História, cultura e arte

Cinema inglês

O cinema britânico esteve na vanguarda da invenção e do desenvolvimento técnico da sétima arte desde o século XIX. O Reino Unido foi, dessa forma, o berço de gravações históricas, inovações em cores e serviu iugalmente como uma espécie de laboratório visual. Em suma, um verdadeiro laboratório, fundamental portanto para a linguagem cinematográfica que conhecemos hoje.

Cinema inglês

Pioneiros e o nascimento da imagem em movimento

O inventor francês radicado na Inglaterra, Louis Le Prince, registrou o que é considerado assimo primeiro filme da história: “Roundhay Garden Scene” (1888), filmado na cidade de Leeds. Logo depois, em 1889, o inventor William Friese-Greene desenvolveu uma das primeiras câmeras de imagens em movimento. Usaram fita de celuloide, patenteando, dessa forma, seu processo em 1890. Posteriormente, entre o final da década de 1890 e o início dos anos 1900, surgiram novidades. Assim, um grupo de cineastas pioneiros na região costeira de Brighton revolucionou a narrativa cinematográfica.  

A imagem em movimento

A Primeira Exibição Pública

A primeira exibição pública de cinema comercial na Grã-Bretanha aconteceu em 20 de fevereiro de 1896. Foi organizada por Félicien Trewey (representante dos irmãos Lumière) no Marlborough Hall, em Londres. Assim, rapidamente, cineastas britânicos como Robert W. Paul começaram a desenvolver seus próprios equipamentos. Colaboraram, igualmente, com inventores internacionais, como o ilusionista Georges Méliès.

Primeira exibição de cinema na Inglaterra

Cinema mudo inglês

“Cinema mudo” em inglês é silent film ou silent movie.
Os principais filmes do cinema mudo inglês são marcados por grandes produções épicas, documentários pioneiros e, igualmente, pelos primeiros thrillers de Alfred Hitchcock. A preservação e restauração histórica dessas obras foram lideradas pelo BFI (British Film Institute).

Te silent film

A Era de Ouro do “Mudo Britânico”

“O Inquilino Sinistro”, dirigido por Alfred Hitchcock, é frequentemente considerado o seu primeiro verdadeiro filme de suspense. A élícula é, igualmente, um marco do expressionismo no Reino Unido. A trama acompanha a vida de um misterioso inquilino em Londres durante uma série de assassinatos.
“A Chantagem” (Blackmail, 1929) – O último filme mudo de Hitchcock. Embora tenha sido planejado e rodado como mudo, foi lançado em uma versão híbrida com música e alguns diálogos. Ou seja o filme foi um divisor de águas na transição do cinema britânico para a era sonora.
“O Anel” (The Ring, 1927) – Drama romântico ambientado no mundo do boxe inglês. É famoso por sua direção visual dinâmica e inovações técnicas, sendo, aliás, um dos destaques do início da carreira do “Mestre do Suspense”.
“Cottage on Dartmoor” (A Cottage on Dartmoor, 1929) de Anthony Asquith, este filme é assim considerado uma obra-prima do melodrama britânico. A película, aborda um triângulo amoroso com uma perseguição tensa pelos pântanos ingleses. 

Alfred Hitchcock

Documentários e Filmes de Exploração

“The Great White Silence” (The Great White Silence, 1924) – Um documentário/registro histórico impressionante da trágica expedição do Capitão Scott ao Polo Sul.
“The Epic of Everest” (The Epic of Everest, 1924) – Trata-se do registro oficial da tentativa britânica de escalar o Monte Everest. É, em suma uma obra emocionante e visualmente marcante para a época.

Filmes de exploração

Cinema preto e branco inglês

Em inglês, a expressão para “filme preto e branco” é black-and-white film (frequentemente abreviada, aliás, para B&W ou BW). Os filmes britânicos em preto e branco são conhecidos por sua atmosfera impecável e roteiros geniais. O Reino Unido possui, aliás, uma antiga e rica tradição no cinema, desde os suspenses claustrofóbicos, comédias ácidas, até dramas profundos. São, portanto, películas que exploram o drama humano e a sociedade da época. “Os 39 Degraus” (1935): é dos maiores sucessos da fase inglesa de Alfred Hitchcock,. em suma, este suspense de espionagem estabeleceu o modelo para o subgênero “falso culpado” em fuga.

