Livro; O Ouro Maldito dos Incas

046 – Anno de 1539 – “O Ouro Maldito dos Incas”- guerrilha inca

A guerrilha de Manco Yupanqui

Estava o Gobernador em Cusco quando começaram a chegar relatos do início de uma guerrilha inca. Ou seja, e Manco Yupanqui Inca estava armando emboscadas contra os espanhois. Logo ficamos sabendo que ele mudara sua tática. Assim, sem condições de nos enfrentar em combates abertos, dedicara-se a ataques isolados Dessa forma, destruíra pontes e passara a atacar caravanas de mercadores e aldeias de índios leais aos espanhóis. Aliás, atacava quando menos esperávamos e sumiam antes de podermos reagir.
Pizarro foi, portanto, forçado a se concentrar no problema. Enfim, isso pelo menos distraiu sua cabeça das disputas e rivalidades que surgiam o tempo todo entre os conquistadores.

“O Ouro Maldito dos Incas”- guerrilha inca

Caçando Manco Yupanqui

A primeira tropa mandada contra os incas deu-se, entretanto, mal. Ou seja, o inexperiente oficial que a comandava perdeu vinte e quatro cavaleiros. Pizarro enfureceu-se e resolveu ele mesmo, embora idoso e cansado, ocupar-se do assunto. Assim, partiu de Cusco com setenta cavaleiros, entre eles eu, para atuar como tradutor. Mais uma vez, portanto, enfrentamos, o frio da serra, nevascas e chuvas de granizo. Passamos dias à procura dos guerreiros de Yupanqui, sem encontrar nenhum. Em suma, os índios atacavam e sumiam.

“O Ouro Maldito dos Incas”- guerrilha inca

San Juan de la Frontera

Em razão desses ataques, Pizarro sentiu necessidade de fundar uma cidade serrana que servisse de base para as tropas que combateriam Yupanqui no altiplano. Assim, em 9 de janeiro de 1539, pude assistir à fundação de mais uma cidade espanhola no Peru: San Juan de la Frontera. Na volta a Cusco, Pizarro recebeu correspondência da corte. Fora agraciado com o título de marquês. O Gobernador, porém, não deu muita importância à honraria. Sua principal preocupação era controlar os incas em Cusco. Dessa forma, mandou mensageiros a Manco Yupanqui Inca, com presentes e a proposta de que ficasse em paz com os espanhóis. Ou seja, que se tornasse vassalo de Carlos V. Como Yupanqui sequer se dignou a responder, Pizarro enviou Gonzalo com tropas para capturar o chefe inca.
Puna-os, mas não mate mulheres e crianças.

“O Ouro Maldito dos Incas”- guerrilha inca

Gonzalo mal respondeu.
Tentarei.
A campanha durou meses, mas, sem sucesso. Ou seja, os índios atacavam grupos de viajantes espanhóis e encomienderos isolados e desapareciam. Em nenhum momento Pizarro conseguiu por as mãos em Yupanqui. Ninguém, aliás, sabia onde poderia estar escondido. Gonzalo, furioso, descontava sua fúria sobre as aldeias quéchuas, incendiando-as, matando e torturando seus habitantes.

“O Ouro Maldito dos Incas”- guerrilha inca

Hernando parte para a Espanha

Hernando, preocupado com a péssima repercussão que a execução de Almagro tivera em Madri, resolveu voltar para a Espanha. Pizarro sentiu-se abandonado e os dois passaram a ter discussões cada vez mais sérias. Enfim, cansado com a situação, Francisco resolveu concordar com a partida do irmão. Assim o clima entre ambos melhorou. Antes de partir, porém, Hernando avisou Francisco sobre o risco que poderia representar o jovem Diego. O filho mestiço de Almagro, que tinha seu nome, vivia rodeado pelos antigos soldados de seu pai – “os do Chile”. Esse grupo estava cada dia mais indignado por não serem contemplados com encomiendas.

