Cultura geral

Cinema argentino

O cinema do país de los hermanos é um dos mais premiados e prestigiados da América Latina. Aliás, diversos filmes argentinos foram muito aplaudidos pelos brasileiros. É reconhecido assim por produções aclamadas mundialmente e vencedores do Oscar de Melhor Filme Internacional (como, por exemplo, “A História Oficial” e “O Segredo dos Seus Olhos”. Em suma, destaca-se por roteiros perspicazes, humor ácido e forte crítica social.

O aplaudido “A História Oficial”

Os primórdios do cinema argentino 

Os primórdios do cinema argentino remontam a 18 de julho de 1896. Ou seja, foi quando ocorreu a primeira exibição pública com o cinematógrafo dos Irmãos Lumière no Teatro Odeón, em Buenos Aires.
Pioneiros como o italiano Mario Gallo começaram assim a produzir os primeiros curtas de ficção histórica (como, por exemplo “La Revolución de Mayo”, em 1909). Logo em seguida, pioneiros como o francês Eugène Py realizaram igualmente as primeiras captações no país, incluindo o curta-metragem “La Bandera Argentina”.
 A trajetória inicial do audiovisual na Argentina destaca-se portanto por marcos pioneiros e grande inovação técnica. 

“La Bandera argentina”

Primeiros Passos e Pioneirismo

O ano de 1896 consolidou o fascínio da elite portenha pela nova tecnologia. Ou seja resultando na importação de câmeras e no surgimento dos primeiros cinegrafistas. Inicialmente documentavam a vida urbana e igualmente eventos políticos.
Primeiras produções: Filmagens curtas, de caráter quase documental começaram a registrar o cotidiano, desfiles e também fatos históricos locais.
Ficção e Inovação: O pintor italiano Mario Gallo foi fundamental para a transição para o cinema narrativo, dirigindo obras como “La Revolución de Mayo” (1909)

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Buenos Aires na época da Revolução de Maio,
que inspirou o filme do mesmo nome.

O marco da Animação

A Argentina foi igualmente pioneira em nível mundial na técnica de animação de longa-metragem. É assim o caso do filmeL’Apóstol” (1917), dirigido por Quirino Cristiani. Em suma, o filme entrou para a história como o primeiro longa-metragem de animação do mundo. Em outras palavras, era uma sátira política focada no presidente Hipólito Yrigoyen. Ao que parece, porém, o presidente Yrigoyen não achou muita graça nesse filme… Infelizmente, todas as cópias da obra foram perdidas em um incêndio. 

Quirino Cristiani

A Transição para o Sonoro e o Tango

O cinema mudo argentino (1896-1930) foi pioneiro na América Latina e no mundo. Destaca-se assim, por ter lançado o primeiro longa-metragem de animação da história. Trata-se de “El Apóstol,” de 1917 e por estabelecer o “melodrama de arrabal”. Ou seja, conectando o cinema às raízes populares e ao tango.
Filmes com a lenda do tango Carlos Gardel, rodados entre 1931 e 1935, moldaram dessa forma a cultura e a exportação do cinema argentino.
Em 1933, foram inaugurados os primeiros grandes estúdios industriais (Argentina Sono Film e Lumiton), que lançaram produções seminais como “¡Tango!” e inauguraram dessa forma a famosa “Época de Ouro” argentina.
Posteriormente, na década de 1930, a indústria deu um salto com a chegada do cinema sonoro. Em suma, consolidando uma identidade nacional forte. 

O tango inspirou filmes de sucesso

Cinema preto e branco na Argentina

O cinema na Argetnina possui uma rica tradição em preto e branco. É o caso, assim, dos clássicos da “Época de Ouro” das décadas de 1930 e 1940 até produções modernas. Estas utilizaram a estética monocromática para, dessa forma, criar atmosferas de suspense, metalinguagem ou drama histórico.

