Livro; O Ouro Maldito dos Incas

003 – Anno de 1527 “O Ouro Maldito dos Incas” – A chegada ao Panamá

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A chegada ao Panamá

Um dia, enfim, avistamos terra: era a chegada ao Panamá, nosso destino. Posteriormente, dias mais tarde, a vila de Nombre de Dios ao longe. Chegáramos, enfim! Como Pablo e eu, muitos pulavam de alegria e se abraçavam. Aquela travessia fora a etapa inicial de nossa aventura. Estávamos, portanto chegando a outro mundo, diverso daquele que conhecíamos. Não sabíamos, porém, o que nos aguardava.

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Lúcio Martins Rodrigues

Panamá

A chegada ao Panmá, primeiro contato com o noov mundo. À medida que nos aproximávamos da costa, as águas tornavam-se esverdeadas, de um tom esmeralda que nunca víramos antes. Deparávamos, igualmente, com a luxuriante vegetação dos climas quentes e úmidos,. Muito diferente, portanto, de nossa seca Andaluzia. Eram praias desertas lindas, um mundo que nem sabíamos que existia. Nem o Mediterrâneo era assim.

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“O Ouro Maldito dos Incas”: A chegada ao Panamá
Foto:”Fortaleza espanhola no Panamá

Nombre de Dios

O povoado de Nombre de Dios era composto principalmente por cabanas cobertas de palha. Quando atracamos no pequeno porto vimos que boa parte do povo era constituída por alguns escravos negros índios seminus e descalços, mais comuns do que na Espanha. Aliás, daquele lado do oceano, mesmo os espanhóis vestiam-se também com maior simplicidade. Alguns, ainda mais, pouco à vontade, transpiravam em suas roupas impróprias para o clima.

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“O Ouro Maldito dos Incas”: Panamá, um outro mundo.

Índio tem alma?

Nós nunca tínhamos visto um índio. Os que viviam na aldeia, quase todos tinham sido capturados e escravizados pelos espanhóis. Sua pele era mais escura do que a nossa, mas não eram, entreetanto, escuros como os africanos. Ou seja, os traços marcantes eram os olhos amendoados e os cabelos pretos, lisos e compridos. Exceto por uma ou outra, suas mulheres não eram, porém, bonitas

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Prefiro as espanholas – disse Pablo.
Eu também. Mas por aqui não tem.
Acha que esses índios são gente igual a nós? Será que eles têm alma?
– Como nós, não… Mas são gente, também. Como os negros, por exemplo. Por isso acho que podem ter alma. Talvez uma alma diferente da que nós temos.
Não gosto muito dos negros – disse Pablo. – São escuros demais.
Dei uma boa risada:
Claro que sim. Se são negros!

“O Ouro Maldito dos Incas”:

Enfim, comida de verdade!

Escravos índios e africanos enviados por seus senhores ficavam à espreita dos que desembarcavam das naus. Mal demos os primeiros passos pelo cais e logo deparamos com eles oferecendo frutas desconhecidas, galinha, mandioca assada e outras iguarias. O odor era irresistível! Ou seja, seus senhores eram espertos: sabiam das privações que passamos a bordo e da ânsia por comida fresca. Assim os recém-chegados se amontoavam em torno dessas banquinhas, sem se preocuparem em saber se estariam pagando muito caro por frutas, abundantes no país, ou por uma simples coxa de frango.

“O Ouro Maldito dos Incas”: Chegada ao Panamá, comida de verdade

Em primeiro lugar nos saciamos, comendo galinha frita com mandioca muito consumida na colônia do Panamá. Um escravo índio ocupava-se de fritar e vender o que era para nós iguarias. Posteriormente, perambulando pelo cais, fomos saborear igualmente algumas frutas em um canto do molhe, junto a barris de vinho que acabavam de ser desembarcados.

Recrutados

Devorávamos bananas, quando fomos abordados por um careca barrigudo que tinha uma cicatriz vermelha na face. Examinou-nos como se estudasse nossas aptidões, depois disse que estava engajando homens para uma expedição pelo Mar do Sul. O indivíduo, de pele gordurosa, era, em suma, um recrutador que ficava no porto esperando navios que chegavam da Espanha.
Propûs a Pablo que colocássemos os dois capacetes militares espanhois em Sevilha, que trouxemos conosco.
Vamos sair com eles na cabeça. Ficamos com mais cara de soldados…

“O Ouro Maldito dos Incas”: a chegada ao Panamá

Ouro à espera dos corajosos

Há muito ouro esperando por homens corajosos – disse.
Voltei-me para meu primo:
Você é corajoso, Pablo?
Sou – disse ele, batendo no próprio peito e mostrando a espada vagabunda que compramos em Sevilha.

“O Ouro Maldito dos Incas”: Sabre espanhol

O rosto do careca se iluminou:
É de gente assim que precisamos. Sabem montar a cavalo?
Confirmamos. Não éramos exímios cavaleiros, mas, enfim, sabíamos montar.
Aceitamos a proposta. Era o que buscávamos: teríamos um pequeno soldo, comida e, principalmente, participação no ouro que fosse encontrado. Assim, dias mais tarde, já fazíamos parte de um grupo de soldados que, sem nenhum treino, seria embarcado no porto situado no outro lado do istmo, para explorar o litoral do Mar do Sul. Não nos deram, porém, sequer uma arma. Por sorte, porém, tínhamos os dois sabres que compráramos antes de partir.

