Ásia

Relato da Nossa Viagem na Pandemia – Parte 4 | Viagem na pandemia em Cambodia

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Angkor Wat – Cambodia

Por volta de meia-noite um ônibus-cama veio nos buscar em nosso hotel Khaosan Art.
Não tínhamos mais notícias do que chamavam de “gripe chinesa“, mas ao subir no ônibus, porém, tiraram nossas temperaturas e na fronteira igualmente. Poucos, entretanto usavam máscaras, álcool gel etc.

Siem Riep

Em Siem Reap achamos um hotel decente, o Onederz, por 22 dólares. Ao lado da recepção o hotel possui salão descontraído, gênero mochileiro, com plataformas cobertas por tatames e almofadões onde o pessoal se espalha preguiçoso. O hotel, ocupa dois prédios, um de cada lado da rua, perfeitamente modernos, limpos, com duas piscinas.

Hotel Onederz em Siem Riep

Por quinze dólares o mesmo motorista de tuk-tuk que nos trouxe da rodoviária até o hotel, Sam, passou o dia todo conosco em Angkor Wat.
Trata-se de uma longa visita. O templo, como dissemos, é enorme, cheio de corredores e passagens, além de escadarias íngremes. Essa visita, porém, estava fazendo falta em nosso curriculum de viajantes.
Paramos para almoçar com Sam e continuamos a visita até o final da tarde, exaustos.

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Nosso motorista, Sam

Viajando pelo Cambodia

Siem Reap é uma cidadezinha simpática, a preferida dos estrangeiros que visitam Angkor Wat, lotada de barzinhos, pequenos restaurantes, lojas e muito agito, sobretudo na Pub Street. O nome, afinal, já diz tudo. Queríamos, entretanto visitar um pouco mais o país.

Rumo a Koh Rong

Pensamos em dar uma olhada no litoral cambodiano.
Quem primeiro nos falou dessa ilha de Koh Rong foi um amigo italiano com quem fizemos amizade em Katmandu. Ele tinha planos de montar uma pizzaria por lá e nos deixou seu endereço. Assim, de Siem Reap pegamos um ônibus noturno, com beliche, até o ancoradouro da ilha de Koh Rong.

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Ônibus noturno com belixe liga Siem Riep ao litoral

A ilha camdodiana lembra em muito as do sul da Tailândia, uma espécie de paraíso tropical. Ao contrário, porém, da Tailândia, era frequentada por um público mais informal. Assim, á noite, rolava junto da praia da cidade uma espécie de feira de artesanato com um pessoal woodstokiano de rabo de cavalo e tranças, as meninas de cabelos verdes ou roxos… Gente de muitos países diferentes. Em suma, inútil dizer que ervas estranhas eram fumadas em todo lugar.

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Praia em Koh Rong

O visto vietnamita para uma fronteira fechada

Dez dias foram assim suficientes para Koh Rong. Afinal, decididos a visitar o Vietnã, fomos obrigados, para fazer o visto vietnamita, ir até a capital do Cambodia, Phnon Penh, outra viagem cansativa. Tivemos, ainda mais, uma péssima impressão da cidade, feia e suja, exceto o pequeno centro onde ficavam os estrangeiros e também as embaixadas.
Na Embaixada do Vietnã pagamos 100 dólares pelo dois vistos. Era só passar no dia seguinte para retirar os passaportes.

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Frustração

Foi o que fizemos. Combinamos, assim, com o motorista do tuk-tuk que nos levou á embaixada vietnamita, que viesse na manhã seguinte nos buscar para retirarmos os passaportes. Solicitamos igualmente que nos esperasse na porta da embaixada. Foi, afinal, super rápido. Minutos depois deixávamos a embaixada com os passaportes na mão. Seguimos imediatamente para a rodoviária reservar passagem para Ho-Chi-Min Ville (ainda chamada de Saigon). Não quiseram, porém, nos vender bilhetes para o Vietnã. A fronteira tinha acabado de fechar! Pagamos cem dólares por nada. Sem contar a exaustiva viagem de 6 horas de ônibus do litoral á capital. Podiam muito bem ter nos negado o visto, já que deviam saber que a fronteira ia fechar, e não, concede-lo sabendo de antemão que não poderíamos entrar no país.

O que fazer?

Frustrados, voltamos para Siem Riep, muito mais simpática, enquanto decidimos o que fazer. Tínhamos sonhado muito com os tais cruzeiros pela costa vietnamita, com paisagens deslumbrantes, pesquisado sobre o Vietnã, namorando fotos de lugares, como a famosa Halong Bay, no nordeste do Vietnã , com suas ilhas de calcário.

A pandemia se expande

Era o começo de um período surrealista. Surrealista para quem acabaria preso dentro de um apartamento no Brasil e no mundo todo e ainda mais para nós, tão longe de casa, sem saber o rumo que as coisas podiam tomar.
O que fazer? Na verdade, apesar, de gostarmos da Tailândia, o calor excessivo nos incomodava. Não podíamos ir para o Vietnã, nem para o Laos, que também havia fechado suas fronteiras terrestres.