Clássicos e Filmografia Antiga: Obras como “El Apóstol” (1917, o primeiro longa-metragem de animação do mundo) e dramas clássicos dos anos 40, a exemplo de “Madame Bovary (1947), formam portanto, as bases históricas do formato no país.
Anos 60 e 70 (Modernismo): Destaque para “Invasão” (1969), um aclamado filme “noir” com roteiro de Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares. A obra, em suma, é uma alegoria fantástica e tensa de uma Buenos Aires sitiada. Produções Contemporâneas em preto e branco Diretores independentes continuaram a recorrer ao preto e branco por escolhas artísticas e estilísticas. Um exemplo, aliás, é “Los Dueños” (2013), um thriller tenso que explora dinâmicas sociais com uma estética fria e marcante.

Madame Bovary” , um drama clássico

Cinema argentino após a Segunda Guerra Mundial

O cinema argentino no pós-Segunda Guerra passou por profundas transformações. Ou seja, dividindo-se entre a forte censura e intervenção estatal nos anos 1940 e 1950, a modernização com a “Geração de 60” e a efervescência política, culminando assim no aclamado movimento contemporânea.
A Era de Ouro e a Intervenção do Estado (1945–1955)
. Após a Segunda Guerra Mundial e com a ascensão de Juan Domingo Perón, o cinema argentino, que havia sofrido com a falta de matéria-prima durante o conflito, ganhou fôlego através da Lei de Cinema de 1946. A legislação fomentou a produção local, mas trouxe igualmente forte censura e produções alinhadas ao governo. O período de 1945 a 1955 consolidou estúdios fortes, porém, foi bruscamente interrompido pela ditadura da Revolução Libertadora, que paralisou a indústria e perseguiu cineastas. 
O Neorrealismo – Com a influência do neorrealismo italiano, diretores como Fernando Birri (fundador da Escuela Documental de Santa Fe em 1956) trouxeram para a Argentina um cinema focado na realidade social e nos trabalhadores, frequentemente, porém, gravado apenas em preto e branco.

A Argentina de Perón: a intervenção
do estado no cinema

Cinema argentino segunda metade do século XX

Na segunda metade do século XX, o cinema argentino passou por grandes transformações, indo da “Geração do 60” ao Nuevo Cine Argentino. Consolidaram, dessa forma, obras neorrealistas e noir que utilizaram a estética em preto e branco. Retrataram, assim,, os traumas sociais, o operariado e as tensões políticas da época. A partir do final dos anos 1950 e durante a década de 1960, diretores como Leopoldo Torre Nilsson (um dos precursores com “La casa del ángel”, de 1957) e Fernando Solanas, entraram em cena. Adotaram estéticas alinhadas à Nouvelle Vague francesa e ao neorrealismo italiano. Esse movimento voltou-se assim para a crítica social, o debate político e a inovação narrativa. Afastaram-se portanto das produções puramente comerciais anteriores.
Anos 70 e 80 – A Ditadura Militar Argentina (1976-1983) impôs forte censura, forçando assim diretores ao exílio ou a usar metáforas visuais. Ou seja, esconderam-se nas tramas de atmosfera noir e suspense para abordar a repressão e os “fantasmas do passado”.

Ditadura argentina: o cinema sob censura e repressão

O cinema argentino contemporâneo 

Crítica Social e Política: Filmes abordam o passado recente, a ditadura, a presença do nazismo na região e as divisões de classe.
Espaço Urbano: Buenos Aires frequentemente atua como um personagem, mostrando, dessa forma, contrastes entre periferias e áreas ricas, além da solidão nos centros urbanos.
Diretores de Destaque: Lucrecia Martel: Pioneira do movimento e aclamada por usar o som e a tensão psicológica para expor assim a burguesia, com obras como “O Pântano” (2001) e “A Mulher Sem Cabeça” (2008).
Pablo Trapero: Conhecido por seu realismo cru e foco em instituições e violência urbana em filmes como “Elefante Branco” (2012) e “Abutres” (2015).

Pablo Trapero, autor de “Elefante Branco” e outros sucessos do cinema argentino contemporâneo

Visite o CINE.AR, a plataforma oficial do Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (INCAA)

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