Livro; O Ouro Maldito dos Incas

006 – Anno de 1528 – “O Ouro Maldito dos Incas” – Volta ao Panamá

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“O Ouro Maldito dos Incas” – Volta ao Panamá

Já tínhamos as informações – a volta ao Panamá

Já conseguíramos finalmente as informações que queríamos para pensarmos na volta ao Panamá. Ou seja conseguir reforços. Esse contato com os nativos, portanto, foi super útil para nós. Ou seja, esses índios tinham ouro e verdadeiras cidades. Pizarro não achou, assim, necessário continuar descendo para o sul. Ou seja, preferiu voltar ao istmo com o que obtivéramos. Era preciso, portanto, agora organizar uma expedição e voltar com mais homens, armas, víveres e cavalos.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Volta ao Panamá

Com a boa vontade dos índios para conosco, pudemos assim deixar Molina e outro espanhol em Tumbes. Ou seja, demos meia volta e subimos o litoral até chegarmos à desembocadura do rio Yaguachi1, (Nota do autor. o rio Yaguachi fica junto à atual cidade de Guayaquil, no Equador). Foi, aliás, onde encontramos, mais uma vez, diversas jangadas com guerreiros. Portanto, ao que parece pescavam por ali ou se locomoviam acompanhando a costa.

Como sabem?

Estranho…, murmurei surpreso, olhando para Pizarro, que também se mostrou intrigado. Ele balançou a cabeça, concordando:
Aliás, o que parece já estavam nos esperando. Em suma, é como se soubessem de nossa chegada, murmurou um dos soldados, coçando a cabeça intrigado.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Volta ao Panamá

Ou seja, a notícia de que estávamos subindo a costa chegou antes de nós aos caciques incas. Espantoso! Aliás, nem mesmo na Espanha as novidades correm tão rapidamente de uma cidade a outra.
Só mais tarde saberíamos que os incas desenvolveram um sistema eficiente para se comunicarem. Ou seja, construíram estradas, algumas com escadarias montanhas acima. Dessa forma, seu imperador já estava informado de que percorríamos o litoral de seu território. Só posteriormente, porém, saberíamos que tinham mensageiros que se revezavam levando mensagens entre as localidades.

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“O Ouro Maldito dos Incas” – Volta ao Panamá

Os tallans, nossos intérpretes

Na ocasião, ainda sem conhecer o povo com quem lidávamos, não podíamos, aliás, supor que fossem capazes de tal proeza.
Precisávamos saber mais. Desse modo, recebemos nativos a bordo. Mais uma vez, aliás, trocamos presentes. Entre os artigos que nos foram oferecidos, alguns eram de ouro ou de prata. Outros eram belas peças tecidas com lã. Pareciam provas suficientes da riqueza daquela terra. Em suma, tudo o que Pizarro precisava para convencer os reis espanhóis a apoiá-lo.

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O aprendizado na volta ao Panamá

Na volta ao Panamá ficamos com os índios tallans que capturamos para servir de intérpretes. Infelizmente, entretanto ainda não falavam quase nada de espanhol. Só entendiam certos verbos e palavras mais comuns. Assim, o aprendizado continuou em Nombre de Dios. Pizarro, aliás, me escolheu como “professor” porque eu sabia ler e escrever e era o mais instruído de seus homens de confiança, em sua maioria uns brutos analfabetos.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Volta ao Panamá

De fato, dois em cada três de nós não reconheceriam o próprio nome em uma folha de papel. Suas instruções foram, aliás, bem claras:
Deixem os curas ensiná-los sobre Nosso Senhor Jesus Cristo e assuntos da religião. Para nós, importa é saber mais sobre esse povo. Em outras palavras, como são suas cidades, se têm pouco ou muito ouro, que armas possuem, se seu exército é numeroso. Em suma, é isso que precisamos, entendeu bem?

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Viracochas são mesmo deuses?

Na volta ao Panamá os nativos que preparávamos para trabalhar como intérpretes receberam nomes cristãos. Afinal, eram mais fáceis de pronunciar: José, Miguel e Felipe, logo apelidado de Felipillo. Eles já deviam, aliás, estar cientes de que não éramos deuses, mas outra raça de homens com suas qualidades e fraquezas. Afinal, viram espanhóis embebedando-se, mentindo, roubando, brigando entre si, arrumando encrenca e envolvendo-se em outras tristes situações.

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Deuses, afinal, não fazem essas coisas. Era inútil, portanto, tentar iludi-los. Sabiam apenas que éramos súditos de um poderoso reino do outro lado do mar e também que tínhamos uma religião que, para eles, era estranha. Mesmo convivendo com espanhóis no Panamá, ainda não conseguiam entender nossa fé. Assim, nos faziam perguntas ingênuas, como indagar se o Cristo pregado na cruz era um inimigo capturado que fora sacrificado.
Arregalei os olhos. O clérigo Luque, que estava ao meu lado, persignou-se.
– Blasfêmia! – gritou. – É o filho de Deus!

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Um cristianismo incompreensível para os índios

Ficaram por um instante em silêncio, assustados com o berro do religioso, até que um deles perguntou:
E quem o matou?
Os romanos e os judeus… Eles… – começou o religioso até que, olhando para Pablo e para mim, balançou a cabeça.
Meu Deus! Nunca vão entender nada! O que vocês andaram ensinando para esses selvagens? Nunca lhes falaram de Cristo? Que ele até andava sobre as águas?

