Livro; O Ouro Maldito dos Incas

OM 001- Anno de 1527 – “O Ouro Maldito dos Incas” – Ouro e aventura

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Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

Lúcio Martins Rodrigues

Meu nome é Pedro Garcia

Ouro e aventura: uma apresentação. meu nome é Pedro Garcia, sou andaluz. Meus irmãos, tentavam arrancar seu sustento de um pequeno comércio familiar em Sevilha. Eu, porém, resolvi partir. Ou seja, abandonar a Espanha.
Ouvíamos sempre falar de reinos nas Índias Ocidentais. Eu escutara que, até as ruas eram calçadas com metais preciosos. Todo mundo dizia conhecer alguém que voltara de lá esbanjando riqueza. Em suma, impressionando o
povo.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

Essa possibilidade, inegavelmente, me excitava. Assim, também, como a outros jovens espanhóis, que sonhavam em se tornar ricos. Queria ouro. Muito ouro.
Meus irmãos eram, porém, pouco ambiciosos. Eu não. Assim, encarregado de abastecer a adega de padres de um mosteiro da região, aprendi com eles a ler e a escrever. Queria me aventurar, mas sentia-me um ignorante. Por isso mesmo pedi aos religiosos que, igualmente, me passassem noções de geografia, história e aritmética.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” – Ouro e aventura

Os religiosos também me mostraram mapas e me ensinaram assim, onde ficavam a Espanha, o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo. Enfim, meu pai, vendo meus progressos, deixou-me estudar. Afinal, isso poderia, de algum modo, ser útil ao seu comércio. Essa oportunidade ampliou, portanto, meu pequeno mundo, até então limitado à Andaluzia e à Estremadura. Os curas igualmente me ensinaram sobre a importância dos soberanos Fernando de Aragão e Isabel de Castela, os Reis Católicos. Foam eles, em suma, que recuperaram a parte do território espanhol em poder dos mouros.

Os Reis Católicos

Antes deles – me dissera padre Ramirez, um de meus mestres – tínhamos por aqui numerosos árabes e também judeus, que eram demais em nosso país. Ou seja, povos com diferentes crenças numa mesma nação não é bom. Nossos Reis Católicos expulsaram os mouros e, generosos, deram, uma chance aos judeus. Bastava se converterem à Verdadeira Fé.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura
Fernando e Isbel, os Reis Católicos

Entretanto, no lugar de aproveitarem a oportunidade para se redimir, muitos desses falsos conversos aceitaram o cristianismo apenas da boca para fora. Ou seja, iludindo a boa-fé da Santa Madre Igreja, enquanto conservaram em segredo seus rituais profanos. Foi, portanto, contra nossa vontade que tivemos de agir e mandar alguns para a fogueira. Além, é claro de bruxas com seu gatos pretos.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura A Inquisição

Isso fez com que os demais judeus tratassem aliás, de escapulir para Portugal. Não fosse assim, não teríamos uma Espanha unida em torno de um rei e de uma religião. Lembro-me que um dos curas apoiara amão em meu ombro e dissera:
A Espanha que você conhece, meu filho, é, esta. Em suma, criada pelos Reis Católicos. Assim, que Nosso Senhor abençoe suas almas!

Ouro e aventura: o sucesso espanhol no México

Os padres também excitaram minha imaginação falando do sucesso das armas espanholas nesse novo continente descoberto há menos de três décadas. Contaram-me das riquezas que existiam por lá e, igualmente, do empenho da Igreja em converter os índios ao cristianismo. Como Hernando Cortez já fizera nesse território que um dia chamaríamos de México.

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A conquista do Império Asteca, no México

Tudo isso, inegavelmente, me pareceu fascinante. Chegava, assim, a sonhar acordado pensando nesses reinos misteriosos que existiriam do outro lado do mar oceano. Via-me, espada nas mãos, enfrentando selvagens em terras distantes. Queria ser um soldado espanhol a serviço do rei e da Igreja. E claro, ter algum ouro. Não conseguia, portanto, mais ver graça na minha vidinha diária sempre igual em Sevilha. Queria viajar.!

