Livro; O Ouro Maldito dos Incas

OM – 010- Anno de 1531 – “O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

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“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

O apoio de Ponce de León e Hernando de Soto

A expedição ainda estava sendo organizada quando dois aventureiros bem conhecidos na colônia – Ponce de León e Hernando de Soto – chegaram da Nicarágua. Os dois, que, aliás, tinham enriquecido com o comércio de escravos índios, já conheciam Pizarro e, assim, logo se interessaram em participar da empreitada. Afinal, boatos sobre a existência de ouro no litoral do Mar Oceano circulavam cada vez mais no Panamá.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Em troca de parte dos lucros, Ponce de León e Hernando de Soto ofereceram embarcações, dinheiro, homens e armas. Era tudo, aliás, que Pizarro, Almagro e Luque precisavam. Afinal, temiam que fôssemos em número insuficiente para a tentativa de conquistar os territórios no litoral do Mar do Sul. Ou seja, nem sequer sabíamos o que nos aguardava, nem quantos guerreiros esse povo dispunha.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

As exigências exageradas de Ponce de León e Hernando de Soto

Porém, soldados que conheciam detalhes do acordo firmado achavam as exigências de Ponce de León e de Hernando de Soto exageradas. Um deles ironizou:
Pode ser, mas na hora nem Almagro nem, aliás Pizarro cumprirão plenamente o combinado…
Os dois não cumprem sequer o que combinam entre si, resmungou um dos homens. Ou seja, como tudo se sabia na colônia, a negociação logo virou motivo de chacota entre soldados e marinheiros que frequentavam as tavernas baratas do porto.

Briga de bar

Um comerciante madrilenho, sentado à mesa ao lado da nossa, comentou que os dois estavam a vender a Ponce de León e Hernando de Soto, ovos que a galinha talvez nunca chegasse a botar. Pablo o encarou irado. Afinal, nós éramos parte interessada e acreditávamos na expedição. Se não tivéssemos essa esperança, do que viveríamos? Por pouco não saiu uma briga. Pareciam dois galinhos de briga se encarando feio. Pablo, que sempre se mostrava valente quando me tinha a seu lado para defendê-lo se preciso fosse, chegou, assim, a trocar insultos com o homem.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Eu, porém, considerava que brigas poderiam, entretanto, atrair problemas com o governador. Afinal, ele não via com bons olhos nossa viagem. Preferi, portanto, acalmar, meu primo. Voltei-me assim para ele:
Não lhe dê importância, a esse homem, Pablo… Voltaremos ricos, enquanto ele continuará a vender seus negros no mercado.

Acordo fechado

Acordo fechado, Ponce de León e Hernando de Soto entregaram navios a Pizarro e, assim, voltaram à Nicarágua para buscar mais soldados. Um aperto de mão formal, assistido por todos nós, selou dessa forma solenemente o acordo entre eles.
Almagro e Luque ficariam no Panamá, onde arregimentariam homens e comprariam escravos e cavalos, e nós partiríamos rumo ao Mar do Sul com as tropas que tínhamos conseguido reunir.
O padre Luque, porém, não veríamos mais: morreu logo depois.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Agora mais fortes, com o apoio de Ponce de León e Hernando de Soto, em janeiro de 1531, aproveitamos os ventos favoráveis daquela época do ano e deixamos o Panamá em três naves. Daquela vez, porém, tínhamos cerca de 180 homens e 37 cavalos. Estávamos também mais equipados. Talvez não fosse o suficiente para ocupar o Pirú, mas era o bastante para iniciar o reconhecimento dos territórios e, talvez, com sorte, conquistar posições. Também levamos para as novas terras um bom número de cabras e porcos. Trouxemos conosco igualmente vários cães grandes e ferozes adestrados por Hernando Pizarro.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Embarcar a indiazinha?

Pablo quis embarcar a indiazinha, mas Pizarro, porém, o proibiu.
Fora de questão!
As ordens, aliás, eram de levar conosco apenas os intérpretes. Consolei-o:
Moças melhores do que essa e em número muito maior certamente você encontrará no Pirú. E, essa, aliás, creio que está grávida de novo. Ao me despedir dela, notei, com toda certeza, que sua barriga crescera.

E agora?

Pedro levou a mão à cabeça:
E agora?
E agora, nada. – respondi. Estamos partindo. – Um dos padres deve vir buscá-la. Cuidarão dela e da criança. Produzimos mais um súdito para o rei Carlos e mais um fiel para a Santa Madre Igreja… Só isso, homem.
Pablo olhou para a índia com o rabo dos olhos.
Será que essa criança, se for homem, será parecida comigo ou com você?

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Dei risada:
Comigo, se tiver sorte. De olhos puxados, é claro!
Da popa do navio dei uma última olhada para o pequeno porto junto ao Pacífico. O vilarejo, enfim, se limitava a uma centena de casinhas tristonhas e sem personalidade e a pracinha onde comerciantes vendiam frutas, artigos trazidos da metrópole e escravos africanos e índios.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Enquanto o navio se afastava lentamente de Madre de Dios, Pablo apontou para o tal comerciante da taverna com quem quase brigara. Em pé, junto de seus negros, o homem esforçava-se, tentando vender uma mula velha a um freguês meio desinteressado.
Vou voltar rico e esfregar meu ouro na cara desse filho de uma cadela!