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Levei às mãos à cabeça. Luque ia me deixar louco… Nem traduzi. Não entenderiam Cristo andando sobre as águas. Em suma, achariam que qualquer um consegue ficar em pé sobre uma piroga…
Luque me olhou com o rabo dos olhos:
Deixe pra lá… Assim não é possível!

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O básico

Expliquei, portanto, ao padre Luque que ainda era impossível ensinar a esses coitados algo tão profundo como o cristianismo.
Só entendem, por enquanto, os nomes de alguns objetos e verbos. Aliás, nem utilizam movel algum em suas cabanas… Tenho que apontar para uma mesa com bancos e fazê-os repetir. Compreendem apenas palavras simples, como água, comida, caneca, frio, calor, cidade, flecha, comer, ir, falar. Em suma, o básico do básico.

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Eu tinha certo cuidado ao lidar com religiosos, pois estava ciente de que a qualquer momento uma pessoa podia ser acusada de heresia. Esse era um zelo necessário até para mim, um homem temente a Deus. Como Pablo e eu tomávamos conta dos cativos, a contragosto chamávamos, assim, um pouco a atenção das pessoas da colônia. Sabe-se lá que histórias poderiam inventar. Por sorte estudara com padres e sabia, portanto como lidar com eles. Queriam evangelizar os índios, mas também gostavam de ouro e tinham seus interesses.

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Convencendo o religioso

Perdoe-me, padre. Com todo o ouro que esses gentios possuem, poderemos construir muitas igrejas, mosteiros… Quantas almas não poderemos salvar? Se esses nativos aprenderem espanhol, vão poder nos contar quantos guerreiros têm, que armas usam.
Não sabíamos, entretanto, quase nada sobre esse povo do Pirú. Pizarro nos dissera que talvez existisse nas montanhas um pequeno país com muito ouro. Padre Luque ficou um instante pensativo, quase sonhador.

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Apesar de ser um homem da Igreja, investira muito dinheiro próprio nessa empreitada e tinha seus interesses ligados à conquista. Colocou a mão no meu ombro:
Você tem razão. Ensine-os a falar espanhol que depois nós lhes ensinaremos sobre Deus. Sem ouro a Santa Igreja não pode conduzir a obra de Cristo.

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Pablo fica comigo

Embora meu primo e eu tenhamos nos incumbido de ensinar os nativos, Pablo, na verdade, lia mal e escrevia pior ainda (era quase ilegível o que escrevia!). Mas, consegui que ficasse comigo. Assim, escapamos os dois dos trabalhos mais pesados. Muitos soldados deviam cuidar de consertos e conservação das embarcações sob o sol escaldante do Panamá. Além disso, eu preferia ter Pablo sob meu controle a deixá-lo solto para arrumar confusão.

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Os índios e os cavalos

Um dia notei que, apesar de terem visto muitos cavalos, os índios capturados os observavam com curiosidade enquanto os animais pastavam.
Comem mato também, comentou um deles.
– O que você pensou que comiam? perguntei.
Carne…

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A falta de apoio do governador do Panamá

Tanto Pizarro como Almagro sempre acharam que o apoio do governador do Panamá não era grande coisa. O mandatário, apesar das evidências que lhes foram apresentadas, simplesmente proibiu Pizarro de tentar novas expedições. Era preciso, portanto, que um dos sócios fosse à Espanha e conseguisse uma audiência real na corte de Madri.

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Seria importante conseguir uma audiência na corte de Madri. Afinal, algumas coisas mudaram. Tínhamos, assim, o que apresentar na corte real. Com as provas que tínhamos em mãos – objetos e enfeites de ouro – seria muito mais fácil obter o apoio real. Esse apoio seria, aliás, indispensável para organizar nova expedição bem equipada, com mais homens, cavalos e armas.

Pizarro segue para Madri

A escolha de Pizarro para tentar a sorte na corte me pareceu acertada. Almagro não causava, aliás, boa impressão. Ou seja, era, feio e, ainda mais, tinha igualmente o rosto desfigurado por uma seta que o deixou caolho. Ou seja, sabendo disso, ele próprio propôs que seu sócio tentasse a empreitada. E, creio eu, porém, que se arrependeu-se mais tarde de sua proposta.

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“O Ouro Maldito dos Incas” – Volta ao Panamá


Só para chegar à Espanha, Pizarro precisaria, dependendo dos ventos favoráveis, de umas oito semanas. Embora esperassem que ele trouxesse reforços – homens, armas, e cavalos – seus sócios encarregaram-se de, discretamente, recrutar marinheiros e soldados no Panamá e já ir reservando equipamentos e provisões para a futura expedição. Nós sempre os vimos conversar com marinheiros, negociar, propor. Almagro sabia melhor do que ninguém como cuidar desses assuntos.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Volta ao Panamá

Nós sempre os vimos conversar com marinheiros, negociar, propor. Almagro tinha mais visão comercial. Em suma, sabia melhor do que ninguém como cuidar desses assuntos. Assim, foi Pizarro quem seguiu para Madri em setembro de 1528. Assim, tentaria uma audiência com o Rei Carlos V. Enquanto isso Almagro, Luque e nós, soldados, esperávamos ansiosos no Panamá. Felipillo foi convidado a acompanhá-lo. José e Miguel, porém, ficaram comigo.

“O Ouro Maldito dos Incas” – Volta ao PanamáCarlos V, da Espanha

Siga o relato:

Como um analfabeto no comando de menos de duzentos homens, com pouca ou nenhuma experiência militar, conseguiu dominar um império de doze milhões de pessoas ?

Siga a continuação desta postagem: A mucama índia

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