O cinema mexicano é uma das indústrias mais ricas da América Latina. É, dessa forma, famoso por sua “Época de Ouro” (1936-1956). Destaca-se igualmente por cineastas premiados e contemporâneos como Guillermo del Toro e Alfonso Cuarón. Os primórdios do cinema mexicano datam de agosto de 1896, quando enviados dos irmãos Lumière chegaram à Cidade do México. O presidente Porfirio Díaz percebeu o potencial do meio para documentar seu governo, pavimentando asim o caminho para que cineastas locais registrassem a Revolução Mexicana (1910) e desfiles militares.

O Despontar da Indústria (1896 – 1930)
Chegada da novidade: Em 6 de agosto de 1896, ocorreu a primeira exibição pública na capital, encantando o presidente Porfirio Díaz. O governo rapidamente abraçou assim a tecnologia como uma ferramenta de registro oficial e propaganda.
A Revolução em Tela: O conflito armado de 1910 se tornou o primeiro grande registro histórico e documental feito pelo cinema nacional. Cineastas como os irmãos Alva documentaram assim momentos cruciais da insurreição com produções como “Insurrección en México”.
Transição para a ficção: Após o período documental inicial, o país começou a investir igualmente em narrativas ficcionais. Na década de 1910 e 1920, o país flertou com o “teatro filmado” e produções silenciosas, preparando dessa forma o terreno para a introdução do som, que solidificaria a indústria na década de 30.

Cinema mudo mexicano
O cinema mudo mexicano abrangeu o período de 1896 a 1931. Iniciado com exibições em 1896 na Cidade de México, o setor transitou de curtas documentais para longas-metragens de ficção em 1916. Obras ricas da Revolução Mexicana se perderam, porém, ao longo do tempo, tornando sobreviventes como “El automóvil gris” e “Tepeyac” grandes tesouro.
A era do cinema mudo no México foi marcada por uma evolução intensa, dividida em fases importantes:
Primórdios e Documentação (1896–1910): O cinematógrafo chegou ao país através do presidente Porfirio Díaz. Os primeiros registros foram curtas-metragens da vida cotidiana e política, com destaque para a fita “Riña de hombres en el Zócalo” (1897) e igualmente para o trabalho de cineastas pioneiros como Salvador Toscano.
A Era de Ouro do Cinema Silencioso (1915–1931): Com o sucesso da Revolução Mexicana, a produção focou em ficção e dramas. O primeiro longa-metragem mexicano foi lançado em 1916: 1810 “Los Libertadores de México”. Nesse mesmo ano, aliás, a atriz e diretora Mimí Derba fundou o primeiro estúdio do país ao lado do cineasta Enrique Rosas.
Obras de Destaque: Dentre os filmes mais aclamados, destaca-se “El automóvil gris” (1919), elogiado pela qualidade da narrativa e aproximação com o estilo documentário. em suma, vale menciona igualmente “Tepeyac” (1917), focado em dramas religiosos e históricos.
O Legado e a Perda de Acervos: Infelizmente, porém, a maior parte das produções desse período foi destruída ou perdida. O esforço de historiadores tem sido fundamental para resgatar o contexto e restaurar os títulos que restaram.
Essa fase abriu dessa forma portas para a era de ouro do cinema sonoro mexicano, que se consolidou a partir do lançamento de” Más Fuerte que el Deber” (1931) e “Santa” (1931).

O cinema mexicano preto e branco
O cinema preto e branco no México é, assim, a espinha dorsal da identidade cinematográfica do país. Ele ficou mundialmente famoso durante a Era de Ouro (1936–1956), período em que diretores e fotógrafos de renome criaram igualmente uma estética visual de alto contraste e sombras marcantes, até hoje celebrada em produções modernas e aclamadas.
Uma curiosidade: mesmo em pleno século XX o fascínio por essa estética não ficou no passado. Ou seja, em 2018, o diretor Alfonso Cuarón lançou o filme “Roma”, rodado inteiramente em preto e branco. A obra utiliza a ausência de cor para dar um tom documental e nostálgico às suas memórias de infância. Em suma, consagrando-se internacionalmente. Outros exemplos elogiados incluem “Güeros” (2014), que usa o formato para retratar uma greve estudantil com forte apelo visual.

A Era de Ouro (1936–1956)
Durante a “Época de Oro”, o México dominou o mercado de língua espanhola, aproveitando-se, dessa forma, do declínio das produções europeias e americanas na Segunda Guerra Mundial. O preto e branco não era apenas uma limitação tecnológica da época, mas igualmente uma poderosa ferramenta artística.
O grande destaque desse período foi o aclamado diretor de fotografia Gabriel Figueroa. Em parceria com diretores como Emilio “Indio” Fernández, Figueroa desenvolveu uma estética expressionista e poética. Em outras palavras, caracterizada por céus dramáticos com nuvens bem definidas, e fortes contrastes de luz e sombra. Valorizou igualmente a paisagem e a cultura indígena do México.

