Livro: A Vaca na Estrada

02 De Paris a Katmandu de carro “A Vaca na Estrada” – Que viagem é essa?

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Que viagem é essa? Os preparativos

Aventureiro, mas não irresponsável, Bernard seria um companheiro de viagem confiável. Já havíamos viajado durante três semanas juntos. Corremos juntos Portugal, Espanha e Marrocos havia pouco tempo e nos déramos bem. Bernard era bem-humorado, fácil de lidar. Evidementemente, alguma rivalidade existia entre nós quando mulheres bonitas cruzavam nosso caminho… Natural: éramos jovens, descomprometidos e queríamos nos divertir.

Documentos e roteiros

Para viajar com seu carro, Bernard teve que providenciar um documento especial para a travessia de certas fronteiras. O chamado Carnet de Passage. Compramos igualmente bons mapas rodoviários. Dessa forma, durante dias, estudamos os possíveis roteiros, e as vantagens de cada um. Acabamos preferindo o mais direto possível. Em suma, nos preocupando em primeiro lugar em alcançar a Ásia.

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Optamos pelo mais rápido: partiríamos da França, mais exatamente de Paris. Seguiríamos depois rumo leste para a Alemanha, depois Áustria, a então Iugoslávia, e a Bulgária, para chega à Turquia.
(Nota do Autor: a rota pela antiga Iuguslávia, que eu conhecera quando morava em Paris, corresponde à atual Croácia, Sérvia e outras mini-nações).

O caminho dos aventureiros

De Istambul em diante, bastava tomar o caminho mais direto utilizado pelos aventureiros europeus que seguiam por terra para Delhi e Katmandu. Ou seja, pegando pela Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, Índia e, finalmente, o Nepal, junto da cordilheira do Himalaia. Por último, cuidamos dos demais detalhes importantes relativos ao carro. Ou seja, colocar pneus novos no veículo, instalar protetores de faróis e, igualmente, um bagageiro de teto. Comprar também peças sobressalentes, galões para água e combustível. Enfim, outros itens que nos proporcionariam indispensável segurança. Por exemplo, uma boa caixa de medicamentos.

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Uma viagem impossível nos dias de hoje

Levamos muitos meses para chegar ao Nepal. Enfim, parando onde queríamos o tempo que quiséssemos! Imagens, cheiros, sabores, emoções nos esperavam espalhadas por toda a Ásia. Infelizmente, porém, em razão de guerras, conflitos, terrorismo e insurreições, uma viagem como essa que fizemos tornou-se, entretanto, quase impossível neste começo do século XXI.

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Ou seja, infelizmente, é como se o mundo tivesse ficado menor. Assim, atualmente é praticamente impossível alguém fazer uma viagem como essa. Todos sabem, afinal, que o Oriente Médio está um barril de pólvora. Em outras palavras, guerra aqui, terrorismo ali… Sem falar de regimes como o Talibã, no Afeganistão, mergulhado na ignorância religiosa.

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Sem misticismo

Muitos – não amigos e parentes que me conhecem bem, mas leitores, conhecidos ou pessoas com quem converso ocasionalmente, perguntam o motivo de meu interesse pela Índia e pelo Nepal. Pensam logo que, se estive várias vezes nesses e em outros países asiáticos, devo ser um místico. Talvez frequentar ashrams (centros espirituais dirigidos por um guru, voltados a meditação e estudos), seguir um mestre, algo assim. Em São Paulo, não na Índia, durante uns poucos meses, de fato, participei de um grupo ligado a um guru.

A “luz azul” do conhecimento

Do mesmo modo que alguns amigos, na época, de tanto querer enxergar a tal “luz azul do conhecimento”, eu estava quase acreditando vê-la. Porém, como aconteceu com os Beatles, não demorei a cair na real.
Existe, aliás, um livro (“Karma Cola”…) escrito pela indiana Gita Mehta que aborda com ironia e sutil bom humor o que ela chama de “mercado místico” de ilusões em tempos de globalização. Recomendo, até mesmo para os que querem saber como muitos indianos vêem esse comércio. Muitos indianos com quem conversei, encaram esse circo com certa ironia.