Cinema preto e branco

O cinema inglês na Segunda Guerra

O início da II Guerra Mundial (1939-1945) foi particularmente complexo para a Inglaterra e isso, dessa forma, reverberou igualmente em sua indústria cinematográfica.
Enquanto a Segunda Guerra Mundial se intensificava, o cinema britânico concentrou seus esforços em documentários e cine-jornais. Ou seja, destinava-se a elevar assim o moral público e registrar o conflito. Em outras palavras, o cinema também se tornou arma de guerra. Sob a forte influência do Ministério da Informação, a produção também priorizou a realidade dos bombardeios alemães, como visto nas obras de Humphrey Jenning.
 A escassez de recursos, porém, além dos riscos de bombardeios forçaram a indústria a produzir filmes de propaganda e documentários. Em suma voltados à conscientização da população.
“Sangue, Suor e Lágrimas” (1942), por sua vez, é um tributo épico e emocionante. Relata assim a vida da tripulação de um destróier da Marinha Real. Foi dirigido pelo aclamado David Lean em parceria com o ator e roteirista Noël Coward.

O cinema inglês no pós-Segunda Guerra

O cinema inglês no pós-Segunda Guerra (décadas de 1940 e 1950) viveu uma era de ouro marcada por duas vertentes principais. Em primeiro lugar o drama realista, que explorava os traumas e a reconstrução social. É, dessa forma, o resultado do fortalecimento de grandes produtoras. Elas investiam sobretudo em comédias populares e épicos de guerra. 
Diretores como David Lean destacaram-se com adaptações clássicas, como, por exemplo, “Um Assunto de Vida ou Morte” (1946). Tratava-se, assim, de uma fantasia romântica. No filme a dupla Michael Powell e Emeric Pressburger, transita dessa forma entre a Terra e o pós-vida. Temos também “Grandes Esperanças” (1946) e “Oliver Twist” (1948). Enquanto isso, o clima tenso e de reconstrução europeia gerou igualmente obras-primas como O Terceiro Homem” (1949), uma coprodução britânica de muito sucesso. O filme dirigido por Carol Reed, é, aliás, frequentemente eleito um dos maiores filmes britânicos de todos os tempos. Mistura assim, suspense, romance e as sombras do pós-guerra.
 Jovens cineastas, como David Lean, revolucionaram igualmente o cenário com obras marcantes e adaptações literárias aclamadas, a exemplo de “Desencanto” (1945) e “Grandes Esperanças” (1946)

Oliver Twist

.O cinema inglês na segunda metade do século

O cinema inglês na segunda metade do século XX foi marcado por profundas transformações socioculturais. Ele evoluiu de um período de forte renovação realista nos anos 1960 para uma grave crise nos anos 1980. Em seguida, passou, porém, por um renascimento internacional focado em comédias românticas e produções independentes na década de 1990.

Final dos Anos 1950: Free Cinema e New Wave

Reagindo à estética conservadora, surgiu assim o manifesto Free Cinema. Diretores como Lindsay Anderson, Tony Richardson e Karel Reisz inauguraram a British New Wave. Filmes como “Look Back in Anger” (1959) e “A Taste of Honey” (1961) introduziram desta forma um realismo corajoso, focando na classe operária, na juventude rebelde e igualmente em temas cotidianos.

Juventude rebelde também foco do cinema dessa epóca

Anos 1950 e 1960

Curiosamente, no imediato pós-guerra, o público queria, porém, entretenimento leve e fugir das memórias do conflito. Para recuperar o público, a indústria focou assim em produções com apelo interno. O gênero de comédia foi dominado pelos clássicos Estúdios Ealing, com sucessos como “A Lavender Hill Mob” (1951) e “Genevieve” (1953). O cinema também revisitou o conflito recente em dramas de guerra de sucesso, Assim, já na década de 50, o cinema britânico passou a adaptar histórias reais e heróicas da Segunda Guerra em um estilo sóbrio e documental. a exemplo de “O Mar Cruel” (1953).
Dessa forma, o mercado adaptou-se, focando em comédias populares e grandes dramas sobre o conflito recém-encerrado. Ou seja, consolidando assim, a identidade do cinema britânico moderno.

