Livro: A Vaca na Estrada

De Paris a Katmandu de carro – “A Vaca na Estrada” – Rajastão 2

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Nos Estado do Rajastão ficam algumas das cidades mais belas e interessantes da Índia. Muitas delas conservam ainda suas velhas muralhas medievais. O Rajastão fica no Noroeste da índia, colado ao Paquistão de fácil, acesso para quem vem da capital Delhi. Trata-se de um estado desértico. Dessa forma era outrora cortado por caravanas de camelo carregados de mercadorias.

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Udaipur

Udaipur desperta curiosidades. Como uma cidade que nunca se submeteu ao dominador Akbar tem em sua arquitetura tanta influência mogol? Afinal, a cidade, que cresceu em volta do lago, Pichola, tem nas proximidades lindos templos brancos, inteiramente esculpidos nesse estilo. Uma de minhas cidades favoritas na Índia, considerada por muitos como a mais bela do país..

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As cidades medievais rajastanis: Bikiner e Jaisalmer

De Udaipur, partimos para visitar duas cidades igualmente meio fora de mão, mas fascinantes. Uma delas foi Bikaner, no extremo oeste do estado, já na fronteira com o Paquistão, fundada em 1488. Suas belas construções de pedras amarelas e avermelhadas lhe conferem um colorido único.
Embora interessante, Bkikaner perde para a incomparável Jaisalmer, mais ao sul. Jaisalmer é igualmente próxima da fronteira paquistanes. Fica sobre um platô, no meio do deserto de Thar. Aliás, nós mesmos não imaginávamos deparar com uma cidade, como aquela, em pleno deserto. Imperdível!

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Jaisalmer

Jaisalmer, cidade parcialmente abandonada, fundada no século XII e cercada por uma imensa muralha, tem um ar medieval. Sua arquitetura é igualmente admirável: os prédios, feitos de pedra amarelada. Suas fachadas são totalmente esculpidas. Jaisalmer é cortada por ruelas estreitas que desembocam em pracinhas, formando, assim, um verdadeiro labirinto.

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São ruas estreitas onde, às vezes você dá de cara com uma vaca, nem sempre dispostas a deixa-lo passar. Uma delas chegou, inclusive a tentar nos chifrar. Ou seja, daí em diante sempre que deparávamos com uma, subíamos depressa numa plataforma de um dos havelis. Bem protegido, Bernard chegou a apontar um dedo na direção de uma das vacas, rindo. Advertiu-a que na França ela era um mero steak avec frites

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Os havelis

Caminhando pelas ruelas de Jaisalmer deparamos com construções típicas do Rajastão, abundantes sobretudo em Jaisalmer. Esse tipo de arquitetura rebuscada, são chamadas de havelis. No passado foram residências de nobres e de ricos mercadores nos tempos das caravanas de camelo. Pudemos, aliás, visitar, umas duas por dentro, percorrer seu meandro de corredores salas e salões decorados com esculturas.

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Observando esses curiosos palacetes entende-se que no passado Jaisalmer foi muito rica. Afinal, essas cidades eram os mais importantes centros rajastanis. Eram paradas obrigatórias das caravanas de camelos que corriam o deserto de Thar, quando Paquistão e Índia faziam parte do Império Britânico das Índias. Essas caravanas transportavam todo tipo de mercadoria entre Delhi e portos na costa paquistanesa. Em suma, tiveram fundamental importância durante muito tempo.. Posteriormente, porém, com a construção de uma estrada de ferro, todas essas cidades entraram em decadência.

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Os havelins foram, assim, abandonados por seus ricos proprietários que acabaram se mudando para Delhi. Hoje alguns foram adaptados para abrigar turistas que, cada vez mais vão descobrindo esse canto perdido do deserto.
Jaisalmer é, aliás, famosa por seus lassi, iogurtes batidos com frutas e mesmo com hashishe, excepcionalmente liberado nessa cidade. Bernard e eu resolvemos experimentar. Depois de um tempo começamos a ver tudo colorido…

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O jainismo

Em Jaisalmer existe um templo jainista, de rebuscada arquitetura e pedra calcárea. Ela é fácil de ser trabalhada e preservada pelo clima seco da região. O Jainismo, religião fundado por Mahavira, prega o ascetismo absoluto. Ou seja, os antigos jainistas abdicavam inclusive da própria roupa do corpo e perambulavam absolutamente nus: eram monges e mendigos.


Chegavam, assim, ao ponto de morrer de fome por seu desligamento material.
O Jainismo não tem deus ou deuses e prega a existência de um mundo eterno e o ideal da não violência — a ahinsa. Para visitar o templo, tive que tirar os sapatos e também o cinto, já que não se admitem objetos de couro ou de pele animal em seu interior. Os jainistas são, aliás, radicalmente vegetarianos. Em outras palavras, uma espécie de veganos da Índia…

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O festival da lua cheia de Jaisalmer

É em Jaisalmer que acontece, na primeira lua cheia do ano, o famoso Festival da Lua Cheia. Assim, durante esses primeiros dias de janeiro a cidade fica lotada. Ou seja, reservar hotel pode ser uma atitude prudente.
Na segunda vez que visitei Jaisalmer tive a sorte. Ou seja, cheguei a Jaisalmer dois dias antes do festival, que ocorre no meio das dunas, a alguns quilômetros das muralhas.

