Ásia

Como visitar Angkor Wat, no Cambodia

Nenhum de nós dois sabia como visitar Angkor Wat. Não sabíamos nada sobre o país. Entretanto, pesquisar, principalmente sobre turismo, é nossa especialidade.
Em primeiro lugar, descobrimos que teríamos que nos hospedar em Siem Riep, cidade situada a seis quilômetro dos templos. Desse modo, Angkor Wat não é uma cidade, mas o nome do sítio arqueológico.

Angkor Wat, no Cambodia, o maior conjunto de templos da humanidade

A viagem ao Cambodia para visitar Angkor Wat

Pesquisando o Cambodia


Pesquisando, soubemos que num passado distante entre os séculos IX e XV, auge do império Khmer, Angkor abrigava sua capital que possuía uma população de mais de meio milhão de habitantes. Ou seja, a maior cidade do mundo dessa época, muito maior e mais rica do que qualquer capital europeia, Londres, Paris, ou Roma. Portanto, somente na área murada, onde ficava o templo principal e o palácio real, viviam cerca de 20 mil pessoas!

Visto cambodiano

Decididos a conhecer Angkor Wat, no Cambodia, informamos em primeiro lugar sobre visto para o país. Descobrimos, assim, que poderia facilmente ser feito na fronteira, ao chegar, ou no aeroporto ao desembarcar. Afinal, o turismo está a ganhando cada vez mais importância, o Cambodia precisa dos dólares dos turistas. Assim, resolveram não complicar.

Nosso ônibus na fronteira: a caminho do Cambodia para visitar Angkor Wat

Viagem de ônibus para o Cambodia

Em seguida pesquisamos como ir de Bangkok, na Tailândia, onde estávamos, para Siem Riep. Era possível ir de avião, uma opção bem mais cara, ou pegar ônibus noturno, semi-cama. Nos decidimos pelo busão, muito mais barato, confortável e prático.  
Entretanto, apesar do visto poder ser obtido na fronteira, as formalidades de saída da Tailândia e entrada no Cambodja são demoradas. Afinal, há uma filha enorme de pessoas na fila da imigração.

Night Market em Siem Riep, ao lado de Angkor Wat, no Cambodja

Para visitar Angkor Wat, no Cambodia, todo mundo se instala em Siem Reap

O resto da viagem até Siem Riep foi tranquila. Passadas as formalidades de fronteira pudemos dormir umas hora, já em território cambodiano.
Da rodoviária de Siem Riep até o hotel, já reservado pelo Booking, pegamos um tuk-tuk indicado pelo próprio “comissário” do ônibus. A corrida nos custaria 5 dólares. O motorista, o Sam, era muito simpático e entedia melhor o inglês. Assim, combinamos com ele nos levar para Angkor no dia seguinte.

Hotel em Siem Reap, bom e barato

Havíamos reservado um hotel, o Ordenerz, um estabelecimento moderno, descontraído, com piscina, freqüentado por um público variado, de todas as idades, mas estilo mochileiro. No salão perto da recepção havia mesas onde o pessoal, muito relaxado, comia, conversava e tomava cerveja. Numa outra área sentavam-se em almofadas no chão, diante de mesas baixas em animado bate-papo. Alguns surpreendiam-se um pouco por sermos do Brasil. Assim, um holandês comentou que estávamos muito longe de casa. Concordamos, realmente estávamos!

Visitar Angkor Wat no Cambodia é uma experiência única

Diante de nós o maior conjunto de amplo do mundo: Angkor Wat, no Cambodia

No dia seguinte Sam veio nos encontrar no salão onde o pessoal comia e tomava o café da manhã ou se esparramava em almofadões frente a mesinhas baixas, lendo, conversando e tomando cerveja.

Foram seis quilômetros até a entrada do templo principal (Bakan), cobertos em apenas 15 minutos por uma estradinha asfaltada.
Assim, menos de meia hora depois, instalados no tuk-tuk de Sam, chegávamos a Angkor Wat. Tivemos igualmente, que caminhar uns 700 metros até o acesso à majestosa construção.