“O Ouro Maldito dos Incas”- guerrilha inca

Pizarro, porém, não lhe deu muita atenção, achando que Almagro, o Moço, como o rapaz era conhecido, não lhe oferecia perigo. Era um adolescente.
Não se atreverão, afirmava com segurança, descartando a sugestão de seus irmãos de andar escoltado por uma guarda pessoal. Se soubesse o que o aguardava…

“O Ouro Maldito dos Incas”- guerrilha inca

Nueva Toledo

Depois de Hernando embarcar para a Espanha, Francisco Pizarro resolveu se afastar de Cusco e conhecer Nueva Toledo. Ou seja, o território que fora atribuído a Almagro. Lembro-me que numa manhã chuvosa me chamou para conversar. Suspirou, apoiou a mão em meu ombro:
Pedro, sei que você tem suas índias na capital e deve estar com vontade de voltar para Lima. Mas sinto muito, você fala quéchua melhor do que ninguém, é experiente e vou precisar de seus serviços… Não tenho como dispensá-lo.

“O Ouro Maldito dos Incas”- guerrilha inca

Rumo ao sul

Não era possível recusar, mesmo porque precisava de meu soldo. Tive, portanto, contra minha vontade, que acompanhar o Gobernador em suas andanças rumo ao sul. Pelo menos sabia que Nitaya, Ñusta e as crianças estavam em segurança. Ou seja, não lhes faltava nada, pois eu deixara castelhanos de ouro suficientes para suas despesas. Além disso, em caso de necessidade podiam contar com frei Valverde, que gostava das crianças que ele mesmo batizara.

O grande lago

Uma das primeiras regiões percorridas foi a de um imenso lago azul, do qual não se via a outra margem. Índios conhecidos como uros moravam no lago, sobre ilhas flutuantes. Essas ilhas eram formadas por camadas de mais de vinte pés de espessura de uma espécie de junco chamado totora. Era quase inacreditável a existência de um lago tão grande a doze mil pés de altitude, onde qualquer caravela espanhola, por maior que fosse, poderia navegar.

Com Pizarro e mais vinte soldados pude ver de perto aquela curiosidade. Tudo era feito do mesmo material. Ou seja, o chão em que pisávamos, as cabanas dos índios e o barco que nos levou às ilhas. Até a raiz da totora era igualmente aproveitada: os índios a comiam. Em uma das ilhas vi também uma plantação de batatas em terra trazida do continente. (Nota do autor: O Lago hoje se chama Titicaca e fica em frente à cidade de Puno)

Tiwanaku

Continuando para o sul, chegamos às ruínas de uma cidade de pedra. Segundo os índios, a cidade pertencera a um povo anterior aos incas, os tiwanaku. Falavam que fora construída por um deus de barbas brancas chamado Viracocha. (Nota do autor: Acredita-se que a elaborada civilização Tiwanaku, estabelecida nas proximidades do lago Titicaca, que teve seu apogeu por volta do século XI, tenha tido origem dois mil anos antes, no mesmo local)
Conhecendo a região fiquei sabendo que tiwanakotas criaram um pequeno império que impôs sua influência em boa parte do Peru. Ou seja, construíam estradas que favoreceram uma intensa troca de produtos com tribos vizinhas. Disseram-me que já no ano 1100, sua capital tinha uma população de uns 60.000 habitantes. Em suma, como uma cidade espanhola de tamanho médio.

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A decadência de Tiwanaku

Essa civilização, porém, acabou desaparecendo. Isso aconteceu devido a uma persistente seca que minou sua produção agrícola. Ao que parece o clima mudou, o nível do lago foi rebaixado. Segundo eu soube posteriormente, foram os tiwanakotas que tansmitiram aos incas todas suas técnicas. Por exemplo: construir casas e cidades de pedra, cultivar a terra com plantações em terraço e muitas outras coisas.

Uma viagem interminável

Nossa viagem tomou meses. Montado sobre meu cavalo enquanto avançava por vales e pelas paisagens secas do Altiplano eu pensava em Nitaya e nas crianças. Sentia muita saudades de todos. Mas o Gobernador, porém, não parava de viajar! O final do ano chegou e eu continuava muito longe de Lima, perguntando-me quando voltaria para casa. Eu me preocupava, claro. Mas, Pizarro dera ordens aos seus de tratarem de protege-las, avisando que “pertenciam” a Pedro Garcia, um dos treze da fama. Mesmo asim, dei graças a Deus, portanto quando ele manifestou o desejo de retornar a Cusco.

Siga o relato:

Como um analfabeto no comando de menos de duzentos homens, com pouca ou nenhuma experiência militar, conseguiu dominar um império de doze milhões de pessoas ?

Siga a continuação desta postagem: Sanha colonizadora

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