Embora o lugar onde acontece o festival seja acessível de carro, o ideal é ir de camelo, para circular entre as dunas. Ainda mais, montado no animal, podia apreciar de posição privilegiada as danças e músicas de cada tribo.
O camelo se desloca de forma diferente do cavalo. O balanço não é para frente e para trás, como ocorre com os equinos, mas também para os lados.

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Não é exatamente “difícil” subir num camelo e utilizá-lo como meio de transporte, pelo menos para curtas distâncias. Infelizmente, porém, depois de quase três horas sobre um animal desses, muita gente fica mareada. O bicho parece, aliás, ter tração independente nas quatro patas!
O mais bonito foi o retorno das caravanas de camelos tendo como fundo, ao longe, a cidade e suas muralhas, sobre um platô, sob os raios do poente.

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Luminosidade prateada

A noite foi também inesquecível; a luminosidade era tal que conseguimos caminhar pela cidade sob o luar. Sem qualquer iluminação elétrica, pudemos apreciar, assim, Jaisalmer com seus edifícios de pedra amarela protegidos pelas muralhas que cercam a cidade. Senti-me, portanto, como em um filme. Comentei antes que poucos lugares me mpressionaram profundamente. Jaisalmer foi mais um deles.

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Jodhpur

Jodhpur, no interiorzão do Rajastão, é, assim, como a prima provinciana de Jaipur, a capital do Estado do Rajastão, que iríamos igualmente visitar, a caminho de Nova Delhi. Mais tranquila, tem um interessante mercado típico e, sobre uma elevação, um castelo que, aliás, por si só vale a viagem. Parei, entretanto apenas uma noite nessa cidade, o tempo de visitar esse inexpugnável palácio dos marajás locais. O mais interessante é seu interior um meandro de salas, corredores e salões decorados de forma extravagante.

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Saindo do interior do palácio fui apreciar a vista panorâmica de Jodhpur o alto de suas muralhas. Lá de cima podía ver, aqui e ali, casinhas pintadas de azul, indicando que pertenciam a brâmanes. Hoje isso já não é tão exato: há casas azuis onde vivem não brâmanes. É, aliás, curioso como costumes e tradições vão aos poucos se transformando com a modernização da sociedade indiana.

Jaipur

É em Jaipur que fica o hotel de Ganga (nome fictício), meu amigo amigo hindu. Conheci-o em Pushkar de uma maneira inesquecível. Ou seja, ele me arrancou dos chifres de uma vaca sagrada que, não sei por que cargas d’água, investiu sobre mim quando eu andava por uma estreita ruela da cidade. Um dos chifres, aiás, chegou a furar meu jeans. Um pouco mais teria seria uma tragédia.

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Ficamos amigos, segui com ele em seu carro de Pushkar para Jaipur e hospedei-me em seu hotel. Descendente de guerreiros rajastanis, da casta xátria, ele tornou-se empresário do ramo hoteleiro: é a Índia de hoje.
A capital do Rajastão, fundada pelo marajá Jai Singh II em 1728, é mais nova que outros centros urbanos do Estado. Jaipur tem igualmente a característica singular de ser uma cidade planejada, com ruas largas que formam quarteirões retangulares. Seus edifícios mais antigos já eram construídos com pedras cor-de-rosa quando, em 1876, por ocasião da visita do Príncipe de Gales, o marajá local determinou que todos fossem pintados da mesma cor. Dessa forma, passou a ser conhecida como “Cidade Rosa”.

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Um centro comercial agitado

Em seu centro comercial fervilhante circulam carros, bicicletas, vacas sagradas, riquixás, carroças e camelos. Na avenida central, alinha-se uma infinidade de lojas de artesanato, objetos de decoração, roupas e bijuterias. O assédio ao turista por parte de vendedores, mendigos e videntes é intenso. Isso me incomodou todas as vezes que fui a Jaipur.
Nessa região agitada da cidade, fica o Palácio dos Ventos, de arenito rosa, que só pode ser visto por fora. Suas janelas de treliças esculpidas na pedra permitiam que as concubinas do harém do marajá pudessem ver o movimento da rua – que, na época, devia ser bem menor! – sem, entretanto, serem vistas.

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A cidade dos palácios e castelos

Fora do centro, mas próximos da cidade existem palácios e castelos cuja visita é absolutamente obrigatória. Um deles é o Forte Amber, construído no final do século XVI para servir de residência ao marajá Man Singh. Embora eu tenha subido a pé a rampa que leva ao palácio, os turistas em geral aproveitam a chance para brincar de marajá e fazê-lo montados sobre elefantes.