Angkor Wat, no Cambodia

É difícil achar palavras para descrever o que víamos ao chegar em Angkor Wat, no Cambodia: o maior conjunto de edifícios religiosos do mundo! Os templos foram construídos no estilo clássico do auge da arquitetura Khmer. Portanto, dizer que é grandioso é pouco!
E, desde já, quero lembrar que esse é apenas o templo principal. Assim, há outros, cobrindo uma área gigantesca, de 3.000 quilômetros quadrados. Da mesma forma, Angkor Wat é tão fabuloso que os cambodianos o colocaram em sua bandeira nacional.

Jardim flutuante em Angkor Wat, no Cambodia

Saiba, antes de mais nada, que Angkor Wat fica numa ilha no centro de um lago coberto em alguns trechos com verdadeiros jardins aquáticos de flores de lótus. Você tem que dar a volta para acessar o templo.

Angkor Wat no cinema

No sítio arqueológico de Angkor Wat, no templo de Bayon, foi em 2001, rodada uma sequência do filme “Tomb Raider”. Trata-se de um filme de aventura estrelado por Angelina Jolie, no papel de Lara, a filha de um aventureiro americano desaparecido.
O filme impulsionou turismo no Cambodia e atraiu a atenção sobre Angkor Wat. Assim, mais turistas acabam visitando o país.

Entrada do templo principal, em Angkor Wat, no Cambodia

Os templos de Angkor Wat, no Cambodia: hinduístas e budistas

Templos: rodízio de estilos

Os templos hinduístas no início, dedicados a Vishnu, tornaram-se posteriormente budistas, voltando, entretanto a ser novamente hindus e mais uma vez budista, dependendo, portanto, da religião professada pela dinastia que estava no poder. Hoje os templos fazem parte do acervo cultural do Estado Cambodiano, mas uma comunidade de monges budistas habita o local.

Angkor Wat, no Cambodia

Como Angkor Wat, no Cambodia, foi construído?

A construção do templo, que foi iniciada pelo rei hindu Suryavarman, prosseguiu durante os reinados de seus sucessores, tanto hinduístas, como budistas. Na sua construção foram utilizados blocos de arenito, de até 4 toneladas, extraídos de uma pedreira a 40 km do sítio arqueogico e transportados em barcos, por canais até Angkor.

Templos de Angkor Wat, no Cambodia: nada de argamassa

Não foi utilizada nenhum tipo de argamassa. Dessa forma, as pedras eram esculpidas e encaixadas uma nas outras. Um sistema que me lembrou o dos incas, que conheci no Peru.
Em suma, o conjunto principal é formado por três áreas retangulares com altura crescente, como uma pirâmide asteca, rodeado de canais retangulares com 200 metros de largura. No seu interior ficam as torres com formato da flor de lótus, a mais alta, no centro, com mais de 42 metros de altura em relação ao santuário. 

Uma das torres de Angkor Wat, no Cambodia

O estilo “angkoriano”

O templo principal, “estilo angkoriano”, é o ponto alto da evolução da arquitetura khmer, totalmente hindu, e considerado morada dos deuses. Assim também, apenas a nobreza e a elite religiosa tinha acesso à sua área central, igualmente destinada a acolher a tumba real. O povão ficava de fora… Por isso mesmo, não tem grandes áreas destinadas cerimônias com público numeroso.

A imponência dos templos de Angkor Wat apreciado mais de longe

É um pouco de longe, visto do lado de fora, junto do canal em frente à entrada principal, que as torres, bem como os seus terraços em altura crescente revelam sua imponência. Ou seja parecem mais altos do que realmente são. Esse efeito criativo de sua arquitetura até hoje impressiona os visitantes. Nas laterais templos menores completam o conjunto.

A decoração interna em Angkor Wat

Internamente, o que se vê são galerias decoradas com relevos. Por outro lado, apesar de sua riqueza, não existem arcos formando abóbadas como na arquitetura latina, o caso do Panteão, em Roma. Enfim, são detalhes que somente arquitetos, engenheiros e pessoas interessadas por arquitetura irão reparar.

Pedras de uma parede destruída pela vegetação em Angkor wat, no Cambodia

A decoração em relevo das paredes de Angkor Wat, no Cambodia

Igualmente interessantes são seus baixo relevos de mais de um km de extensão e dois metros de altura. Eles contam histórias ligadas ao hinduísmo, à realeza, às grandes batalhas travadas pelo Império Khmer. Para você entender um pouco mais os relevos, saiba, primeiramente, que eles devem ser apreciados da direita para a esquerda.