Felipillo

Continuei com meu primo, a me ocupar de nossos índios-intérpretes – José e Miguel. Felipillo, porém, depois da viagem à Espanha, passara a acompanhar Pizarro. Eu, aliás, já notara: o índio era do tipo aproveitador e espertalhão. Procurava, portanto, vantagens para si, e deve ter percebido que a melhor coisa a fazer era manter-se perto do Velho.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto
Fellipilo

Tivemos muita sorte com os ventos. Dessa forma, em menos de duas semanas chegamos ao norte de Tumbes e descemos a costa. Um grupo, porém, foi por terra e o restante dos homens permaneceu a bordo dos navios. Assim que desembarcamos, nossos intérpretes nos contaram que Tumbes fora há alguns anos submetida e anexada à região dominada pelos incas.

Chega de ser bonzinhos

Dessa vez, entretanto, as ordens de Pizarro não eram para nos mostrarmos bonzinhos. Ele queria resultados, ouro, que nos deveria ser entregue por bem ou por mal. Ou seja, era preciso voltar ao Panamá com alguma riqueza.
Se esta expedição fracassar, não teremos outra chance. Ou seja, voltamos com ouro ou morremos. – avisou-nos, muito sério.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto -Santiago o monge guerreiro na Espanha católica

Encarou-nos a todos nós, olhando nos olhos de cada um, mãos na cintura. Respirou fundo. Depois puxou devagar sua espada:
Que Santiago esteja conosco!
Que Santiago esteja conosco! – repetiram todos.

Os “selvagens”…

Em certos trechos vimos ao longe canoas com nativos que partiam ao nosso encontro. Eram, entretanto índios comuns, “do mato”, atrasados, e pareciam mais curiosos do que belicosos. Não eram, portanto, os que procurávamos. Alguém ao meu lado comentou em espanhol, com forte sotaque. Reconheci a voz de Felipilo.
São selvagens da floresta. Não percam tempo.
Olhei-o com o canto dos olhos. Felipillo ia, assim, aos poucos ia se mostrando.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Um império avançado

Notei da parte de nossos intérpretes que eles, mesmo não gostando dos quéchuas, que os dominavam, sentiam- se parte de uma civilização bem mais avançada. Ou seja, sabiam que eram parte do imperio inca. Não apenas Felipilo, mas, igualmente, os demais, tinham, aliás, a tendência a desprezar as tribos mais atrasadas que habitavam cabanas toscas na selva e sobreviviam apenas da caça, pesca e da coleta. Ou seja, nem possuiam uma agricultura digna desse nome.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Descemos o litoral até chegarmos a uma aldeia abandonada, que José disse chamar-se Tamez. Creio, enfim, que os índios, sabendo de nossa aproximação, resolveram abandonar o povoado. Pelo menos, porém, encontramos frutas, como ameixas e goiabas, além de milho e também cerãmicas com água. Ou seja, procurando por ouro, tivemos que nos render entretanto à necessidade. Afinal, estávamos quase sempre famintos e sedentos.

Mosquitos infernais, sem água, nem comida

A primeira coisa de que precisávamos era, portanto, água e comida.
Os mosquitos eram também um problema. Carlos, um baixinho da Galícia, encontrou uma solução: passou barro no rosto. Apesar de rirmos de sua aparência, descobrimos que a invenção do galego funcionava e passamos todos, também a fazer o mesmo.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Um dia perguntei a um dos curas:
Padre, por que Deus, que criou toda a vida na Terra, fez também os mosquitos?
O cura me olhou muito sério um momento, depois disse:
Sei lá, filho, por que Deus fez mosquitos… Deve ter sido para nós, pecadores, purgarmos nossos pecados!

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Canceví

No lugarejo seguinte, Canceví, igualmente abandonado, encontramos pés de frutas que os índios consumiam muito por lá, o abacate e a goiaba. Álvaro de Toledo, o jovem soldado madrilenho, achou espigas de milho dentro de um vasilhame de barro em um canto da cabana. Não havia, aliás, muita coisa nas casas, apenas cerâmicas e outros objetos sem interesse. Nada de água fresca, vital para nós e para os animais – cavalos, porcos, cabras – que trazíamos conosco.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Para onde seguir?

Simplesmente não sabíamos em que direção seguir. Dessa forma, precisávamos encontrar pessoas da região. Eu, em contato com os índios os intérpretes, já havia aprendido igualmente muitas palavras de quéchua. Assim, fui escalado para participar da pequena tropa que faria um reconhecimento do território. Apesar de já saber que a língua quéchua era falada em todo o” Pirú”, José me informara que cada lugar tinha igualmente sua língua natal. Ou seja, no conjunto, essas tribos falassem centenas de idiomas diferentes.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Ponce de León e Hernando de Soto

Inundação inesperada

Estávamos então bem desanimados: – em suma, nada de cidade, nada de ouro, nada de comida. Num final de tarde encontramos um canal seco de terra plana, que consideramos um local ideal para acamparmos. Ou seja, de longe, poderíamos ver alguém se aproximando. Por falta de conhecimento da região cometemos, porém, um grande erro. No final da madrugada fomos surpreendidos por uma inundação provocada por uma tempestade repentina. As águas começaram a subir com muita rapidez, transformando nosso canal numa verdadeira torrente. Com isso perdemos um dos nossos homens, um soldado da Estremadura, que se afogou.

Siga o relato: Fome crocodilos

Como um analfabeto no comando de menos de duzentos homens, com pouca ou nenhuma experiência militar, conseguiu dominar um império de doze milhões de pessoas ?

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