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

A Nova Espanha – (México)

Veteranos de Cortez, da mesma forma, encheram minha cabeça falando das riquezas da Nova Espanha conquistada também pelos espanhois. Ou seja, se tanta gente voltara rica à Espanha, por que esse não seria meu destino? Queria ser como eles. Quando completei vinte anos me decidi. Em suma: se em algum lugar daquele novo continente houvesse ouro, eu gostaria de estar presente.
Não queria partir sozinho, porém. Mas, nenhum irmão quis me acompanhar. Pablo, entretanto, meu primo de dezoito anos, o fez. Enfim, creio que consegui transmitir meu entusiasmo a ele, impressionando-o. Talvez, também, exagerando os relatos que escutara.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura O Império Asteca, tomado pelos espanhóis de Cortez

Embriagados

Parcialmente embriagados em tabernas de Sevilha, passamos, quando não estávamos bebendo vinho barato com putas baratas, a falar igualmente sobre esse ouro que nunca víramos.
Vou morar em um palácio. Não vou mais precisar, portanto, trabalhar pesado tantas horas por dia, como meus irmãos. Logo seremos uma família rica. Vinhos, só os mais finos. Afinal, quem tem ouro neste país, tem tudo.
Pablo passou a mão pelo rosto gordo salpicado de espinhas da idade.
Eu quero passar bem. Ou seja, só comer do bom e do melhor.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” – Ouro e aventura

E ter também um monte de mulheres. Bonitas, porém. Não como essa puta velha meio desdentada com quem fodi. E, ainda mais, ter um pedaço de terra.
Caçoei:
Terra na Espanha é para fidalgo e para a Igreja, homem.
Bebeu um gole do vinho barato que conseguíamos pagar.
Com ouro, serei fidalgo.

Dificuldades familiares

Pensar em viajar foi fácil. O difícil, porém, foi falar sobre isso com nossas famílias. Aliás, meu pai, logo que soube desses planos, irritou-se:
Em resumo: vai abandonar o comércio da família para morrer numa terra estranha? Por acaso lhe falta pão nesta casa?
Abaixei a cabeça.
Pai… Quero mais do que pão. Se tiver sucesso por lá posso igualmente ajudar todos nós. – Acrescentei, com um sorriso confiante:

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

E também não vou morrer. Aliás, se isso ocorrer será pela vontade de Deus, Nosso Senhor, porque cada um tem sua hora.
Conversamos outras vezes, mas no fim consegui convencê-lo. Creio, talvez, que passou igualmente a me apoiar. O mais doloroso, porém, foi falar com minha mãe:
Você vai deixar sua mãe, meu filho?
Eu voltarei para a Espanha, prometi.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura


Ela, entretanto, não perdeu a chance:
Estarei viva quando você voltar? Depois que sair desta casa para embarcar você tem certeza, meu filho, de que verá sua mãe de novo?
Eu a abracei e passei as mãos por seus cabelos. Eles começavam a se tornar grisalhos:
Não diga isso. Com toda certeza, a senhora estará bem viva quando eu voltar.
EventualmenteDeus queira; murmurou chorosa.
Saí vagando por Sevilha, deprimido. Minha mãe, com seu jeito sofrido, dominava assim toda a família…

Ouro e aventura: vai desistir, Pablo?

Segui na direção da casa de Pablo. Encontrei-o, assim, no caminho após virar uma esquina.
Seus pais me acusavam de tê-lo convencido a partir comigo. Era, aliás, verdade. Não queriam, portanto, me ver. Sua mãe, igualmente, chorava sem parar. Seu pai tinha lhe avisado: se voltasse pobre e doente para a Espanha, que não o procurasse! Sondei meu primo, com o coração meio apertado. Afinal, não queria partir sozinho.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

Meu primo, meio baixo e gorducho era também bem humorado. Ignorante, eventualmente, em muita coisa, mas esperto em outras, sobretudo em negócios.
Quer desistir?
Ele pensou um momento. Para ele partir devia também estar sendo uma decisão sofrida.
Não. Eu preciso ficar rico.