Os clássicos do hinduísmo nas paredes dos templos

Um friso de quase 50 metros de extensão é inspirado num trecho do livro Mahabhrata. Outro, da mesma forma, reproduz o clímax do Ramayana, clássico do hinduísmo. A história conta que o deus Rama, avatar de Vixnu (uma das encarnações de Vishnu), apoiado por um exército de macacos, vence o demônio Ravana e resgata a esposa Sita (quanta imaginação…)  

Relevos em Angkor Wat, no Cambodia

As deusas e bailarinas celestiais

Igualmente numerosas são as figuras femininas, esculturas de deusas hindús e dançarias celestiais. Milhares delas ainda existem, apesar de muitas terem sido destruídas. Elas ocupavam boa parte das paredes do templo principal.

Estátuas no acesso a Angkor Wat, no Cambodia

A decadência do império khmer

No fim do século XVI com a decadência da civilização Khmer, Angkor foi abandonado,  e logo, paulatinamente, foi sendo encoberto pela vegetação. Dessa forma, somente uma parte do templo principal continuou abrigando um grupo de monges budistas.

As raízes que destroem templos de muitas toneladas

Da mesma forma, entregue à selva durante séculos, as raízes de grandes árvores foram envolvendo as pedras do templo, abalando dessa forma toda sua estrutura.
Por outro lado, retira-las completamente revelou-se um trabalho impossível. Afinal, a restauração poderia ocasionar o desabamento da estruturas. É impressionante, ainda hoje, ver como as raízes envolveram as paredes de Angkor Wat.

Angkor Wat, no Cambodia

A descoberta de Angkor Wat pelos ocidentais 

A primeira visita de um europeu a Angkor Wat, foi realizada pelo freire português António da Madalena, da ordem dos capuchinhos, em 1586. O relato dessa visita foi logo redigido pelo historiador igualmente lusitano, Diogo de Couto. 

Relevos com cenas de batalha em Angkor Wat, no Cambodia

Mais ocidentais descobrem Angkor Wat, no Cambodia

Após visita do religioso capuccino outros portugueses, mas também espanhóis e franceses, realizaram excursões ao sítio. Assim, na primeira metade do século XVI o japonês Kenryo Shimano desenhou o primeiro mapa de Angkor.
Depois, igualmente, na segunda metade do século XIX, quando Angkor já se tornara um protetorado francês, outros exploradores dessa nacionalidade deixaram relatos de viagem, mencionando os templos. 

Angkor Wat, no Cambodia

Angkor Wat, era, entretanto conhecido dos orientais há séculos, sendo um conhecido lugar de peregrinação budista.

 École Française d’Extrême-Orient

Com a fundação em 1898 da École Française d’Extrême-Orient, a exploração de Angkor tomou novo impulso e os templos encobertos pela vegetação começaram a ser restaurados. O curioso é que essa área pertencia ao Reino do Sião, atual Tailândia até 1907 e foi cedida à então Indochina Francesa. 

A restauração interrompida durante a ditadura do Khmer Vermelho

Os trabalhos de restauração prosseguiram durante décadas, até a subida ao poder do Khmer Vermelho que instalou uma ditadura comandada pelo fanático Pol Pot na década de 1970, depois derrubado pelos vietnamitas, após derrotaram os norte-americanos e reunificarem o Vietnã.

Angkor Wat, no Cambodia reconhecido pela Unesco

Contribuiu muito para a restauração e conservação de Angkor o reconhecimento do sítio pela Unesco em 1993. A partir daí várias equipes internacionais começaram a se dedicar à preservação e recuperação dos templos. Assim, em algum casos paredes inteiras foram desmontadas, as pedras devidamente limpas e repostas em seus lugares.

A restauração de Angkor Wat, no Cambodia

Os erros cometidos pelos arqueólogos

Muitos erros foram, entretanto, cometidos pelas equipes internacionais. Arqueólogos do Levantamento Arqueológico da Índia, empenhados a partir de 1986 em limpar musgos e vegetação grudada às pedras, utilizaram produtos químicos que corroiam os blocos. Só em 1992 essa prática foi interrompida.
Mesmo equipes europeias, algumas da França, cometeram anteriormente seus erros, chegando a utilizar concreto e ligas metálicas para sustentar paredes ameaçadas.

