Livro: A Vaca na Estrada

012 “De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Paquistão

A fronteira entre Afeganistão e Paquistão

No começo de uma tarde nublada atingimos finalmente a divisa afegã-paquistanesa. Uma nova etapa!
O Paquistão correspondia à área mais ocidental do Império Britânico das Índias. Também fizeram parte do território a Índia e, no extremo leste, o Bangladesh.
Abaixo: Mapa do Paquistão

Uma divisão religiosa

Certas regiões, da enorme colônia britânica, porém, eram majoritariamente hinduístas e outras, minoritárias, islâmicas. Ou seja, enquanto os hindus eram maioria no território correspondente à Índia de hoje, os muçulmanos se concentravam nos atuais Paquistão e Bangladesh. Na realidade, porém muitas áreas eram ocupada por ambas as religiões.

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Paquistão: maioria islâmica

Embora muito menos populoso do que a Índia, o Paquistão, temujma população de mais ou menos 170 milhões de habitantes. A maioria é composta por muçulmanos É, aliás, o sexto país do planeta em população, logo depois do Brasil. Em breve, os paquistaneses serão mais numerosos do que nós. Afinal, sua taxa de natalidade é inclusive superior à brasileira.

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A alfândega paquistanesa

Do lado paquistanês da fronteira, as formalidades alfandegárias foram um tanto longas e cansativas. Assim, revistaram a fundo nossa bagagem. Em seguida vistoriaram nosso carro. Ou seja, buscavam haxixe, o que eu já estava careca de saber. Também, para minha surpresa ,procuraram revistas pornográficas. Sem problema! Ou seja, não tínhamos uma coisa nem outra. Porém, como vim a saber depois, aquele circo tinha outra intenção. Ou seja, o que mais queriam era um pretexto para extorquir os estrangeiros. Se achassem algo, creio, aliás, que, em primeiro lugar, fumariam o haxixe. As revistas utilizariam como inspiração para algum prazer solitário. Afinal, estávamos em um país onde homem solteiro não sabe direito o que é uma mulher.

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O Brasil fica mais distante

Mais uma fronteira depois que deixara Paris. A oitava, em um roteiro que incluíra a Alemanha, a Áustria, a Iugoslávia, a Bulgária, a Turquia, o Irã e o Afeganistão. Em Paris, estavam muitos amigos brasileiros e franceses. E, igualmente, sentia-me mais perto do Brasil. Em suma, podia falar mais facilmente, a qualquer momento, com parentes e amigos. Por isso, a cada fronteira que eu atravessava, o Brasil ficava, em todos os sentidos. Mais distante a cada nascer do sol.

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Paquistão, pra lá do fim do mundo…

O Afeganistão me pareceu o fim do mundo. O Paquistão ficava além do fim do mundo. Telefonar para o Brasil era uma epopéia. Só para ilustrar: uma carta enviada a amigos no Brasil, demorava demais a chegar. Em suma, levaria pelo menos uns quinze dias para chegar ao destinatário. Assim, às vezes, ao chegar na poste restante no corrreio de uma cidade em nosso caminho, nos supreendíamos. Sempre um pequeno maço de cartas nos esperava.
Mesmo para Paris, muito mais perto, uma carta tomava uma semana. Isso fazia com que eu me sentisse ainda mais isolado. Ainda mais, estava totalmente absorvido pela aventura na qual me metera,. Ou seja, pensava cada vez menos em São Paulo, em Paris, na minha vida por lá, concentrando-me na viagem.

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Vivendo o momento presente, a viagem

Só existia o momento presente. Ou seja, mal pensava em passado ou futuro. Só existia a estrada, a viagem. Eu curtia a aventura . Fazia igualmente minhas anotações com reflexões de todo tipo. Afinal, não é incomum que relatos de viagem sejam permeados de considerações existenciais, sociológicas, políticas. E também inevitáveis comparações com o Brasil. Em suma, uma viagem nos dá oportunidade de pensar na vida.

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Essa foto que tirei no aeroporto de Kopenhagen fala tudo…

Pensar, escrever, ler

Temos em certas viagens, além de tempo, a cabeça livre para refletir e escrever. Ler muito também. Assim, embora eu possa às vezes dar a impressão de estar me afastando do tema central, não acho que seja o caso. As reflexões sobre a vida, sobre o mundo e sobre nós mesmos fazem, aliás, parte da viagem. Sem perder minhas ligações com o Brasil e a França, sentia uma grande sensação de liberdade. O único contato com Paris e São Paulo, com parentes e amigos, eram essas cartas a que me referi. As tais que retirávamos na poste restante.