A chegada ao Panamá: travessando para a costa oriental

Depois de uns dias em Nombre de Dios, por onde ficamos andando sem ter muito a fazer, atravessamos as doze léguas do istmo do Panamá, que separa os dois oceanos, para chegar ao Mar do Sul (Nota do autor: o Oceano Pacífico). A viagem levou apenas três dias, mas foi penosa por causa do caminho barrento, dos mosquitos e do intenso calor.

“O Ouro Maldito dos Incas”: A chegada ao Panamá

Não existia outro modo de passar de um oceano ao outro. Em suma, tudo chegava da Europa pelo lado Atlântico; depois, as mercadorias teriam que atravessar o ístimo, seguindo em lombo de burro até o Mar do Sul. Como seria bom se um dia um canal ligasse os dois mares!

A primeira expedição

A primeira expedição na qual nos engajamos foi sofrida. Perdemos homens sob as flechas dos índios, passamos fome e dificuldades de toda sorte. Em suma, houve momentos em que lamentamos ter caído na conversa do recrutador, a quem não nos cansávamos de amaldiçoar.
Hijo de puta!

“O Ouro Maldito dos Incas”: índios ferozes

As tribos que enfrentamos eram selvagens agressivos que nos recebiam a flechadas. Ou seja, não era nada fácil encontrar alimento. Quando nos aventurávamos de canoa pelos rios em busca de algo para comer, corríamos o risco de morrer. Não era, portanto, o que esperávamos. Só havia mato, fome e índios agressivos. Em ouras palavras, nada de cidades com calçamento de ouro.

“O Ouro Maldito dos Incas”: A chegada ao Panamá

Isla del Gallo – Gorgona

Acossados pelos nativos e sem condições de permanecer no continente, tivemos, portanto, que nos abrigar na ilha do Gallo, não longe da costa. Era, entretanto, tão pequena que ali não havia nada para comer. Assim, fomos obrigados a nos transferir posteriormente para uma ilha maior, chamada Gorgona1, com mais recursos e afastada do continente, a salvo, portanto, dos selvagens.
Estávamos todos esqueléticos; muitos de nós tinham, aliás, contraído doenças. Eu me imaginava voltando para a Espanha, sendo alvo da chacota dos que nos viram partir tão esperançosos. Cadê o ouro, Pedro? E Teresa? Já estaria com outro homem?

“O Ouro Maldito dos Incas”: A chegada ao Panamá

Alimentávamo-nos principalmente de um palmito de gosto meio amargo, de ovos de pássaros, de algum animalzinho, de mariscos e de peixe, quando tínhamos sorte de apanhar um. Mal abrigados, devorados por nuvens de mosquitos, tínhamos, assim, que suportar os constantes temporais que se abatiam sobre a ilha. Os soldados, protegidos debaixo de um tosco rancho de palha, só reclamavam:
Isla de mierda!

Exército conquistador?

Não éramos um exército conquistador, mas um triste e pequeno bando que eu não conseguia imaginar que fosse capaz de conquistar alguma coisa, e que só se mantinha vivo à custa de muito sacrifício. Até nossas roupas viraram trapos. A maioria de nós não possuía calçados; nossos pés, feridos pela marcha em solo rude, doíam. Além disso, andar descalço era um risco a mais que corríamos, porque a ilha era, ainda mais, infestada de cobras venenosas. Um soldado foi picado e passou dias entre a vida e a morte, até se recuperar.

“O Ouro Maldito dos Incas”: A chegada ao Panamá

Repetíamos uns aos outros que nem o inferno podia ser pior. Famintos, chegávamos, assim, a brigar por causa de uma ostra que avistávamos sobre os rochedos próximos à praia. À noite acendíamos uma fogueira, sentávamo-nos na areia e conversávamos. A maioria desejava voltar para o Panamá.
Em Nombre de Dios pode não ter ouro, mas pelo menos tem comida – disse um dos homens.
Vários soldados falavam que nem mesmo do Panamá queriam saber. Só pensavam em regressar à Espanha, de onde achavam que nunca deveriam ter saído.

(n/a: A Ilha de Gorgona fica no Oceano Pacífico, a 35 km da costa colombiana. Tem 9 km de comprimento por 2,5 km de largura 23)

“O Ouro Maldito dos Incas”: A chegada ao Panamá

Percebendo a situação calamitosa, Pizarro propôs a Diego de Almagro, seu sócio e igualmente um líderes da expedição, que partisse para o Panamá para buscar reforços e suprimentos. Uma parte dos homens, porém, permaneceu com Francisco Pizarro, na ilha de Gorgona, entre eles, meu primo e eu, acreditando que chegaríamos à uma das tais cidades onde chovia ouro.

Siga o relato:

Como um analfabeto no comando de menos de duzentos homens, com pouca ou nenhuma experiência militar, conseguiu dominar um império de doze milhões de pessoas? Não eram índios selvagens. Possuíam uma civilização. Um povo, enfim, com agricultura avançada, capaz de construir cidades de pedra, estradas e pontes atravessando todo o império. Dominavam, inclusive a fundição de metais, (com exceção do ferro).

Siga a continuação desta postagem: A primeira expedição

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Temos, igualmente, neste blog o livrA vaca na estrada, fartamente ilustrado. É o relato de uma viagem sabática, impossível de ser feita nos dias de hoje. Uma aventura em um pequeno Renault 4 L, de Paris a Katmandu com um amigo francês. Uma longa travessia da Europa à Ásia,cortando por desertos e montanhas na Turquia, Irã, Afeganistão (antes do Talibã), Paquistão, Índia e Nepal.

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