Cinema mexicano na década de 1940
A década de 1940 foi um período de prosperidade econômica e forte apoio dos Estados Unidos devido à Segunda Guerra Mundial. O país tornou-se dessa forma o maior polo cinematográfico de língua espanhola. Em suma, estabelecendo um padrão de excelência técnica e artística. Contribui para isso o Apoio Aliado. Com a Europa em guerra, os Estados Unidos forneceram equipamentos e matéria-prima (película virgem) ao México. Garantiu dessa forma a influência cultural na América Latina. O período reuniu igualmente diretores aclamados, cinegrafistas lendários e galãs que conquistaram o público em toda a América Latina.
Filmes e Marcos Históricos: “María Candelária” (1943) dirigido por Emilio Fernández. Tornou-se, assim, o primeiro filme latino-americano a vencer o principal prêmio no Festival de Cannes em 1946.
Consolidação de Gêneros: O cinema popularizou o melodrama rural, as comédias musicais e também, o drama revolucionário.

Destaques da Década de 1950
A década de 1950 marcou o apogeu e a transição da Época de Ouro do Cinema Mexicano. A indústria consolidou, dessa forma, sua identidade cultural. Destacou-se, assim, com produções de melodrama, comédias e filmes de vanguarda, projetando ícones nacionais internacionalmente.
Diretoras Pioneiras: Mulheres como Matilde Landeta quebraram barreiras no ambiente dominado por homens, dirigindo obras independentes de viés social, como “La Negra Angustias” (1950).
Diretores de sucesso: Nomes como María Félix, Dolores del Río, Pedro Armendáriz e Pedro Infante reinaram nas bilheterias, protagonizando filmes de grande apelo popular.
Mudança de Cenário: No final dos anos 1950, a concorrência com a televisão e a popularização de produções de outros países começaram, porém, a transformar a indústria.

A Crise e a Transição (Anos 1960)
Com o esgotamento das fórmulas da Era de Ouro, a indústria entrou, porém, em estagnação no início da década. Para reverter isso, o Estado e os sindicatos organizaram os Primeiros Concursos de Cine Experimental (1965). Esse movimento revelou assim novos cineastas e abriu espaço para produções mais autorais, fortemente influenciadas pela Nouvelle Vague francesa.
Filmes de destaque: “Macario” (1960), o surreal “O Anjo Exterminador” (1962), “La fórmula secreta” (1965) e Los Caifanes (1967).

A “Outra Idade de Ouro” e o Cinema Estatal (Anos 1970)
Nesta década, o governo mexicano aumentou significativamente o financiamento e o controle estatal sobre a produção cinematográfica. O foco igualmente mudou para a reflexão social, o confronto político e a modernidade fílmica. Gerou dessa forma gerando grande efervescência criativa em temas que abordavam a realidade, o campesinato e a vida urbana. Paralelamente, consolidou-se um cinema popular focado assim no grotesco, comédias de humor ácido e o sucesso dos filmes de luchadores (como o famoso Santo). Guillermo del Toro é um dos diretores, roteiristas e produtores mais influentes do cinema contemporâneo.

A Privatização e o Declínio da Indústria (Anos 1980)
Na década de 1980, porém,o cinema mexicano sofreu com cortes de orçamentos e a diminuição do apoio estatal, o que gerou assim uma queda na produção. Ou seja, indústria passou a ser dominada por produções comerciais de baixo custo e apelo popular. Em suma, produções(frequentemente chamadas de ficheras) e coproduções internacionais de menor impacto global. Essa crise interna só seria revertida na década de 1990 com o movimento do Nuevo Cine Mexicano.

O final do século XX e filmes contemporâneos
O final do século XX marcou um período de grave crise econômica e reestruturação institucional para o cinema mexicano, culminando no nascimento do movimento Nuevo Cine Mexicano. Apesar das dificuldades, a década de 90 abriu caminho para o renascimento da indústria e lançou os cineastas que viriam a dominar Hollywood nos anos seguintes. Para combater a marginalização do cinema local frente aos blockbusters norte-americanos, uma nova geração de diretores, roteiristas e atores surgiu com propostas modernas, longe dos melodramas tradicionais e das “comédias de fronteira” que dominavam o circuito B da época. O movimento focou em retratar o México urbano contemporâneo, a hipocrisia política e as angústias da classe média. Três diretores do período, conhecidos como “Os Três Amigos”, merecem destaque. São eles Alfonso Cuarón (“Roma”), Guillermo del Toro ( “Cronos” ) e Alejandro G. Iñárritu (“Amores Brutos”). Também merece destaque David Zonana, diretor de “Heroico” (2023). Um olhar cru e crítico sobre a corrupção e a violência institucional dentro do sistema militar no México. O filme expõe como jovens de origem indígena são transformados pelo sistema.

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