Nos adaptando ao clima

Mal entramos no Paquistão substituímos logo os jeans por conjuntos comprado em um mercado . Eram roupas locais, brancas, de algodão, leves, largas e confortáveis. Ou seja, uma túnica e uma calça. Perfeitas para o clima local, sobretudo no verão, de temperaturas elevadas.
Só turbantes não compramos… Aí já achamos que seria demais em matéria de fantasia! A maior parte do tempo estávamos sem camisa. Aliás, ainda assim, reclamando do calor úmido das planícies paquistanesas. Além disso, emagrecemos um tanto. Aliás, não nos preocupávamos sequer, em cortar cabelo ou barba. Devíamos, portanto, parecer shadus…

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O Vale do Swat: a sharia

No norte do Paquistão fica o lindo vale do Swat, que sempre atraiu turistas que visitam o país. Ou seja, trata-se de um vale rodeado de montanhas nevadas. Outrora era um paraíso turístico. Mas, o país enfrenta o crescimento de movimentos radicais islâmicos e a região acabou dominada pelo Talibã.

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Vale do Swat

A mão bruta do Talibã

Em 2009, sem conseguir conter o extremismo islâmico, o governo paquistanês chegou até mesmo a aceitar um acordo com o Talibã. Ou seja permitiram a implantação da sharia (leis islâmicas) nas áreas dominadas pelo grupo radical. Assim, o ensino leigo foi substituído pelo religioso. As escolas femininas foram também fechadas. Pessoas foram igualmente perseguidas. Alguns por não estarem usando o que os talibãns consideravam “roupas adequadas”.

“De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Rumo ao Paquistão – Vale do Swat

Tudo proibido

Igualmente, nada de festas, nada de cerveja, nada de música, nada de pegar na mão de uma amiga na rua. Um beijo em público, então, virou crime! O uso da burka tornou-se, da mesma forma, obrigatório. Turismo e talibã, porém, não combinam! Assim, os estrangeiros passaram a evitar a região.
Atualização: O Vale do Swat foi retomado posteriormente pelo exército paquistanês.

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A burka de volta

Um alfabético silábico

Que língua Bernard e eu utilizávamos para nos comunicar no Paquistão? O inglês, herança da colonização britânica, é de uso oficial. A língua nacional é o urdu, também utilizada no Pundjab indiano, a região fronteiriça. O urdu, muito parecido com o hindi, é falado por aproximadamente 40% dos indianos. O idioma é escrito em dois alfabetos. Um deles é o árabe, do lado paquistanês. O outro, o devanagari, do lado indiano.

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Urdu, hindi… No. Do you speak english?

Para cada pessoa que fala português no mundo, duas falam hindi. Não conseguíamos ler nada nem em urdu, nem em hindi. Ambas as escritas são silábicas e possuem um símbolo para cada som. Grosso modo, é, assim, como se existisse em nosso alfabético um ideograma para representar o som “ban” ou “ra” e não uma consoante e uma vogal. Felizmente, para nós, muitas placas eram escritas em inglês. Aliás, em lojas, hotéis e restaurantes sempre falavam algo da língua de Shakespeare. 

A situação da mulher no Paquistão

As leis islâmicas e também os costumes atrasados e machistas afetam principalmente as mulheres, no Afeganistão e no Paquistão. A situação é ainda pior no interior desses países, em regiões rurais atrasadas. Assim, em muitos aspectos a situação da mulher no Paquistão é ainda pior do que no Irã. No Afeganistão nem se fala. A mulher é quase uma escrava.

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A violência contra a mulher

Eu vira em Lahore mulheres jovens, de comportamento “moderno”. Eram, entretanto as oriundas de uma classe média alta. Mas a violência contra a mulher, apoiada na tradição islâmica local, era e ainda é comum. Já houve, inclusive, caso de mulheres terem sido expulsas de casa ou mesmo açoitadas por terem sido violentadas. No interiorzão do país, aliás, nem adianta dar queixa à polícia. Enfim, a situação da mulher paquistanesa só é um pouco melhor do que no Afeganistão. De qualquer forma, o radicalimo do Talibã sempre encontrou éco no interior do Paquistão.

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Sigam esta aventura de carro pelas estradas da Ásia. Atravessar o Oriente mágico e exótico que encantou milhares de jovens europeus. Uma experiência vivida pelo autor do livro “A Vaca na Estrada” por países como Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, ÍndiaNepal


Veja a continuação desta postagem:
A caminho de Rawalpindi

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