Angkor Wat na guerra

O templo de Angkor Wat, no Cambodia

O templo sofreu igualmente nas mãos dos fanáticos do Khmer Vermelho, que destruiu um telhado de madeira original para fazer fogueiras e prepararem suas refeições.
Os norte-americanos, da mesma forma, contribuíram para a danificação do templo, atingido por uma bomba acidentalmente, por ocasião de um ataque aéreo contra a guerrilha vietnamita que se escondia no Cambodia.

As pilhagens

Finalmente, Angkor foi objeto de muitos saques e pilhagens por parte de contrabandistas de peças de arte. Várias de suas estátuas foram parar nas mãos de colecionadores ou em museus da Europa ou mesmo do Cambodia.

Turistas em Angkor Wat, no Cambodia, recebendo a então de monges

O ritual dos monges abençoando turistas, no Cambodia

Bem no interior do templo, alguns monges budistas abençoam, num pequeno ritual, os visitantes que se apresentarem. Estrategicamente colocada bem do lado dos que ali se ajoelham para receber a bênção, há uma caixa para contribuições. A maioria dos turistas que passam pelo ritual deixa ali um dólar
Ketty o fez, eu não. Afinal, eu já havia passado por ritual semelhante na  Tailândia há muitos anos e minha bênção tinha data de validade vitalícia…

Monge em Angkor Wat

Existe uma comunidade de monges que habita Angkor Wat. Afinal, o Cambodia é um país principalmente budista e a existência de monges habitando o maior ícone do país reforça uma certa imagem nacional.

Na Tailândia conversando com um monge. Minha bênção ainda está na validade!

A visita a Angkor Wat

Visita demorada e meio cansativa

Em primeiro lugar, é bom ir avisando, a vista a Angkor Wat toma muitas horas. Há bilhetes válidos durante três dias, para aqueles que querem conhecer mais a fundo Angkor Wat.
Essa visita, sob um calor que pode, às vezes, chegar a 38 graus, pode ser cansativa e, ainda mais para aqueles muito fora de forma, de vida sedentária. Existem estruturas de difícil acesso, com degraus eram estreitos e altos. Perigosos, portanto.

Escalada difícil…

Dessa forma, me agarrando na mureta lateral fui subindo para visitar alguns alguns salões por essa escadinha assustadora, meio de gatinhas. Enquanto isso, Ketty filmava a aventura seguramente instalada na plataforma abaixo.

Angkor – destino turístico mundial 

Angkor Wat, no Cambodia

Cambodia fechado ao mundo

O país ficou praticamente fechado ao mundo durante toda a duração do regime comunista do Khmer Vermelho comandado pelo fanático Phnon Phen. Assim, aproximadamente 2,5 milhões de pessoas foram mortas nos chamados “campos de reeducarão”.
Foi, portanto, um horror. Qualquer um poderia ir parar nesses campos de extermínio, e ser torturado até a morte por motivos fúteis, como ter “hábitos burgueses”, ou ser um “intelectual decadente”, só por usar óculos.

O mundo ocidental fechou os olhos ao massacre

Engraçado que os USA tão preocupados com a democracia na Ásia, tendo jogado mais bombas no Vietnã do que jogaram em toda Segunda Guerra Mundial, nada fizeram. Explica-se, o Cambodia não tem petróleo…
Foram os vietnamitas, também comunistas, que deram um basta no regime assassino do Khmer Vermelho. Posteriormente, a ONU assumiu a situação e o país voltou a normalidade. 

Com a paz o turismo no Cambodia é retomado

Dessa forma, o interesse mundial pelo conjunto do Angkor Wat ressurgiu. Em 2005 cerca de 560 mil turistas visitaram o Cambodia. Em 2008 esse número dobrou. Depois disso, enfim, com a estabilidade política, cada vez mais estrangeiros começaram a se interessar pelo país.
Em 2020 estávamos entre os 6 milhões de turistas que visitaram o sítio arqueológico.

Angkor Wat foi um dos cenários do filme Tomb Raider, com Angelina Jolie.

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