História, cultura e arte

Cinema russo

O cinema russo e soviético é um dos mais influentes da história, conhecido assim por inovações na linguagem visual. Marcado por suas eras de vanguarda e forte ligação política, ele definiu dessa forma o conceito moderno de montagem. Apesar de excelente, o cinema soviético foi, assim, desses seus primódios uma eficiente arma de propaganda do regime russo. Aliás, qualquer crítica ao sistema significava, no mínimo o fim da carreira de qualqur diretor.

A Era de Ouro do Cinema Soviético (Anos 1920-1930)

Após a Revolução Russa de 1917, o cinema tornou-se dessa forma uma ferramenta artística e de propaganda política de massa do regime soviético. Essa fase é marcada pela experimentação formal: 
Montagem Soviética: Diretores como Lev Kuleshov (criador do célebre Efeito Kuleshov) e Dziga Vertov (“Um Homem com uma Câmera,” 1929) revolucionaram assim como o espectador absorve significados através da edição de imagens.
Sergei Eisenstein: Dono de uma das estéticas mais impactantes do século XX. O clássico “O Encouraçado Potemkin” (1925) é considerado assim um dos maiores estudos de montagem e narrativa visual do cinema. Entretanto, paralelamente mais uma arma política do sistema soviético.

Cinema mudo russo

O cinema mudo soviético, nascido após a Revolução de 1917, foi um dos períodos mais revolucionários da sétima arte. Em outras palavras, revolucionou a sétima arte na década de 1920. Pioneiros como Sergei Eisenstein e Lev Kuleshov desenvolveram dessa forma a chamada a “montagem soviética”. Provaram assim que o significado de um filme nasce da colisão e justaposição de imagens, e não apenas de cenas isoladas. Pioneiros como Sergei Eisenstein e Dziga Vertov usaram técnicas inovadoras de montagem, que influenciam o cinema até hoje. 

Sergei Eisenstein

Cinema preto e branco russo

O cinema soviético em preto e branco é, assim, um dos pilares da história da sétima arte. Em outras palavras, famoso por suas inovações na montagem e por reflexões filosóficas profundas. A era de ouro trouxe clássicos absolutos que moldaram portanto linguagem visual do cinema moderno. As obras mais icônicas e influentes dessa fase incluem:
“O Encouraçado Potemkin” (1925): Dirigido por Sergei Eisenstein, é um marco na história do cinema. A famosa sequência da “Escadaria de Odessa” é um estudo de montagem e tensão. 
“Um Homem com uma Câmera” (1929): Dirigido por Dziga Vertov, é um documentário experimental sem diálogos que captura a vida urbana na União Soviética, famoso pelo uso inovador de técnicas de câmera e edição. 
“A Infância de Ivan” (1962): De Andrei Tarkovski, o longa em preto e branco acompanha a dura realidade de um menino órfão durante a Segunda Guerra Mundial, misturando assim realismo com sequências de sonhos poéticas. 
“Ivã, o Terrível” (1944-1958): Também de Eisenstein, este épico histórico em preto e branco explora o reinado do primeiro czar da Rússia e o custo psicológico do poder absoluto.
“Quando Voam as Cegonhas” (1957): Dirigido por Mikhail Kalatozov, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, famoso por seu trabalho de câmera fluido e igualmente o emocionante retrato sobre o impacto da guerra. 

Filme “Um homem com uma câmera”

O cinema russo e soviético no pós-Segunda Guerra

O cinema russo e soviético no pós-Segunda Guerra passou por fases distintas. Inicialmente, sofreu com forte censura, estagnação e escassez de produções (período conhecido como malokartine ou “fome de filmes”). Posteriormente, com a morte de Stalin, a indústria floresceu na era do “Degelo”, dando origem assim a obras aclamadas internacionalmente, como “A Infância de Ivan (1962), de Andrei Tarkóvski, e “Quando Voam as Cegonhas” (1957), de Mikhail Kalatozov.
O Estalinismo e o “Cinema-Troféu” (1945–1953) – Imediatamente após o fim do conflito, o comitê estatal limitou drasticamente o número de produções. Exigiu assim que os filmes focassem no endeusamento da figura de Stalin e no heroísmo bélico. Com poucos lançamentos nacionais, os cinemas recorreram à exibição dos chamados “filmes-troféu”. Ou seja cerca de dois mil longas-metragens estrangeiros apreendidos pelo Exército Vermelho na Europa Oriental e Alemanha.