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Você pode acreditar em tudo o que quiser

Foi quando compreendi que as pessoas são capazes de acreditar em tudo o que querem que seja verdade. Ou seja, em duendes, fadas, demônios, xamãs, mitos, (Nota contemporânea do autor: Mesmo em pleno século XX há retardados que acreditam em “mitosridículos…) e superstições. Cada época tem, aliás, sua novidade, sua moda mística. Depois de um tempo, ninguém mais fala no assunto.
Há alguns anos apareceram em São Paulo adesivos em vidros de automóveis: Eu acredito em duendes. Logo um engraçadinho inventou: Eu atropelo duendes. A onda passou. Ninguém queria ver seu duende de estimação atropelado. Enfim, algumas pessoas acreditam em qualquer coisa que lhes traga a Revelação, a Iluminação, a Salvação, que as faça “mudar de vida”, iniciar assim uma “vida nova”.

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Creem, igualmente, em curiosas ideias pseudocientíficas. Embora eu tenha certo respeito pela ioga e por outras técnicas seculares de meditação, sou um cético e encaro com reservas as novidades estapafúrdias. Ou seja, minha atração pelo Oriente é muito mais sociológica do que espiritual. Queria mais entender o povo, sua cultura, a sociedade em que vivem.

As fórmulas milagrosas

A seita

Vendo como fomos capazes de nos sugestionar, eu e outros de minha geração (os mais sensatos, pelo menos…) se viram obrigados a reconhecer a falta de sentido de tudo aquilo. Desse modo, felizmente, não fui o único, aliás, que caiu fora rapidinho. Os adeptos de outra seita, que só se vestiam de túnica vermelha, deixaram igualmente, a vestimenta de lado.

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Beijar os pés do mestre? Me poupem!

Fui o primeiro, aliás, a desacreditar, quando surgiu o papo de termos que beijar os pés do mestre. Declarei de cara que isso eu não faria, porque não acreditava que pudesse me tornar espiritualmente melhor por beijar pé de guru. É isso mesmo a tal Iluminação?
Mesmo tendo me recusado ao tal beija-pés, certo dia, recebi, solenemente, “o Conhecimento”. Não era nada mais do que manjadas técnicas de meditação, que eu, aliás, já conhecia, semelhantes em muitos aspectos àquelas dos centros de ioga. Úteis, eventualmente, para quem acredita nelas e se dispõe a praticá-las, o que, aliás, nem sempre é simples.

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Magos e gurus

Acredito que algumas técnicas de meditação talvez possam realmente ajudar as pessoas a relaxar e a lidar melhor consigo mesmas e com os outros. Ou seja, como uma terapia. Na época, entretanto, muitos dos discípulos deslumbrados falavam em “receber o Conhecimento” como se aquilo fosse uma porta aberta para o Nirvana logo ali na frente….

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Os magos, os gurus, costumam dizer o óbvio. “Todos vamos morrer um dia”. “Se você lutar pelas coisas que deseja, terá mais chances de obtê-las”. E você ainda paga para ouvir isso!
Assim, muitos gurus tornaram-se milionários. Enfim, as pessoas têm o direito de ficar recitando mantras e achar que, com isso, atingirão a Iluminação. Não lastimo, entretanto, a experiência de São Paulo. Pelo menos não parti para a Índia iludido, nem em busca de um guru.

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Rumo ao Oriente

Embora neste livro eu fale sobre minhas viagens por diferentes países, preferi, talvez por razões afetivas, dar destaque à Índia e ao Nepal, onde estive muitas vezes. Em suma, lá, fiz amigos, conheci cidades e aldeias, opulência e miséria. Vi como os sonhos do homem são ao mesmo tempo tão diferentes e tão iguais. Em qualquer lugar, as necessidades são muito semelhantes. Desse modo, modifiquei meus conceitos sobre a vida, a morte e a felicidade.

Que viagem é essa? Istambul

Foi com certa emoção que, algum tempo depois de cruzar a fronteira da Bulgária com a Turquia, meu amigo francês e eu deparamos com uma placa indicando Istambul. Logo ali, poucos quilômetros adiante. Levantando os olhos, vimos topos de minaretes destacando-se contra o céu à nossa frente. Era só cruzar o Bósforo e colocaríamos os pés na Ásia.

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O território hippie em Instambul

Quando chegamos em Istambul, deparamos com muitos hippies. O que buscavam? Talvez a mesma coisa que nós: aventura. Embora Bernard e eu achássemos os hippies simpáticos, não pertencíamos à mesma tribo. Começando pela maneira menos “florida” de nos vestir, portando blusões de couro. Igualmente por sermos mais politizados do que a maioria deles. Talvez, também, por termos uma visão menos sonhadora da vida.