Um plano B igualmente furado

Pensamos imediatamente num plano B para escapar do calor abafado de Bangkok: o Nepal. Apesar da primavera já ter começado no Himalaia, o clima era mais fresco. E o Nepal era, afinal, o começo de nosso caminho de volta para a Europa.
Assim, mandamos um e-mail para o consulado do Nepal em Bangkok para nos informar se o visto, antes feito ao desembarcar no aeroporto de Katmandu, teria que ser obtido em uma representação diplomática nepalesa. Ficamos surpresos por nos responderem tão depressa. Assim, uma hora depois recebemos um e-mail nos falando que poderíamos fazer o visto na Embaixada do Nepal em Bangkok. Exultamos!

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Nepal, um plano B que não deu certo

Nepal também fecha suas fronteiras

Assim, fechamos a conta no hotel em Siem Riep e pegamos um ônibus noturno para a Tailândia. No dia seguinte pela manhã já estávamos novamente no mesmo hotel e no mesmo quarto em Khaosan Road. De lá escrevemos para a representação nepalesa. Meia hora depois abrimos a caixa de e-mails do “Sonhos de Viagem“. Para nossa surpresa, a fronteira do Nepal acabava igualmente de se fechar ao turismo. Nos sentimos encurralados. Nos entreolhamos boquiabertos. E agora?

Uma proposta indecente

Na Europa outros países igualmente começaram a fechar suas fronteiras, várias companhias aéreas, inclusive a nossa, cancelavam voos.
Pior, escrevemos para o consulado brasileiro de Paris, tentando saber se agora era necessário visto para entrarmos na França. Nos responderam para falar com o consulado de Bangkok. Estes nos mandaram escrever para o consulado de Paris… Um ping-pong! Explicamos que já o fizemos. Nos passaram, dias depois, uma proposta da Ethiopian Airlines que tinha voo para o Brasil via Adis-Abeba. Onze mil reais cada passagem! Uma proposta indecente. Pela internet achávamos mais barato. Aliás, nós já tínhamos o trecho Paris-São Paulo comprado. Em suma: não nos interessava. Simplesmente, não podíamos contar com qualquer ajuda consular.

A FAB tem coisas mais importantes para fazer

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FAB tinha coisas mais importantes para fazer do que resgatar brasileiros

Logo a Tailândia fechou suas fronteiras e seus aeroportos. Felizmente estenderam o visto de todos estrangeiros por mais 3 meses. Ótimo, não tínhamos, entretanto, como voltar! Ou seja, mesmo as fronteiras terrestres estavam fechadas. E estenderam os vistos porque, com as fronteiras fechadas, não tinha outro jeito, senão jogar milhares de turistas no mar). E, afinal, a Tailândia vive, em boa parte do turismo e não interessava ao país se queimar com seu público.

Chuva de notícias ruins

Era o começo de uma chuva de notícias, ruins, incertezas. Tínhamos até medo de abrir nossa caixa de mensagens. Nossa agente de turismo no Brasil não conseguia remarcar nosso voo. Assim, os vouchers não saiam, as conexões não batiam. O que se comentava hoje não valeria amanhã. Em alguns países o número de infectados aumentava. No Brasil, principalmente, em razão do total desleixo governamental, somado à irresponsabilidade típica dos brasileiros, a pandemia estava em curva ascendente. Achamos, portanto, achando mais seguro dar um tempo na Tailândia, mesmo porque a Ibéria se recusara a antecipar a data de nosso voo para o Brasil, prevista para o dia 13 de abril, de Paris para São Paulo. Aliás, a própria Ibéria posteriormente cancelou esse mesmo voo com a explosão da pandemia. Não havia, portanto, nada a fazer, senão esperar.

Koh Samed

Esperar? Ok, mas onde? Melhor numa praia do que em Bangkok. Lembrei-me, então, de uma ilha bem agradável, Koh Samed, 200 km ao sul de Bangkok, onde eu já passara um tempo uma vez, um badalado point do turismo tailandês. Não havia nenhum caso de contaminação por lá. Assim, acabamos nos resolvendo: fomos para Koh Samed para esperar a retomada dos voos. A intenção era ficar uns dez dias apenas e levamos pouca roupa.

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Praia em Koh Samed

A ilha estava lotada de turistas, uma festa. Em um semana, entretanto, com cada vez mais restrições para se viajar pelo país, Koh Samed foi se esvaziando. Logo fechou-se completamente ao turismo. Ninguém, portanto, entrava nem saía. O serviço de ferries para a ilha foi suspenso. Alugamos Em suma, ficaríamos muitos meses aprisionados em Koh Samed.

Veja nosso vídeo do canal Sonhos de Viagem. Sobre Samed e o nosso Blog sobre a experiência de ficar preso em uma ilha paradisíaca.

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