O regime de Stalin sufocou o cinema russo

Segunda metade do século XX

O “Degelo” Soviético (décadas de 1950 e 1960) – Com o início da desestalinização no governo de Nikita Khrushchev, o cinema soviético se reinventou. A nova geração de cineastas abandonou portanto a rigidez do realismo socialista para explorar abordagens mais humanistas e poéticas. A guerra passou a ser retratada não apenas com exaltação gloriosa, mas com foco nas cicatrizes psicológicas deixadas nos indivíduos. Em outras palavras, após a Segunda Guerra Mundial e a era stalinista, o cinema russo adotou um tom mais humano e reflexivo, conquistando prêmios nos principais festivais do mundo:
Obras de Guerra: Filmes como “Quando Voam as Cegonhas” (1957), vencedor da Palma de Ouro em Cannes, e o brutal “Vai e Veja” (1985) redefiniram em suma as narrativas sobre conflitos armados.

O Estilo Tarkóvski e a Autoralidade – Andrei Tarkovsky é considerado assim um dos maiores poetas visuais da sétima arte, conhecido por seus planos-sequência contemplativos e metafísicos em obras-primas como “Andrei Ruble”v (1966) e Solaris (1972). Diretores como Andrei Tarkóvski elevaram o cinema soviético à vanguarda artística global. Seus filmes combinam assim imagens deslumbrantes e reflexões filosóficas profundas sobre a espiritualidade, a memória e o peso da existência. Produções do diretor, como Solaris (1972) e Andrei Rublev (1966) fizeram sucesso.

Andrei Tarkovsky

Cinema Russo Contemporâneo

Com o colapso da União Soviética, a indústria passou a explorar novas estéticas, o misticismo e igualmente dramas sociais viscerais.
O cinema russo contemporâneo abrange as produções realizadas após a queda da União Soviética em 1991. Em outras palavras, equilibrando o peso histórico de mestres como Sergei Eisenstein e Andrei Tarkovsky. Em suma, apresentam com novas abordagens estéticas, críticas políticas e superproduções comerciais. 

Nas últimas décadas, a produção cinematográfica da Federação Russa dividiu-se entre blockbusters de forte apelo popular e um também cinema autoral de prestígio internacional. Ou seja, frequentemente circula em grandes festivais no mundo todo.

Diretores de Destaque: Nomes como Alexander Sokurov (Arca Russa, 2002) e Andrey Zvyagintsev (Leviatã, 2014) e trazem críticas sociais e técnicas inovadoras.

Andrey Zvyagintsev

Obras-Primas do Cinema Soviético

O Encouraçado Potemkin (1925): O clássico, que já mencionamos acima, é dirigido por Serguêi Eisenstein, é, assim, um dos filmes mais influentes da história. Retrata o levante da tripulação de um navio em 1905. A sequência do “Carrinho de Bebê” descendo as escadarias de Odessa é uma das mais estudadas e homenageadas no cinema mundial. 

“Quando Voam as Cegonhas” (1957): Dirigido por Mikhail Kalatozov, ganhou a Palma de Ouro em Cannes. É um drama sensível sobre a Segunda Guerra Mundial que foge portanto do heroísmo tradicional, focando no impacto do conflito em um jovem casal. 
A “Infância de Ivan” (1962): O primeiro longa-metragem do mestre Andrei Tarkóvski. Emocionante e igualmente poético, acompanha um garoto de 12 anos que atua como batedor para o exército soviético durante a Segunda Guerra. 
Andrei Rublev (1966): Uma obra monumental de Tarkóvski que acompanha a vida de um famoso pintor de ícones na Rússia do século XV, abordando arte, fé e igualmente a repressão.

A Segunda Guerra Mundial inspirou filmes russos

Site sobre cinema russo em inglês

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