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Qual tribo mesmo?

Além disso, queríamos conhecer cidades, entender a cultura dos países visitados, seu povo, não apenas curtir. Ainda mais, tínhamos completado nossos estudos universitários, já tínhamos viajado muito e, igualmente, éramos grandes devoradores de livros.
Entre os hippies da época alguns curtiam ler e já tinham viajado por alguns lugares. Para muitos, entretanto, era sua primeira aventura. Só queriam puxar fumo até ficarem completamente chapados, (fuma mas não chapa, mano!). Muitos adoravam levar papos non-sense e nunca pegavam um livro nas mãos. Não éramos, portanto, exatamente da mesma tribo.

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A Turquia moderna

A Turquia atual é o resultado do encontro de diferentes culturas, entre elas a grega. Em seu território ocorreram batalhas épicas, como as da guerra de Troia. Posteriormente, a Turquia virou colônia romana. Constantinopla tornou-se, dessa forma, a sede do Império Romano do Oriente. Só quando foi tomada pelos otomanos, mudaram seu nome para Istambul. Assim, converteram em mesquitas suas magníficas igrejas, como a Santa Sofia.

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Os otomanos acabaram, dessa forma, por constituir um império que se estendia até a Síria. A grande reviravolta nos costumes e na vida do país ocorreu, porém, em 1923, quando Mustafá Kemal, chamado Ataturk – “pai dos turcos” – o grande heroi nacional, transformou a Turquia otomana numa nação secular e moderna. Seu retrato está presente em todo canto do país.

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Turquia: ocidental só até certo ponto

No começo do século XXI começou-se a discutir a entrada da Turquia na União Europeia. A ideia satifaz aos grandes conglomerados industriais interessados em mão-de-obra barata. Mas, não agrada, porém, a muitos europeus. Alguns consideram a cultura turca, por ser islâmica, muito diferente à deles.
Embora Bernard e eu já soubéssemos que seria assim, chamou nossa atenção nas mesquitas ver homens de um lado e mulheres de outro. Enfim, uma separação incomum para nós. Havia em Istambul tanto mulheres cobertas da cabeça aos pés, como jovens moderninhas, que usavam mini-saias.

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O Topkapi

Curiosos em aprender mais sobre o Islamismo, aproveitamos a estadia em Istabul para visitar a cidade. Assim, resolvemos conhecer o palácio Topkapi. Ele abriga tesouros de sultões otomanos e importantes relíquias religiosas. Na entrada, um rapaz insistiu para nos guiar. Como ele era simpático, falava um francês capenga, porém inteligível, nós o contratamos. O que não sabia falar em francês, nos explicava em inglês mesmo.

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Maomé

As relíquias eram vigiadas com zelo por um guarda meio vesgo, de turbante, sentado dentro de uma pequena cabine, que parecia ler o Corão com um olho e nos vigiar com o outro. Nosso guia começou:
Esta é a espada de Maomé. Este é o carimbo dele. (Nota do autor: Maomé era analfabeto; o carimbo era sua “assinatura”). Em seguida, nos mostrou cabelos numa espécie de moldura dourada.
Estes são fios de cabelos de Maomé.

As barbas do profeta

Quando apontou em seguida para outros pelos, mais crespos, adiantei-me:
Isto, aposto, são os fios da barba de Maomé!
O guia sorriu meio sem jeito, confirmando.
Como sabe que são verdadeiros? — perguntou Bernard.
Tudo é verdadeiro aqui — respondeu o rapaz.

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Profeta de pé grande

Bernard apontou para uma suposta marca do pé direito de Maomé. Era enorme, muito maior do que qualquer pé que eu já vi. Ou seja, como os pés das pessoas têm uma certa relação com a altura, Maomé devia ser, portanto, um gigante. Ainda mais, numa época em que as pessoas eram bem mais baixas do que hoje. Pensei: ou o Profeta tinha pés que eram uma anomalia ou a marca era falsa. Apesar disso, durante o Ramadã, fiéis fazem fila para ver a tal impressão do pé do Profeta.

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Que viagem é essa?

As tais relíquias…

Prosseguimos a visita sem comentários. Aliás, nem podíamos criticar. Afinal, pedaços da cruz de Cristo, espinhos de sua coroa, ossos de mártires e outras relíquias dos primórdios do Cristianismo têm sido classificadas por cientistas como datadas da Baixa Idade Média. Ou seja, a maioria delas do século XII em diante. Falsas, portanto!
Visitamos, ainda, mesquitas e o Grande Bazar, o mercado oriental onde se vende de tudo, de tapetes a penduricalhos.

