Livro; O Ouro Maldito dos Incas

049 – Anno de 1549 – “O Ouro Maldito dos Incas”- Após a Conquista

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“O Ouro Maldito dos Incas”- Após a Conquista

Acompanhando os acontecimentos

Após a Conquista os anos se passaram muito rapidamente. De Sevilha, porém, acompanhei os acontecimentos no Peru. Pablo, que estava sempre no porto para cuidar de seus negócios, tinha, portanto, mais informações do que eu. Afinal, no contato com os marinheiros, ficava sabendo em primeiro lugar sobre os detalhes das intrigas por lá.
A rebelião almagrista, durara, assim, quase um ano, com Cusco e Lima nas mãos dos revoltosos.

“O Ouro Maldito dos Incas”- Após a Conquista
Tropas reais submetem os revoltosos

Estes, aliás, só foram vencidos por tropas reais em Chupas, perto da antiga capital inca, em 16 de setembro. Com a batalha perdida, seus aliados índios logo mudaram de lado e massacraram os feridos almagristas. Despojaram-nos, assim, de suas roupas e de qualquer coisa de valor, deixando-os nus, portanto, no campo de batalha. Ou seja, o mesmo que os nativos fizeram com os soldados do velho Almagro em 1538.

Diego, o Moço

Diego, o Moço, derrotado por Vaca de Castro, o governador enviado de Madri, foi, assim, decapitado e enterrado ao lado do pai no Convento de La Merced, em Cusco. Com a morte do jovem Diego, o governo da colônia acabou assim, entregue a vice-reis nomeados pela Coroa espanhola, que todos, aliás, diziam ser corruptos. Após a Conquista, durante muito tempo os índios pertencentes às encomiendas foram tratados como escravos.

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“O Ouro Maldito dos Incas”- Após a Conquista

Em suma, eram açoitados, acorrentados e com pouco o que comer. Até antigos príncipes e princesas incas passavam fome e viviam andrajosos.
Na Espanha, Hernando Pizarro fora condenado a vinte anos de prisão.
Uma prisão de luxo, primoEnfim, prisão. disse-me Pablo. Mas, quase todos que participaram da conquista e pilhaam o ouro inca, foram executados, assassinados, mortos em batalhas, atingidos por flexas e pedras

“O Ouro Maldito dos Incas”- Após a Conquista

As Novas Leis

Após a Conquista a coroa espanhola tentou impor no Peru as chamadas “Novas Leis. Ao mesmo tempo em que garantiam certos direitos aos índios, elas, porém, taxavam fortemente os encomienderos. Isso desagradou aos colonos espanhois. Em outras palavras, reduziram suas rendas e seu poder, o que agitou a colônia. Não tardou, assim, para que os protestos se transformassem em revolta dos encomienderos, liderados por Gonzalo Pizarro. Assim, com a ajuda de Francisco Carbajal, um velho Militar, conhecido por sua crueldade, depois de vencer as tropas de Carlos V, Gonzalo ocupou Lima e Cusco, proclamando-se Caudilho do Peru.

“O Ouro Maldito dos Incas”- Após a Conquista

De Nueva Castilla, Gonzalo conseguiu, com sua pequena armada, desembarcar e ocupar também o Panamá e dominar todo o istmo. Em suma, capaz de fabricar pólvora e canhões nas colônias, o caudilho se manteve no poder como governante supremo de um estado separado da Espanha durante quatro anos. Derrotado, finalmente, por tropas reais na batalha de Jaquijahuana em nove de abril de 1548, foi decapitado no dia seguinte. Exibiram sua cabeça, frita em azeite, no centro de Lima, como advertência contra futuras rebeliões. No Peru, a desorganização da agricultura trouxe a miséria aos ayullus. Ou seja, após a Conquista, boa parte do que produziam ficava para os encomendieros.

“O Ouro Maldito dos Incas”- Após a Conquista
Ayullu

Misérie, fome, doenças

Povos que nunca haviam conhecido a fome passaram, assim, a conviver com ela. Doenças dizimaram também suas antes prósperas aldeias. Um enorme número de índios pereceu igualmente em minas como as de prata, descobertas em Potosí, na Bolívia, em 1546. Essas riquezas financiaram novas aventuras militares e guerras na Europa. A alta nobreza e a igreja se tornaram cada vez mais ricas. Alguns encomendieros também.

“O Ouro Maldito dos Incas”- Após a Conquista
Os encomendieros

Após a a Conquista do Peru, a Espanha, consumida pela inflação, passara a depender da agricultura e das manufaturas estrangeiras para quase tudo.
Eu, enfim, acompanhara Francisco Pizarro desde o início e participara da captura de Atahualpa. Estive em Cusco antes de a cidade ser tomada pelos espanhóis. Sei, portanto, do mal que causamos àquela gente.

“O Ouro Maldito dos Incas”- Após a Conquista

Participei igualmente de grandes batalhas. Perdi, em suma, as contas de quantos índios matei. Já tive também muito ouro nas mãos. Andei em meio a corpos mutilados e a poças de sangue. Vi conquistadores e outros homens poderosos serem mortos. Juan Pizarro, Diego de Almagro, Francisco Pizarro, o jovem Diego, Gonzalo Pizarro…
Lembro-me do galeguinho, de Álvaro Toledo, de António Ortiz, de Pedro de Candía. Recordo-me, assim, de cada gesto deles, de suas expressões, seus sorrisos. Só restamos Pablo e eu.

“O Ouro Maldito dos Incas”- Após a Conquista

Eu, meio índio

Agora, deitado numa rede na varanda de meu humilde rancho em uma tarde quente de julho, com o corpo dolorido e as mãos calejadas pelo trabalho, olho para a pequena plantação bem ao lado da minha casa. Batatas. Milho. O verdadeiro ouro trazido do Peru destinado a salvar os europeus da fome.
Com Nitaya e Ñusta, falávamos quéchua. Ou seja, eu me tornara meio índio. Falava quéchua e dormia com duas índas. Acabei, ainda mais, tendo um filho também com Ñusta…
Perdido em meus penamentos escutei as duas chegarem da roça com as crianças. Escutei a voz de Nitaya:
Pedrito, vá levar um copo de chicha para seu pai.

Fim

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