No interior do forte, o colorido exagerado, as paredes incrustadas de pedras semipreciosas, espelhinhos e detalhes esculpidos em mármore me pareceram de gosto duvidos. Em outras palavras, como se a decoração tivesse sido encomendada por Donald Trump. Não tive, entretanto, como negar a riqueza e a elaboração do trabalho. Os móveis, os objetos do dia a dia e até as coleções de armas foram conservadas. Pude, assim, vislumbrar como era a vida dos marajás na época: muito boa!

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Pushkar

A etapa seguinte foi Ajmer, cidade sem muito interesse. A seu lado, entretanto, no deserto, fica a encantadora aldeia de Pushkar A cidade é composta por apenas três ruas em volta de um lago tido como sagrado pelos hinduístas. Em Ajmer existe um dos raros templos bramânicos da Índia. Ou seja, Brahma, o deus criador, praticamente sumiu de cena após terminar sua obra. Concluiu seu trabalho e aposentou-se. Ou seja, ao contrário do deus cristãos, sempre unipresente e soi-disant, interferindo até no dia-a-dia pessoas. Na Índia Brahma fica no seu canto e em nada interfere. Quem cuida disso é Shiva e Vishnu.

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Cidade vegetariana

Em Pushkar, não se pode comer carne: é uma cidade vegetariana. São as preferências religiosas dentro do Hinduísmo que estabelecem os tabus alimentares. Os adoradores de Vishnu podem apenas comer vegetais. Os de Shiva comem carne de carneiro, cabra, caças. A verdade, porém é que muitos dos pratos vegetarianos servidos em Puskar são muito bons. Afinal, é a especialidade do lugar.

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No restaurante onde eu comia havia um gato me rodeando. Perguntei se o felino era vegetariano. O proprietário, que também servia a mesa, sorriu e afirmou que sim. A impressão que tive é que não era verdade. Afinal, eu já vira ratos na cidade e suspeito que faziam parte do cardápio do bichano, que aparentemente optara por uma discreta dieta shivaísta…

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Hospedado em um “castelinho

Consegui hospedar-me em um hotel que fora residência do marajá local. Esse era, porém, muito menos sofisticado, do que os demais que viamos Udaipur e outras cidades rajastanis. Mesmo assim, era um palacete exatamente de frente para o lago. Do terraço de meu quarto eu via carpas nadando quase à flor das águas. Logo pensei que podiam ser deliciosas fritas. Infelizmente, porém, em Pushkar, peixe também é comida carnívora…

O mercado de camelos de Pushkar

Uma vez por ano, na lua cheia de novembro, milhares de peregrinos vão ao povoado para se purificar, banhando-se no lago sagrado. O grande mercado de camelos que ocorre uma vez por ano em Pushkar atrai também gente de todos os pontos do país por seu colorido. As negociações são longas e curiosas. Afinal, embora eu não esteja muito informado de com o anda o mercado desses animais, suponho que um camelo, mesmo no Rajstão não é muito barato.

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Camelos e tecnologia nuclear lado a lado


A Índia de hoje é um país que domina o ciclo nuclear, bastante avançado na área de informática e em diversas outras de tecnologia de ponta. É incrível, portnto que ainda existam por lá feiras como essa em que homens com roupas bíblicas barganham camelos. Antes de mais nada, é bom saber que, no passado, não tão recente, caravanas com animais carregados, que iam de Delhi ao porto de Gujarat, no Paquistão, atravessavam o Rajastão.

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Ou seja, atravessavam todo o deserto de Tahar para alcançar cidades como Pushkar e igualmente outras maiores como Jaisalmer e por Mandawa, no Sekawate, uma subregião do Rajastão. O Sekawate já foi uma região muito próspera. Embora com o fim das caravanas, as cidades rajastanis tenham entrado em decadência, os camelos continuaram, entretanto, em uso. Pelo menos pelos turistas!

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Quando estive em Mandawa hospedei-me em um castelo fortificado que fora transformado em hotel, como aconteceu, aliás, com vários outros em toda a região. Assim, diversos havelis, as antigas residências dos abastados mercadores estão em sua maioria abandonados ou decadentes. Assim, estão sendo restaurados pelo governo, que deseja atrair turistas para o Sekawate.

Explicação necessária:

Outras viagens pela Índia, lugares e experiências

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Nosso destino nessa viagem de carro, espinha dorsal do livro “A Vaca na Estrada” de Paris ao Nepal, seria Katmandu. Da Europa passaríamos pela Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão e Índia. Antes, porém, de seguir para o Nepal fomos visitando outros lugares na Índia. Aliás, como estive diversas vezes no país, o livro “A Vaca na Estrada”, inclui igualmente algumas experiências vividas em outras viagens pelo subcontinente indiano.
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