos pela Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão e Índia. Antes, porém, de seguir para o Nepal fomos visitando outros lugares na Índia. Aliás, como estive diversas vezes no país, o livro “A Vaca na Estrada”, inclui igualmente algumas experiências vividas em outras viagens pelo subcontinente indiano.
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