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Enorme e coberto, esse mercado parecia um shopping center de um único piso. É formado por ruelas, com uma lojinha ao lado da outra. Apesar de mais moderno do que outros mercados asiáticos, tinha seu charme.
O programa mais gostoso, entretanto, foi tomar o barco-ônibus, transporte público barato que percorre o Bósforo. Desse modo pudemos atravessa-lo em ziguezaque de uma margem a outra. De um lado ficava a Ásia, de outro a Europa. Bernad riu:
Já fomos da Àsia para Europa umas dez vezes...
Dos dois lados do canal sucediam-se palácios, ricas mansões e várias mesquitas.

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O Bósforo e os bairros dos mochileiros

Descobrimos, assim, que no Bósforo, que liga o Mediterrâneo ao Mar Negro, comia-se muitíssimo melhor. Igualmente, gastava-se bem menos do que nos lugares favoritos dos hippies e mochileiros, como o Pudding Shop. Certa noite, cruzamos com um alemão com quem trocáramos algumas palavras quando chegamos a Istambul. Ele usava a mesma túnica encardida.

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Quando comentamos sobre um bom restaurante no Bósforo onde comêramos quando fizemos nosso passeio de barco, ele torceu o nariz.
É um restaurante burguês.
É muito melhor e mais barato do que esta espelunca.
Coçou a barba.
Não me deixariam entrar.
Olhamos para ele. Talvez tivesse razão, pois estava tão sujo que cheirava mal.
Tome um banho e troque de roupa — sugeri.
Estou bem aqui.
Procurou no bolso um baseado. Nos deu tchau e foi fumar num canto escondido. Burrinho, aliás, pois na Turquia, principalmente em Istambul, se te pegam com um mero baseado, é cana brava! Quem já assistiu “O Expresso da Meia-noite?” Pois é…

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O famoso quadro de anúncios do Puding Shopp

No Pudding Shop, um quadro de avisos exibia anúncios em diferentes línguas. A maioria era colocada por gente que voltava do Oriente completamente sem dinheiro. Vendiam, portanto, guias de viagem usados, roupas, botas, mapas e mochilas. Havia ainda anúncios de garotas dispostas a guiar os recém-chegados a Istambul. Geralmente eram mensagens em inglês, mal escritas, ou seja, cheias de erros, escritas por gente de diferentes nacionalidades. Aliás, algumas delas como soubemos depois, eram, a pedido, escritas pelo turco do caixa.

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Anúncio até de garota de programa

Vendo o anúncio da menina que queria guiar estrangeiros em Istambul, um milanês magérrimo, parado junto de nós, e que voltava da Índia, deu risada.
Isso de acompanhar estrangeiros é conversa. Sono putane. Não saem com turcos porque alguns as machucam, batem nelas. Aliás, acabam nem pagando.
Vimos, igualmente, no quadro de avisos que alguns estrangeiros procuravam carona rumo à Ásia. Propunham rachar a gasolina em troca do transporte. Bernard apontou um anúncio redigido em francês, assinado por um tal de Jean-Michel.

Jean-Michel, o martiniquês

Acabamos, assim, indo encontrar o interessado, um martiniquês em um hotel vagabundo das proximidades.
O último quarto do corredor, indicaram-nos na portaria.
Logo fomos recebidos por um personagem baixinho, mestiço de pai francês e mãe haitiana.
Só havia uma cadeira. Fez-nos, portanto, sentar na cama, pegou um cachimbo e, meticuloso, encheu-o de tabaco. Cruzou as pernas curtas, buscando um ar intelectual que, definitivamente, não combinava com ele. Disse-nos que iria para Teerã; quem sabe, mais adiante, até o Afeganistão. Era um tipo falante, com teorias para tudo. Ou seja, que dava grandes voltas para discutir qualquer assunto. Topou de cara dividir o custo da gasolina e seguir conosco.

Sigam o relato:

Sigam esta aventura de carro pelas estradas da Ásia atravessando o Oriente mágico e éxotico que encantou milhares de jovens europeus. Uma experiência vivida pelo autor do livro “A Vaca na Estrada” por países como Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, ÍndiaNepal
Veja a continuação desta postagem: Rumo a ankara

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