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Tereza, a prima prometida

Quem ficou furiosa foi minha prima Teresa. Nossas famílias, como era o costume, já tinham arranjado o casamento: ela era, assim, a minha prometida. Eu gostava dela e sentia muito desejo pela moça. Era uma morena bonita de cabelos lisos. Mas, eu não estava porém, apaixonado o bastante para abandonar meu sonho de partir. Precisava conhecer esse novo mundo cheio de mistérios e riquezas.
Em poucos anos, certamente, voltarei rico.
Olhou-me irritada:
Poucos anos? Quem vai para lá fica muitos anos!
Teresa, do outro lado do mar há uma terra a ser descoberta e desvendada.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

Ela riu, debochada. Uma risada que eu conhecia bem, e que ocultava muito rancor.
Eu também estou pronta para ser descoberta e desvendada. Por você ou por outro.
Detestei sua frase. Ela falara aquilo para me ferir. Acabamos discutindo asperamente.
Você sabe, aliás, que não tenho como me casar agora, falei.
Eu falei: por você ou por outro. Não entendeu? Você quebrou uma promessa.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

Ouro e aventura: nos preparando

Tínhamos pouco dinheiro e roupas. Ou seja, duas calças e algumas camisas, além de nossos cinturões de couro e calçados. Como ouvíramos falar que gente armada era engajada mais facilmente, resolvemos, assim, comprar duas espadas de um fabricante mouro convertido. Não eram, certamente, da melhor qualidade, mas não nos custaram muito caro..
Passei a mão pelo corte das armas:
Acho que servem – disse, sentindo-me um verdadeiro soldado, um conquistador das Índias.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

Levei também comigo uma pequena pintura de minha mãe, feita anos antes, protegida por uma caixinha de bronze. Ela me deu também um crucifixo:
Isto o protegerá.
Meu pai me dera, aliás, um bonito par de botas. Enfim, um presente que deve ter custado caro para um homem como ele. Abracei-o forte. Disfarcei minha tristeza.

Ouro e aventura: as conquistas no México

As conquistas de Cortez no México inegavelmente alvoroçaram a imaginação dos espanhóis que viviam no Panamá. A colônia, ficava situada em uma faixa de terra relativamente estreita. Assim, tínhamos estabelecido portos para nossos navios navegarem igualmente nos dois oceanos, o Atlântico e o Mar do Sul. (Nota do autor: O oceano Pacífico).
Conversei com veteranos da conquista do Império azteca no México. Um deles nos contou sobre os combates que participara. Cortez, garantiu a vitória espanhola quando conseguiu sequestrar o imperador Montzuma.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

O misterioso Mar do Sul

A costa norte do Atlântico, do Panamá ao México, já era, aliás, conhecida dos navegadores. O grande mistério era, porém, o Mar do Sul. Naquela época corriam no Panamá boatos sobre um povo tão rico quanto os astecas, que habitaria o litoral desse mar. Vasco Núñez de Balboa fora, porém, o único que navegou por pela costa. Parece ter encontrado indícios de ouro por lá. Não tardou, assim, para que comentários sobre reinos muito prósperos ao sul do Equador começassem a circular por Sevilha. Ou seja, cada um que escutava essas histórias as passava adiante, exagerando um pouco. Ninguém sabia nada ao certo, mas alguns garantiam ter ouvido falar que chegava a chover ouro e prata por lá.
Uma terra onde chove ouro! – maravilhou-se, imediatamente, meu primo.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