Estúdios Ealing,

Anos 1960 e 1970 (O Free Cinema e a “Swinging London”)

 O movimento Free Cinema e a British New Wave trouxeram um olhar crítico e focado na classe trabalhadora, abordando o cotidiano longe dos cenários glamourosos. Diretores como Lindsay Anderson (“If”…), Tony Richardson (“O Ajudante”) e Ken Loach (“Kes”) destacaram-se portanto pelo realismo social. Paralelamente, filmes como “Blow-Up” e “Alfie” exploraram igualmente a efervescência cultural e a juventude londrina.

Swinging London

Anos 1980 (A Grande Crise)

 A década começou com o declínio severo da indústria cinematográfica britânica devido à falta de incentivos governamentais e à concorrência da televisão. Estúdios foram dessa forma fechados. O período assistiu, porém, à consolidação de cineastas aclamados, com obras de diretores como Ridley Scott (“Blade Runner”) e Alan Parker (“O Expresso da Meia-Noite”), além do sucesso de “Carruagens de Fogo”.

Blade Runner

Anos 1990 (O Renascimento)

A indústria recuperou força graças a novos investimentos e a uma nova geração de cineastas. O sucesso global de “Quatro Casamentos e um FuneraL” (1994) redefiniu assim o cinema britânico com comédias românticas. A aclamada comédia romântica dirigida por Mike Newell e escrita por Richard Curtis foi lançada em 1994. O filme se tornou um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema britânico e um igualmente um clássico do gênero. Simultaneamente, filmes ousados de baixo orçamento, como “Trainspotting” (1996), e comédias sobre a classe trabalhadora, como “Ou Tudo ou Nada” também foram sucessos de bilheteria.

Cinema inglês século XXI – Correntes e Destaques

O cenário britânico contemporâneo foi assim amplamente moldado por dois movimentos distintos:
Autores Visionários: Diretores britânicos e ou radicados no Reino Unido, como Christopher Nolan e Edgar Wright, redefiniram narrativas de grande orçamento.
A cinematografia de arte britânica também tem um peso histórico imenso:
Visibilidade Internacional: Grandes produções filmadas ou com forte DNA britânico frequentemente marcaram presença nas principais listas de melhores do século. Em suma, incluem produções aclamadas por publicações como BBC e o New York Times. 

Christopher Nolan

Comédias

O cinema britânico possui uma longa e prestigiada tradição em comédias. Caracterizao-se dessa forma pelo marcante humor ácido, pelo sarcasmo refinado, pelas sátiras sociais inteligentes e pelo clássico estilo nonsense

O Humor Absurdo do Monty Python
O grupo revolucionou a comédia mundial nos anos 1970 com seu estilo surrealista e paródias históricas ou religiosas. “Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado” (1975) é uma paródia hilária e repleta de absurdos sobre a lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. 
“A Vida de Brian” (1979): Uma brilhante e afiada sátira religiosa que acompanha a vida de um homem nascido no mesmo dia que Jesus Cristo e que passa a ser confundido com o Messias.Os rmuito religiosos não achaam graça!

Monty Phiton, inspirado na távola redonda do Rei Arthur

Comédias do final dos anos 1990

São, assim, histórias suburbanas com reviravoltas mirabolantes, personagens excêntricos e roteiros muito bem amarrados. “Ou Tudo ou Nada” (The Full Monty, 1997) tem como cenário a decadente cidade industrial de Sheffield, na Inglaterra. Conta assim a história de um grupo de operários metalúrgicos deempregados. Desesperados por dinheiro, o carismático Gaz e seus amigos decidem montar um show de strip-tease inspirado no grupo Chippendales. O grande diferencial é que eles prometem ir até o fim com a nudez total (the full monty). Mas, eram, porém, homens comuns, desajeitados e fora de forma…
“Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (1998): Dirigido por Guy Ritchie, o filme traz criminosos de baixo escalão envolvidos em grandes roubos e enrascadas em Londres. Roteiros assinados por Richard Curtis igualmente redefiniram o gênero nos anos 1990 e 2000, unindo o charme britânico a piadas autodepreciativas.
“Um Lugar Chamado Notting Hill” (1999) é um romance cativante entre um pacato dono de livraria londrino e uma grande estrela de cinema de Hollywood.

File “Ou tudo ou nada”

Filmes ingleses do começo do século XXI

“A Trilogia Cornetto” do diretor Edgar Wright foi lançada ao longo de quase uma década, no começo do século XXI. A série é composta por três filmes. São produções que misturam dessa forma referências à cultura pop, edição ágil e uma fusão impecável entre gêneros cinematográficos (como terror ou ação) e o puro humor inglês:  “Todo Mundo Quase Morto” (2004): Uma comédia romântica com zumbis (rom-zom-com) que satiriza de forma genial os clichês de filmes de terror. “Chumbo Grosso” (2007): Paródia dos filmes de ação hollywoodianos. A película acompanha um policial de elite de Londres transferido para um vilarejo pacato que esconde, porém, segredos sombrios. “Heróis de Ressaca” (The World’s End, 2013) – “Sabor Menta/Hortelã” (representa a ficção científica). 
Apesar de não terem histórias conectadas, os filmes compartilham o estilo de humor, o elenco e igualmente uma piada recorrente envolvendo o sorvete Cornetto.

“Todo Mundo Quase Morto” (2004): satiriza filmes de terror

Comédias de Erros e Trapalhões: Mr. Bean 

Mr. Bean é um dos personagens de comédia mais icônicos do mundo, criado e interpretado pelo ator britânico Rowan Atkinson. Ele funciona como uma espécie de “criança no corpo de um adulto”. Ou seja, alguém que resolve problemas cotidianos de maneiras completamente absurdas, egoístas e criativas. Em suma, histórias suburbanas com reviravoltas mirabolantes, personagens excêntricos e roteiros muito bem amarrados.
O Universo de Mr. Bean – Série Original (Live-Action): Teve apenas 15 episódios originais gravados na década de 1990. Seu sucesso global foi, porém, gigantesco devido ao humor visual quase sem falas.
Filmes de Cinema: O personagem protagonizou dois longas-metragens de grande sucesso: “Mister Bean, o filme” “As férias de Mr. Bean” 

Mr. Bean

Elementos Marcantes de Mister Bean

Teddy: O seu inseparável urso de pelúcia marrom, que ele trata como se fosse um melhor amigo real (e muitas vezes sofre em suas mãos).
O Carro: Um clássico carro Mini Cooper verde-limão com capô preto, famoso por travar batalhas silenciosas contra um veículo de três rodas azul.
O Humor Silencioso: Quase não há diálogos; o humor, dessa forma é focado em caretas, ruídos engraçados e na linguagem corporal de Rowan Atkinson.

O carrinho famoso de Mr. Bean

Cinema inglês recente

O cinema inglês recente tem se destacado por produções que misturam suspense, dramas históricos e narrativas inventivas. Obras aclamadas trazem, aliás, elencos de peso e abordagens modernas que conquistaram festivais e o público global.
“A Empregada” (2025): Baseado no best-seller de Freida McFadden, este suspense psicológico acompanha uma jovem com um passado turbulento (Sydney Sweeney). Ela trabalha para um casal milionário, porém perigoso. “Crime 101” (2026): Um thriller de ação que se passa na ensolarada Los Angeles, reunindo Chris Hemsworth e Mark Ruffalo em uma caçada a um ladrão de joias.
“O Coral” (2025): Ambientado em Yorkshire durante a Primeira Guerra Mundial, explora as perdas do conflito e os dramas de uma comunidade local.
“Mercy” (2025): É um misto de ficção científica e suspense estrelado por Chris Pratt e Rebecca Ferguson. O filme é ambientado em um futuro onde uma inteligência artificial decide o destino de um homem acusado de assassinato.

Filme “O Coral”, tendo como pano de fundo
a “Primeira Guerra Mundial

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Setenta e dois países

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Aeroporto de Estocolmo. Frase alternada em diversos idiomas:
“Sou um cidadão do mundo, minha pátria é em todo lugar


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