A despedida

Descobrimos em Sanlúcar de Barrameda, na foz do Guadalquivir, perto de Sevilha, uma nau que estava de partida para o Panamá. Um lugarejo chamado Nombre de Dios. Enfim, um pequeno porto na costa atlântica do Panamá. No dia seguinte, depois de uma melancólica despedida de amigos e famílias, embarcamos. Nunca apaguei de minha memória o olhar de minha mãe na porta de nossa casa de paredes caiadas, na rua poeirenta onde morávamos. Toda a família viera se despedir: meu pai, com seu rosto sério, meus irmãos, excitados com a minha partida. Nas janelas das casas próximas, vizinhos amontoavam-se, curiosos, acenando para nós. Quando eu os veria de novo? Meu cão, que catava pulgas com os dentes, era o único à vontade…

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

Deixando a Espanha

Outro momento inesquecível foi quando, já instalados a bordo, ergueram uma das velas, soltaram as amarras e o navio afastou-se devagar do cais.
Partimos. Senti apenas meu coração bater acelerado, enquanto via o velame ser levantado. A voz do piloto chegou-me distante:
Temos que aproveitar o vento!
Voltei-me para Pablo, a meu lado. Devia, aliás, estar sentindo o mesmo que eu. Não havia volta. Ele suspirou:
Enfim… Tudo isso está me dando até dor de barriga.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventuraDeixando a Espanha

Ano de 1527 – inverno

Estávamos no inverno de 1527. Era, aliás, a primeira vez que eu e Pablo atravessávamos o Atlântico. Detestamos, aliás, a experiência. A comida era igualmente pouca e ruim. A carne que consumíamos era salgada e nem sempre bem conservada. Ou seja, comíamos peixe, quando conseguíamos pescar, carne de porco salgada, lentilha e também biscoitos. Estes, porém, eram muito duros. Assim, para não quebrar os dentes, devíamos molhá-los no azeite. Depoi esperar ainda que amolecessem.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura Biscoitos de quebrar os dentes

Quem tinha mais recursos levara a bordo galinhas defumadas e pão. Esses alimentos, entretanto, não duraram nem sequer o primeiro terço da viagem. Ou seja, o problema era conservar alimentos frescos por um mês ou mais. Até a água era igualmente péssima e provocava frequentes diarreias em todos nós. Assim, uma plataforma de madeira perto da proa, projetada sobre o costado na lateral do navio, protegida por cordas, servia de latrina. Os detritos caíam no mar. Infelizmente, porém, havia uma só para uma centena de homens. E, ainda mais, quase todos sofrendo igualmente de problemas intestinais. Enfim, meu pai me alertara: essas viagens são sofridas!

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas”
Ouro e aventura

Doenças e piolhos

As enfermidades eram, portanto, comuns, principalmente a doença das gengivas (Nota do Autor: Escorbuto), que provocava pus e sangramento na boca, febre, dores no corpo e feridas que nunca cicatrizavam. Outras doenças comuns eram também a sífilis, que muitos marinheiros contraiam em bordéis da Europa, e a tuberculose. Ou seja, tudo doença contagiosa. Ou seja, se alguém a bordo começava a cuspir sangue, ninguém mais se aproximava do pobre diabo.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura
Escorbuto


Depois de alguns dias de viagem sentimos intensa coceira na barba e no couro cabeludo. Um marinheiro observou:
Pegaram piolhos.
Voltei-me para ele:
E agora?
Raspem tudo com navalha. Em resumo: barba, cabelo e até mesmo os pelos em volta do pau. Não tem outro jeito. Virou as costas e afastou-se.

Anno de 1527 –“O Ouro Maldito dos Incas” Ouro e aventura

Siga o relato:

A travessia do Mar Oceano

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Leia também neste blog o livro “A Vaca na Estrada“, uma viagem de Paris a Katmandu, no Nepal, de carro. Mais um livro, como este, totalmente ilustrado por imagens que acompanham o texto.

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